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quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Mônica e o Desejo – novamente
A cada revisão aumenta a força do plano mais poderoso de Mônica e o Desejo – o da foto deste post, em que ela, Mônica, casada, sai com outro numa noite qualquer buscando resgatar sua juventude perdida num casamento e maternidade precoces, e mira o espectador com um ar inquisidor de “Como ousas me julgar?”.
Esse olhar de Harriet Andersson abre as portas para o Ato III do filme. É a partir desse olhar desafiador de uma mulher que quer viver sua liberdade – e dane-se o que o mundo, inclusive o marido, pensa disso – que brota a resolução do enredo.
Há mais no filme de Bergman, desde as insinuações eróticas (Harriet andando de quatro pelo mato) à abordagem renascentista do horizonte como manancial de esperanças. Há muitas outras cenas e planos bonitos. Mas nada supera o torpor deste, em que Mônica devolve o questionamento antes mesmo de o espectador fazê-lo.
É esse poder que certas atrizes conseguem imprimir. É como Rita Hayworth em Gilda, na cena em que, perguntada pelo marido (“Gilda, are you decent?”), ela invade o quadro com uma sacudida de cabelo e devolve a pergunta com um “Me?”. Claro, Gilda e Mônica e o Desejo são dois cinemas inteiramente diferentes, o caso aqui não é comparar ambos os filmes. Mas um plano, aquele que sobrevive ao tempo e às revisões.
E esse olhar de Mônica para a câmera vai permanecer por muitos mais anos.
Bergman é tão fenomenal que decupa a cena começando por um plano detalhe numa mão que liga a jukebox, passa ao rosto de Mônica, omite e revela que com a moça está acompanhada de um homem e termina com o maravilhoso olhar de Harriet Andersson para a câmera num close-up.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Mostra Bergman no CCBB-SP
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| Persona, de Bergman |
Começa nesta quarta-feira (13/06) não só a primeira batalha do meu Corinthians para chegar à primeira final da Libertadores de sua história, mas também a belíssima mostra completa de Ingmar Bergman. Um mês com filmes e cursos no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo.
O tempo (a falta dele) me impede de fazer um post mais aprofundado. Li há alguns meses o livro que Liv Ulmann, musa e ex-mulher de Bergman, escreveu (acho) nos anos 1980, Mutações. Queria relacionar as experiêncais que ela descreve no papel e a feitura de Persona.
Mas agora não dá, o tempo falta. Deixo apenas a dica da mostra e a programação completa no site do CCBB (clique aqui).
Outro dia volto a tecer um comentário decente.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Mônica e o Desejo, de Ingmar Bergman
Da série Coisas que Escrevemos pelo Caminho:
Não é bonita, bonita, mas tampouco feia (...) Bastante rodada, pelo que sugere sua roupa estilo saco de batatas.
Jacques Doniol-Valcroze, Cahiers du Cinema, 1954, a respeito de Harriet Andersson em Monica e o Desejo (citado por Antoine de Baecque em Cinefilia).
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