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domingo, 24 de junho de 2012

CineOP, dia 1: os curtas-metragens

Dizem que Os Cães Veem Coisas, de Guto Parente
 7ª CineOP – 1º dia – O que nos dizem os curtas (e os jovens que os veem)

Sentimento contraditório este de acompanhar a sessão com estudantes. Aqui em Ouro Preto, na primeira projeção de curtas-metragens de sexta-feira (22), além do público “normal”, houve uma volumosa excursão com jovens, aparentemente, do Ensino Médio.

Por um lado, fico muito entusiasmado. Que ótimo seduzir jovens espectadores para o cinema – e melhor, para um tipo de cinema que quer alguma coisa do cinema. Se não for por iniciativas como essa da CineOP, qual seria o canal de contato de um filme como o da Alumbramento com a molecada?

Mas uma outra porção minha não consegue aceitar o comportamento do espectador que se esquece estar numa sala de cinema, não na sala de jantar da sua casa. Conversas, bate-papos, bochichos constantes durante a projeção dos seis curtas-metragens. OK, essa “interação” não é exclusiva dos estudantes, basta ir a qualquer sala – ao menos em São Paulo – para passar alguns momentos de raiva.

Continue lendo o texto na Revista Interlúdio.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

CineOP, noite de abertura - Pra Frente, Brasil e O Assalto ao Trem Pagador

Reginaldo Faria na cena mais impactante de O Assalto ao Trem Pagador

Diário da 7ª CineOP - Mostra de Cinema de Ouro Preto - Noite de Abertura

São dois momentos distintos. O primeiro surge no contexto de preocupação social. O segundo é um filme de urgência, cujo maior mérito é simplesmente ter sido feito e exibido.

Cinquenta anos nos separam de O Assalto ao Trem Pagador, o terceiro longa-metragem de Roberto Farias, e 30 anos de Pra Frente, Brasil, o penúltimo filme do cineasta, que abriu ontem a 7ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto. Assalto sobrevive muito melhor ao tempo e é um exercício prazeroso redescobri-lo. É mais cinema, tem mais escolhas precisas na narrativa, mais coeso. Suas cenas relutam a largar a memória.

O argumento é sagaz. Em vez tornar o assalto o centro do filme, o roubo mirabolante ao trem pagador do título abre espaço para um enredo com comentários firmes sobre os porquês de um crime. Mais a fundo, O Assalto ao Trem Pagador é uma lente de aumento nas relações raciais do Brasil. Tanto que na cena mais impactante do filme, Grilo Peru, o engenheiro do roubo, deixa claro para o espectador que, por aqui, ter dinheiro nem sempre é suficiente para se livrar de um estigma racial.

O começo do longa é inspiradíssimo. Uma demonstração do domínio de Roberto Farias sobre o cinema clássico. A panorâmica da estrada de ferro é alternada com planos-detalhe e travellings que descrevem a arquitetura do roubo (o trilho deslocado, a banana de dinamite, a carteira jogada, as garrafas de uísque importado, maço de cigarro). Esses planos são banhados por uma música misteriosa e enigmática de Remo Usai.

Continue lendo o texto na Revista Interlúdio.

Começa o CineOP (e a vida continua)

Roberto (80) e Reginaldo (75) no palco do cine Vila Rica. Foto de Leo Lara


Por mais que seria bem-vindo um tempo do mundo, um recuo para dentro, para onde se fala pouco e se escuta muito, a vida está aí, demandando ação.

Com isso, quero dizer que um espaço aqui dentro ainda está resguardado, preservado, pra entender esse episódio de difícil compreensão que é a morte do Carlão.

Mas a vida não para de andar. É preciso vivê-la. E como ela segue, estarei postando neste Urso de Lata trechos e links da cobertura que estou fazendo da 7ª CineOP - Mostra de Cinema de Ouro Preto, este interessantíssimo festival de cinema dedicado à preservação e memória do cinema nacional, para outros veículos.

Para começar, segue um pedaço da entrevista com Roberto Farias e Reginaldo Faria, os irmãos homenageados na abertura de quinta-feira aqui em Ouro Preto, publicada na edição de terça-feira (19) no jornal Valor Econômico. Gustavo Dahl também foi homenageado.

Boa leitura!

CineOP 2012 relembra uma família dedicada ao cinema

Reginaldo Faria não precisa pensar duas vezes para responder uma pergunta que lhe acompanha há anos: por que toda a família Faria está envolvida com audiovisual? "Desde pequenos sempre trabalhamos juntos no estabelecimento comercial de nosso pai. Essa prática continua até os dias de hoje. Os filhos e os netos seguem nossos passos e nós seguimos os passos daquilo que nos fascina", afirma.

Ator de pontos altos da filmografia brasileira como Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia (1977) e Porto das Caixas (1962), Reginaldo será homenageado ao lado do irmão Roberto Farias, diretor de O Assalto ao Trem Pagador (1962) e Pra Frente, Brasil (1982), na quinta-feira (dia 21) na abertura oficial da 7ª CineOP - Mostra de Cinema de Ouro Preto. O cineasta Gustavo Dahl (1938-2011), primeiro presidente da Ancine, também será homenageado.

Dedicada à memória e preservação do cinema brasileiro, a mostra mineira programou também a projeção gratuita de cinco filmes da dupla, além de um debate sobre o percurso de suas carreiras.

Continue lendo o texto no site do Valor Econômico.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

CineOP: Público se diverte com piadas de Oscarito e Zé Trindade em chanchadas

Projeção em praça de Nem Sansão Nem Dalila, de Carlos Manga


Que as chanchadas exibidas aqui em Ouro Preto teriam boa acolhida já era esperado. Porém, mesmo realizadas há mais de meio século, quando a televisão no Brasil era ainda uma brincadeira para ricos, chanchadas como Nem Sansão Nem Dalila e Rico Ri à Toa levaram o público ao delírio.

O primeiro, feito por Carlos Manga em 1954, foi exibido no sábado (18/6) na Praça Tiradentes. O segundo, filme de estreia de Roberto Farias em 1957, teve projeção ontem dentro do Cine Vila Rica. Apesar da coincidência do gênero chanchadeiro, são dois filmes diferentes: Manga fez um irônico comentário ao poder (com antológica imitação que Oscarito faz de Getúlio Vargas), enquanto Farias brinca com as diferenças de classes da sociedade carioca.

O denominador comum, porém, é a reação do público, que continuou se divertindo com as piadas de duplo sentido, as peripécias corporais de Oscarito ou os trejeitos da fala de Zé Trindade. As exibições em Ouro Preto demonstram que o humor da chanchada, mesmo com o ar inocente de alguns filmes, continua fazendo rir.

Talvez a chanchada não seja um gênero tão distante assim como imaginamos. Muito do humor televisivo foi construído com esse tipo de filme. Este, por sua vez, tem a inspiração nos sucessos do rádio e na estrutura do Teatro de Revista. Assistir aos dois longas aqui na CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto é traçar uma ponte passado-presente.

Continue lendo o texto no Cineclick.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Em Ouro Preto

Acabo de sair do frio de São Paulo para me aventurar ao frio mais intenso aqui de Ouro Preto. Razão: o início do CineOP - Mostra de Cinema de Ouro Preto, que começa nesta quinta-feira (16/6) com homenagem a Carlos Manga e exibição de O Homem dos Sputinik logo mais.

A cobertura completa e diária estará no Cineclick (leia aqui o texto de abertura). Aqui no Urso de Lata, apenas alguns comentários pontuais durante os cinco dias de festival. A expectativa é que as mesas de debate produzam um interessante olhar sobre a chanchada, principal tema deste ano, contextualizada dentro da produção nacional da década de 1950.

Serão exibidos outros filmes do Manga como Nem Sansão Nem Dalila e Matar ou Correr, ambas ótimas sátiras do cinema americano, em especial do épico Sansão e Dalila e do sublime faroeste Matar ou Morrer.
Link
O CineOP também vai exibir outra chanchada menor, Aviso Aos Navegantes, sobre a qual escrevi para a Revista Zingu há duas edições (leia aqui). A outra será Carnaval Atlântida.

Durante os próximos dias vem mais. Aguardem.