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sábado, 8 de dezembro de 2012

De dentro pra fora: a política

A Fuga da Mulher Gorila

Finalmente assisti ao primeiro longa da Trilogia Coração no Fogo, A Fuga da Mulher Gorila, trazido pela retrospectiva em São Paulo da Semana dos Realizadores [veja programação aqui]. A Alegria e Desassossego completam a trilogia articulada por Felipe Bragança e Marina Meliande.

Ver o primeiro filme ajudou a delinear alguns dos sentimentos esparsos vividos durante a visão (e revisão) de A Alegria. O principal é o incômodo que me causou a ideia de política que os personagens trazem.

Em A Fuga da Mulher Gorila, duas irmãs viajam com uma kombi apresentando um show mambembe da mulher que se transforma em gorila. O sentimento de busca, de imobilidade, de acessar o lúdico (as justaposições das imagens da mão da menina e as luzes de balada) guiam as personagens e o filme, com um leve gosto de melancolia por trás.

À exceção de breves encontros e paradas, as irmãs passam quase todo o filme juntas perdidas na estrada, no mato, em frente ao rio. Mesmo que o rio represente a imensidão a se buscar, elas continuam isoladas.

Situação parecida de A Alegria, em que Luiza e seus amigos ficam quase todo o tempo juntos – também ou no mato ou no apartamento. Ela diz ter um anel que a fará atravessar paredes.

Em ambos, personagens que falam de dentro para dentro, que se protegem com os amigos, mas de pouco embate com o mundo.

Daí o porquê de Esse Amor que nos Consome, de Allan Ribeiro, me encantar muito mais que os dois longas da Trilogia Coração no Fogo. Pois seus personagens também querem acessar o lúdico e pintar o mundo, mas o faz indo para fora, saindo do espaço de conforto – a inteiração na praça movimentada no Rio de Janeiro, a dança do cais etc.

São nesses momentos que, paralelamente ao aspecto de a companhia de dança do filme ter que se equilibrar em arame farpado para sobreviver, os personagens de Esse Amor que Nos Consome tentam fazer do Rio uma cidade melhor.

A política desse filme me interessa mais que a dos outros dois.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Semana dos Realizadores: sobre filmes obrigatórios

A Cidade é uma Só?, o filme pop-político de Adirley Queiroz

Pela primeira vez desde 2009, quando foi criada no Rio de Janeiro, a Semana dos Realizadores: Voos do Cinema Brasileiro Contemporâneo aporta em São Paulo. Começa nesta quarta-feira (5/11) com a exibição do bom documentário Doméstica, de Gabriel Mascaro, às 19h no Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo, em forma de retrospectiva.

Há filmes obrigatórios, especialmente nesse contexto esquizofrênico do circuito exibidor, enxuto, reduzido, que atira certos filmes (especialmente os autorais brasileiros) em algum horário. Alguns dos filmes infelizmente terão sua passagem pelas salas de cinema restritas a festivais.

A Cidade é uma Só?, Estrada Para Ythaca, O Homem que Não Dormia, Praça Walt Disney, As Hiper Mulheres, Doméstica, Eles Voltam, Esse Amor que Nos Consome, Ovos de Dinossauro na Sala de Estar, Na Carne e Na Alma, Dona Sônia Pediu uma Arma para seu Vizinho Alcides, Pacific, Corpo Presente são alguns dos filmes que ilustram caminhos que as várias ramificações da produção brasileira seguem.

No meio da programação haverá debates, dos quais chama a atenção o do dia 12, “O que pode ser hoje um cinema político?”. E um par de aulas ministradas pelos críticos Francis Vogner dos Reis e Luiz Carlos Oliveira Jr., que falarão sobre os diálogos entre os filmes exibidos na Semana nos últimos quatro anos, traçando um contexto amplo que remonta ao começo dos anos 2000.

A programação está no site do CCBB-SP [clique aqui] e da Semana em São Paulo [clique aqui]. Abaixo, links para críticas, resenhas e comentários que escrevi -- publicadas em diferentes momentos veículos e, por isso mesmo, de profundidades distintas -- de alguns dos filmes que passarão na Semana.