sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A pintura e a radicalidade de "A Mulher à Tarde"


de Tiradentes

Um filme que tenta usar a dilatação do tempo para falar de vazio. Esta forma de “Mulher à Tarde”, que está aqui em Tiradentes na Mostra Aurora, me fez pensar em diversos momentos em “Polícia, Adjetivo”, do Corneliu Porimbouiu.

No romeno, sobre um policial que persegue jovens que fumam haxixe, Porimboiu usa poucos cortes e abusa de planos longos justamente para mostrar o quão vazio eram os dias do policial. Um anti-filme policial, que se nega à ação e ao mito da aventura.

Mesmo com essa tentativa de casar forma e conteúdo em ambos os filmes, “Mulher À Tarde” tem outro detalhe: a relação com a pintura e a tentativa de fazer quadros autônomos.

Ontem, ao assistir ao filme, não gostei nem um pouco. Mesmo fazendo a leitura de que é uma observação da angústia, da ausência e da falta de comunicabilidade, acho o processo para chegar até ao filme muito tortuoso. Especialmente porque “Mulher à Tarde” é muito devedor de uma estrutura da pintura.

Porém, o debate de hoje com diretor, atriz e produtora, trouxe outros elementos para me aproximar um pouco mais do filme. O limite ao qual ele se propõe (e não paro de pensar no cinema de Lisandro Alonso) não é sem pé nem cabeça. Mas ainda me incomoda essa filiação da forma da dilatação do tempo para mapear a contemporaneidade.

Será que a única resposta para o corte rápido é a distensão total? Quando assistir ao filme na próxima vez, espero responder a esta pergunta.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Ou o chão ou os tropeços


de Tiradentes

Minha primeira vez tanto na cidade de Tiradentes como na Mostra de Cinema daqui. Um paradoxo me chama muito a atenção. É o seguinte:

Como cidade histórica, fundada há 292 anos, o atrativo é olhar para as construções do tempo da mineração. Não há prédios, as janelas das casas dão de frente para a rua. Os restaurantes, assim como as pousadas, são casas adaptadas. A pressa paulistana não funciona nas lojas. O ritmo, por aqui, é outro.

Pois bem, não seria maravilhoso passear e tratar bem os olhos com essa linda paisagem? Mas, gente, não dá! As ruas têm algo que vagamente lembra um paralelepípedo. Na verdade, são lindas pedras de tamanhos e formas diferentes, com alguns espaços entre elas.

Ou seja, o risco de cair é iminente. O jeito é ficar com um olho no peixe, outro no gato. Uns segundinhos pra dizer “nossa, que simpática aquela janela ali” ou “e essa igreja, hein?”, intercalados de observações atentas ao nosso querido amigo, o chão que pisamos.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Fumando espero

Tem sido mais que interessantes as reflexões do ex-fumante Inácio Araújo a respeito do documentário anti-tabagista “Fumando Espero”. Quando o filme entrou em cartaz na semana passada ele escreveu uma crítica para a “Folha de S. Paulo”. Voltou à carga em seu blog, o “Cinema de Boca em Boca”.

Ele defende que o corte picotado do filme de Adriana Dutra é moldado pelos vídeos jornalísticos e pela publicidade. Ou seja, longe do cinema. Reitera que o documentário tem o efeito de provocar no espectador a vontade de fumar. E ainda relembra uma teoria do Carlão: você sabe se um filme é bom ou não pelo desejo de tragar. Se permanece na sala, é bom; se só pensa em acender um cigarro durante a projeção, é ruim.

Mas o filme também recebeu avaliações positivas. O “Cineweb” diz que ele “pode servir de apoio às pessoas que lutam para abandonar o cigarro”, mas ressalta que “é um filme bem intencionado, mas poderá ter dificuldades para atingir plateias mais amplas que não estejam envolvidas com o tema”. O “Cineclick” vai na mesma linha: “Cinematograficamente, trata-se de um documentário não muito inspirado. Seu conteúdo, porém, é de extrema importância e altamente indicado para exibição nos mais variados estabelecimentos de ensino”.

Atualizando: acabo de entrar no blog do Zanin. Ele acaba de postar um texto dele publicado no Estadão. "O filme poderia funcionar como um bom vídeo institucional da lei antitabagista há pouco aprovada em São Paulo."

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

A greve dos atores

Um misto de desinformação, jogo de interesses, disputa entre atores de alto escalão e um grupo menos popular, crise financeira, disputa sobre os pagamentos de conteúdo vendido online.

O Screen Actors Guild (SAG), sindicato dos atores mais forte dos EUA, está prestes a rachar. Há uma divisão em torno da decisão, ou não, de entrar em greve. Em ambos os lados, atores pesos pesados defendem a paralisação ou um mínimo acordo.

O The New York Times publicou nesta quarta-feira (17/12) um artigo razoável sobre o assunto que, de tantas idas e vindas, tende a criar uma neblina que impede uma visão panorâmica sobre o que de fato está acontecendo.

O texto, em inglês, está neste link.

Em tempo: um exemplo da divisão do SAG é a postura de Tom Hanks, considerado um “bom moço” nos bastidores, que se posicionou contra a greve.

Will Smith

Em 2008, Will Smith virou sinônimo de sucesso de bilheteria. Logo em janeiro, chegou por aqui com “Eu Sou a Lenda”, sexta maior bilheteria com R$ 18 milhões (2,2 milhões de espectadores). Em junho, com “Hancock”, que se tornou a quinta maior bilheteria com R$ 21 milhões (2,7 milhões de espectadores).

No feriado natalino, estréia mais um filme com o ator como protagonista. “Sete Vidas” é um dramalhão de um homem que carrega uma culpa do passado e procura expiá-la salvando vidas de desconhecidos.

É a segunda vez que Smith e o diretor italiano Gabriele Muccino trabalham juntos. Em “À Procura da Felicidade”, a mão do diretor foi muito pesada, levando a história da perseverança de um homem para a crença cega da América como a terra das oportunidades para todos.

Em “Sete Vidas” ele se recupera do escorregão. Ben Thomas, agente da Receita Federal interpretado por Smith, faz o bem não porque é um ser puro e tem essa qualidade inata, mas como maneira de trabalhar o próprio trauma de um passado dolorido.

A trama do filme se desenvolve em torno dele e dá ao ator carta branca para prender as emoções do espectador. E consegue transformar um filme regular em interessante.

Em tempo: veja o trailer do filme:

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

“Terra Vermelha” por Luiz Bolognesi

O blog Autores de Cinema, espaço dos roteiristas, publicou uma pequena entrevista com Luiz Bolognesi, roteirista do longa “Terra Vermelha”, que depois de passar por festivais em Veneza, Rio, São Paulo e Amazonas, estréia no circuito comercial.

O filme, dirigido por Marco Becchis, adota o ponto de vista dos índios kaiowá. “Estive em várias reservas kaiowá, convivi com os índios, entrevistei lideranças e pajés, li teses antropológicas e depois desse convívio visceral decidimos fazer um filme do ponto de vista kaiowá, em vez de tentar esquadrinhar a realidade com um painel sociológico”.

Bolognesi, que já tinha escrito “Chega de Saudade” e “Bicho de Sete Cabeças”, ambos dirigido pela esposa Laís Bodansky, ainda fala do processo de criação, da improvisação dos índios, o ponto de vista do narrador e a recepção no Festival de Veneza.

A entrevista completa está neste link.

A crítica do filme está neste link.

Em tempo: O trailer do filme está na janela abaixo.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Pasolini II

Depois de assistir a segunda parte de "Teorema" -- aquela em que toda a família realmente sai dos trilhos -- pergunto:

o sexo é o aspecto mais transgressor que um burguês pode alcançar?