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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Análise do Oscar: O Artista leva 5 estatuetas e reforça poder de Weinstein

O Artista dominou principais categorias do Oscar


As cinco estatuetas que O Artista ganhou no 84º Oscar em 2012, incluindo Melhor Filme e Direção [veja todos os vencedores], mostram que Harvey Weinstein, o cara que colocou Cidade de Deus sob os holofotes do Oscar, é de novo o rei do pedaço.

Afinal, em tempos de franquias, filmes de super-heróis genéricos e orçamentos astronômicos, não é fácil tornar um filme em preto-e-branco (e mudo) no filme-que-todo-mundo-está-comentando.

Num ano em que os longas favoritos – o de Hazanavicius e o de Scorsese – falaram sobre cinema, os membros preferiram o que ficou mais na superfície. Com isso, A Invenção de Hugo Cabret reinou nas categorias técnicas, mas passou ao largo das mais visadas.

Entre a comédia romântica muda francesa que imita e celebra a Hollywood dos anos 1920 e 30 e o filme para toda a família que fala de memória cinematográfica e preservação de arquivos, ganhou o primeiro. Em todo o caso, fosse a estatueta de Melhor Filme para O Artista ou para A Invenção de Hugo Cabret, este ano foi uma temporada de produções superestimadas.

Mas é melhor nem reclamar por um filme apenas satisfatório ter ganho o Oscar. Se dermos uma olhada quem saiu vencedor nos anos 2000, vamos encontrar Chicago, O Discurso do Rei ou até mesmo Quem Quer Ser Um Milionário?. Ao menos a existência de O Artista me parece mais interessante por dialogar com o cinema e quebrar o ciclo de lixo tecnológico que invadem as salas semanalmente.


A Invenção de Hugo Cabret, outra homenagem ao cinema, levou cinco estatuetas

No meio dos prêmios entregues nas quase três horas de cerimônia, alguns fatos que quebraram a monotonia. Meryl Streep ganhou sua terceira estatueta após 29 anos, desta vez pelo mediano A Dama de Ferro. Teve também um Oscar de Roteiro Original para Woody Allen que, como de praxe, nem apareceu no Kodak Theater. Woody não ganhava um Oscar de Roteiro desde Hanna e suas Irmãs (1987).

Outra estatueta marcante como fato histórico foi a de Atriz Coadjuvante para Octavia Spencer, apenas a oitava ator/atriz negra a ganhar o prêmio da Academia. Mais um para a lista de fatos: Christopher Plummer, ganhador do Oscar de Ator Coadjuvante por Toda Forma de Amor, é o mais velho a levar uma estatueta (82 anos).

A grande gafe da morna cerimônia foi sem dúvida o tradicional vídeo que a Academia faz para homenagear os profissionais que morreram no último ano. Assim como nos anos anteriores, muita gente ficou de fora. O pior em 2012 é que gênios foram esquecidos, especialmente Theo Angelopoulos (A Poeira do Tempo) e Raul Ruiz (Mistérios de Lisboa). Esqueceram-se até de Maria Schneider, a atriz da cena da manteiga em O Último Tango em Paris.

Não se esqueceram, porém, de Whitney Houston ou de Steve Jobs.

A cerimônia teve também um plano no avantajado bumbum de Jennifer Lopez e no não tão dotado de Cameron Diaz, além de as pernas de Angelina Jolie terem ficado de fora por conta de seu ousado vestido. O Oscar fez uma nova tentativa em se tornar mais descontraída – steadicam acompanhando Robert Downey Jr. no palco, o mestre de cerimônias Billy Cristal se misturando na plateia, apresentadores com mais espaço para brincar – e discursos muito, mas muito curtos, felizmente.

A sensação deste Oscar 2012 é que a Academia se parece cada vez mais com os produtores mais velhos dos anos 1960 que, face às mudanças do mundo e do próprio cinema, chutava para todo lado no afã de recuperar público e entender o que o jovem queria ver nas telonas.

A ver no que isso vai dar.

Textos relacionados:
Meia-noite em Paris - Crítica

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Brad Pitt na Revista ESPN: O Homem que Mudou o Jogo

 Na edição deste mês da Revista ESPN, que chegou às bancas no dia 10 e traz na capa a saltadora Maurren Maggi, há uma reportagem deste escriba sobre o O Homem que Mudou o Jogo, filme com Brad Pitt que concorre a seis Oscar. Peço licença para fazer um auto jabá.

Na reportagem, conto um pouco da saga de concretizar um projeto com dificuldades potenciais de circular para fora dos Estados Unidos. Em 2009, quando Steven Soderbergh estava pronto para rodar, a Sony cancelou o filme por discordar, principalmente, das alterações feitas pelo diretor no roteiro.

Especialmente a persistência de Brad Pitt e a nova pegada no roteiro que Aaron Sorkin deu (lembremos: foi ele quem imprimiu um caráter mais universal pan-Facebook ao premiado A Rede Social) fizeram o projeto renascer. Inicialmente um filme que poderia ser apreciado por fãs de baseball, O Homem que Mudou o Jogo tornou-se um longa com maior diálogo.

Para refrescar a memória: a história é baseada no livro Moneyball: The Art of Winning an Unfair Game, publicado há onze anos. A obra de Michael Lewis conta como um time de médio porte, o Oakland Athletics, tornou-se competitivo e bateu de frente ao multimilionário New York Yankees usando análise estatística. Observados de uma forma diferente, os números, que são uma entidade idolatrada pelo baseball, revelaram aspectos desconhecidos do jogo. Iniciou-se ali uma revolução cujos efeitos persistem até hoje.

Para ajudar a traduzir para um leitor leigo as mudanças técnicas, a matéria conta com a simpatia, a atenção e o profundo conhecimento de Jeff Passan, principal colunista de baseball no Yahoo Sports, e de Brad Zellar, jornalista que por muito tempo cobriu os bastidores de outra franquia parecida com a do Oakland, o Minnesota Twins.

Convido, assim, os leitores a dar uma conferida nas bancas na edição deste mês da Revista ESPN. Boa leitura!


terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Oscar 2012: veja lista dos indicados ao prêmio da Academia

Algumas surpresas na lista do Oscar
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou na manhã desta terça-feira (24/1) os indicados ao Oscar de 2012. A lista completa segue abaixo. A análise com as surpresas, injustiças e escolhas precisas pode ser conferida neste link no Cineclick. Alguns breves comentários:

- Na categoria Melhor Filme, a Academia indicou nove filmes, sendo sete já incluídos na premiação do Sindicato dos Produtores (PGA). Entraram A Árvore da Vida e Tão Forte, Tão Perto -- saiu Missão Madrinha de Casamento.

- Já em Melhor Ator, duas surpresas: Nick Nolte e Max von Sydow.

- No roteiro, ótima surpresa: Asghar Farhadi, de A Separação [leia a crítica] foi um dos cinco indicados. Por outro lado, Missão Madrinha de Casamento também foi indicado. Que coisa...

- Na direção, David Fincher foi ignorado, assim como em Melhor Filme, já que Millenium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres ficou fora.

- Na categoria Melhor Atriz, que parecia ser a mais fechada e com menos surpresas, teve uma troca significativa: saiu Tilda Swinton, de Precisamos Falar sobre Kevin, e entrou Rooney Mara, de Millenium.

- Fato raro: um ano sem nenhum filme da Pixar indicado a Melhor Animação. Rio, de Carlos Saldanha, não entrou.

- Na Trilha Sonora, John Williams abocanhou duas indicações por Cavalo de Guerra e As Aventuras de Timtim. Se ele espirrar, a Academia vai indicá-lo. Mas o genial Alexandre Desplat, candidato por A Árvore da Vida, Carnage e Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte II, passou longe. É...

- Em filme estrangeiro, o belga Bullhead foi indicado. Piada, né? Filme fraquíssimo.

- Apenas duas canções originais foram indicadas. Regras da Academia de elegibilidade, coeficiente etc (entenda aqui no artigo IV, Voting)

Melhor Filme

Cavalo de Guerra (War Horse)
O Artista (The Artist)
O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball)
Os Descendentes (The Descendants)
A Árvore da Vida (The Tree of Life)
Meia-noite em Paris (Midnight in Paris)
Histórias Cruzadas (The Help)
A Invenção de Hugo Cabret (Hugo)
Tão Forte, Tão Perto (Extremely Loud & Incredibly Close)

Atriz Coadjuvante

Bérénice Bejo (O Artista)
Jessica Chastain (Histórias Cruzadas)
Melissa McCarthy (Missão Madrinha de Casamento)
Janet McTeer (Albert Nobbs)
Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)

Ator Coadjuvante

Kenneth Branagh (Sete Dias com Marylin)
Jonah Hill (O Homem que Mudou o Jogo)
Nick Nolte (Warrior)
Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)
Max von Sydow (Tão Forte, Tão Perto)

Melhor Atriz

Glenn Close (Albert Nobbs)
Rooney Mara (Millenium - O Homem que Não Amava as Mulheres)
Viola Davis (Histórias Cruzadas)
Meryl Streep (Dama de Ferro)
Michelle Williams (Sete Dias com Marylin)

Melhor Ator

Demian Bichir (A Better Life)
George Clooney (Os Descendentes)
Jean Dujardin (O Artista)
Gary Oldman (O Espião que Sabia Demais)
Brad Pitt (O Homem que Mudou o Jogo)

Melhor Direção

Michel Hazanivicus (O Artista)
Alexander Payne (Os Descendentes)
Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret)
Woody Allen (Meia-noite em Paris)
Terrence Malick (A Árvore da Vida)

Melhor Roteiro Original

The Artist
Bridesmaids
Midnight in Paris
Margin Call
A Separation

Melhor Roteiro Adaptado

The Descendants
Hugo
The Ides of March
The Girl With the Dragon Tattoo
Tinker Tailor Soldier Spy

Melhor Filme em Língua Estrangeira

Bullhead
Footnote
In Darkness
Monsier Lazhar
In Separation

Melhor Animação

A Cat in Paris
Chico & Rita
Kung Fu Panda 2
Puss in Boots
Rango

Melhor Curta-metragem em Animação

 Dimanche/Sunday, de Patrick Doyon
The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore, de William Joyce and Brandon Oldenburg
La Luna, de Enrico Casarosa
A Morning Stroll, de Grant Orchard and Sue Goffe
Wild Life, de Amanda Forbis e Wendy Tilby

Melhor Curta-metragem

Pentecost, de Peter McDonald and Eimear O'Kane
Raju, de Max Zähle and Stefan Gieren
The Shore, de Terry George and Oorlagh George
Time Freak, de Andrew Bowler and Gigi Causey
Tuba Atlantic, de Hallvar Witzø

Melhor Trilha Sonora

As Aventuras de Timtim (John Williams)
O Artista (Ludovic Bource)
A Invenção de Hugo Cabret (Howard Shore)
O Espião que Sabia Demais (Alberto Iglesias)
Cavalo de Guerras (John Williams)

Melhor Canção Original

Man or Muppet, de Os Muppets (Música e letra de Bret McKenzie)
Real in Rio, de Rio (Música de Sergio Mendes e Carlinhos Brown, letra Siedah Garrett)

Edição de Som

Drive (Lon Bender e Victor Ray Ennis)
Millenium – Os Homens Homens que Não Amavam as Mulheres (Ren Klyce)
Hugo (Philip Stockton e Eugene Gearty)
Transformers: O Lado Oculto da Lua (Ethan Van der Ryn e Erik Aadahl)
Cavalo de Guerra (Richard Hymns and Gary Rydstrom)

Mixagem

Millenium – Os Homens que Amavam as Mulheres (David Parker, Michael Semanick, Ren Klyce e Bo Persson)
Hugo (Tom Fleischman and John Midgley)
O Homem que Mudou o Jogo (Deb Adair, Ron Bochar, Dave Giammarco e Ed Novick)
Transformers: O Lado Oculto da Lua (Greg P. Russell, Gary Summers, Jeffrey J. Haboush e Peter J. Devlin)
Cavalo de Guerra (Gary Rydstrom, Andy Nelson, Tom Johnson e Stuart Wilson)

Efeitos Visuais

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte II (Tim Burke, David Vickery, Greg Butler and John Richardson)
A Invenção de Hugo Cabret (Rob Legato, Joss Williams, Ben Grossman e Alex Henning)
Gigantes de Aço (Erik Nash, John Rosengrant, Dan Taylor e Swen Gillberg)
Planeta dos Macacos: A Origem (Joe Letteri, Dan Lemmon, R. Christopher White e Daniel Barrett)
Transformers: O Lado Oculto da Lua (Scott Farrar, Scott Benza, Matthew Butler e John Frazier)

Melhor Maquiagem

Albert Nobbs (Martial Corneville, Lynn Johnston e Matthew W. Mungle)
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte II (Edouard F. Henriques, Gregory Funk e Yolanda Toussieng)
A Dama de Ferro (Mark Coulier e J. Roy Helland)

Melhor Documentário

Hell and Back Again
If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front
Paradise Lost 3: Purgatory
Pina
Undefeated

Melhor Documentário em Curta-metragem

The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement
God Is the Bigger Elvis
Incident in New Baghdad
Saving Face
The Tsunami and the Cherry Blossom

Melhor Montagem

O Artista (Anne-Sophie Bion e Michel Hazanavicius)
The Descendants (Kevin Tent)
Millenium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres (Kirk Baxter e Angus Wall)
A Invenção de Hugo Cabret (Thelma Schoonmaker)
O Homem que Mudou o Jogo (Christopher Tellefsen)

Direção de Arte

O Artista (Production Design: Laurence Bennett; Set Decoration: Robert Gould)
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte II (Production Design: Stuart Craig; Set Decoration: Stephenie McMillan)
A Invenção de Hugo Cabret (Production Design: Dante Ferretti; Set Decoration: Francesca Lo Schiavo)
Meia-noite em Paris (Production Design: Anne Seibel; Set Decoration: Hélène Dubreuil)
Cavalo de Guerra (Production Design: Rick Carter; Set Decoration: Lee Sandales)

Melhor Fotografia

O Artista (Guillaume Schiffman)
Millenium – Os Homens que não Amavam as Mulheres (Jeff Cronenweth)
A Invenção de Hugo Cabret (Robert Richardson)
A Árvore da Vida (Emmanuel Lubezki)
Cavalo de Guerra (Janusz Kaminski)

Melhor Figurino

Anônimo (Lisy Christl)
O Artista (Mark Bridges)
A Invenção de Hugo Cabret (Sandy Powell)
Jane Eyre (Michael O'Connor)
W.E. - O Romance do Século (Arianne Phillips)










segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Termômetro para o Oscar

A premiação do Sindicato dos Produtores, real termômetro do Oscar apesar de muitos darem um valor exagerado ao Globo de Ouro, divulgou os indicados a Melhor Filme [veja os filmes aqui]. Da lista é possível pegar algumas pistas para as possíveis indicações da Academia e começar o jogo de “chutologia” que é prever o Oscar.

As estatísticas dos últimos dez anos indicam que cerca de 80% dos indicados à premiação do Producers Guild of America (PGA), o Sindicato dos Produtores, também são lembrados no Oscar. Quando os membros da Academia indicavam cinco longas à Melhor Filme, três deles geralmente já haviam sido lembrados no PGA. No formato de dez filmes indicados, estilo adotado nas duas últimas premiações, oito filmes tinham passado pela lista do PGA.

A “chutologia” para o Oscar deste ano, porém, está mais complicada. Dada as novas regras, a categoria Melhor Filme pode ter entre cinco e dez indicados, dependendo da quantidade de produções que atingiram o coeficiente mínimo de 5% como primeira escolha, na lista de dez das células de votação, dos votantes[leia esta matéria da CBS News e as regras no site da Academia para entender o quiprocó].

Sabemos também que quase nunca a lista da Academia traz ficções científicas, filmes de aventura ou escrachadas. Isso já me leva a prever que Missão Madrinha de Casamento (Bridesmaids), um dos dez do Sindicato dos Produtores, não será indicado ao Oscar. Tenho dúvidas se Meia-noite em Paris (Midnight in Paris), um Woody Allen que voltou a me alegrar, vai permanecer na lista da Academia.

Pela força que Spielberg tem, pelo menos um de seus filmes irá à categoria principal. Presumo que será adotada a escolha mais segura: Cavalo de Guerra (War Horse) em Melhor Filme, As Aventuras de Tim Tim (The Adventures of Tintin) em Melhor Animação.

Jean Dujardiin e Bérénice Bejo em cena de The Artist.

Dos dez indicados do PGA, e assumindo que o Oscar repetirá a quantidade de indicados, os candidatos fortíssimos são The Artist, Histórias Cruzadas (The Help), Hugo, O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball) e Cavalo de Guerra. Não tenho certeza quanto a Tudo Pelo Poder (The Ides of March), Os Descendentes (The Descendants) e Millenium – O Homem que Não Amavam as Mulheres (The Girl with the Dragon Tatoo).

Outros correm por fora, casos de Young Adult, de Jason Reitman (Amor sem Escalas) e o bom O Espião que Sabia Demais (Tinker Taylor Soldier Spy), de Thomas Alfredson (Deixa Ela Entrar). Já Sete Dias com Marilyn (My Week with Marilyn), Albert Nobbs e Precisamos Falar sobre Kevin (We Need to Talk About Kevin) devem ficar apenas com indicações nas categorias de atuação.

A falsa ciência da "chutologia" do Oscar terá os resultados confirmados ou confrontados em 24 de janeiro, quando serão anunciados os indicados a todas as categorias.