
Dar risada ou não em Se Beber, Não Case! Parte II é pura questão de gosto. Imagino que fãs do tipo de humor dos irmãos Farrelly, por exemplo, vão adorar a sequência/refilmagem de Phillips. Por estar na fronteira do gosto, penso que poderia haver outras leituras para a existência desses três homens – Stu, Phil e Alan – que não passam de adolescentes que projetam uma Tailândia como fuga da mediocridade diária.
Que tipo de homem é esse que só aceita viver (eu disse “viver”, não “sobreviver”) quando está a milhares de quilômetros de casa, num país estranho e profundamente bêbado? Como o humor que surge das constrangedoras situações que eles atravessam (aliás, nem considero que haja mesmo humor nelas) leva espectadores ao delírio?
Seria por que quem vai assistir a Se Beber, Não Case! Parte II se identifica tacitamente com o “bando de lobos” que embarca na esbórnia na Tailândia? Então somos todos reprimidos a fingir uma felicidade diária e permitir o gozo apenas num momento de exceção?

Da dezena de críticas que li até agora – adoraria compreender mais línguas para perceber a reação da crítica croata, dinamarquesa, alemã –, os textos batem na mesma tecla: perdeu-se a originalidade do primeiro, aumentaram as grosserias das piadas e repetiu-se todas as situações do enredo, sintoma de que a sequência justifica-se apenas pelo dinheiro a ser faturado. Cria-se uma falsa dicotomia entre politicamente correto e incorreto ou textos de críticos órfãos da catarse causada pelo primeiro.
Ainda acho que é o caminho mais fácil de leitura, talvez porque a crítica tenha gasto muita energia com Se

Entre discutir se Se Beber, Não Case! Parte II provoca risos ou não, ainda acho mais produtivo tentar entender como a humanidade se reflete, ou não, em Stu, Phil e Alan. Por isso, a crítica de Manohla Dargis é precisa ao dizer: “Nos dois filmes, adultos abandonam a existência diária, deixando para trás namoradas, esposas, pais e trabalho de forma a curtir, sentir, viver, e é por isso que esse tipo de comédia são melhores se encaradas como tragédias”.