Mostrando postagens com marcador Trilha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Trilha. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Tiradentes2012: Jards, debate e observações

Jards Macalé no documentário Jards, de Eryk Rocha

Após da mesa de debate sobre o documentário Jards, na qual participei, como crítico convidado, ao lado de Joaquim Castro (montador), Francisco Cesar Filho (mediador), Eryk Rocha (diretor) e Jards Macalé (protagonista) na 16ª Mostra de Tiradentes, algumas pessoas me procuraram pedindo o texto que li na apresentação do debate.

Reproduzo abaixo minha fala, com pequenas alterações, tentando preservar o espírito da oralidade. Não se trata de um texto articulado como crítica de cinema, apenas uma das diversas abordagens possíveis a Jards, concentrando-a num aspecto bastante particular.

Acredito que Jards seja um filme musical para se ouvir com o olho. Uma frase dessas pode parecer clichê porque obviamente um filme se vê com o olho, mas não é. A produção recente de documentários musicais – ainda que eu não ache Jards um documentário musical, mas uma poesia cine-musical – tem se baseado basicamente em: imagens de arquivo; entrevistas; produção musical do documentado.

Entram nessa linha filmes bons e ruins: Tropicália, Uma Noite em 67, os dois filmes sobre Tom Zé, Loki – Arnaldo Batista, Raul etc.

São filmes de natureza distinta, de escopo mais amplo, enquanto Jards tem um recorte de tempo e espaço mais delimitado – a gravação de um álbum. Mas ainda acho interessante ressaltar essa ideia de que é um filme musical para se ouvir com o olho.

O olho do espectador em Jards é tão importante quanto o ouvido. Em vários momentos, fiquei tentando em fechar os olhos e deixar a música entrar pelo ouvido – porque é assim que eu escuto música em casa, janelas fechadas, na escuridão –, mas relutei porque, conforme o filme foi se desenvolvendo, percebi que meu olho precisava participar dessa cena de apreciação.

Tanto que há uma profusão, uma quantidade grande de planos no olho, quando um filme sobre música ou sobre um fazedor de música costuma se concentrar no ouvido. A gente teve outro filme bom aqui em Tiradentes, Matéria de Composição, que constrói/desconstrói o processo de composição de três músicos eruditos, com muitos planos que tomam o ouvido do personagem como seu porto seguro, seja para começar um plano ou para encerrá-lo. Em Jards, me parece que o porto seguro do plano, quando se filma o Macao cantando, é o olho.

O olho do Jards, o olho da câmera, o olho do espectador. Por ser um filme de intervalos – gravação e momentos fora do estúdio ou do passado –,  me parece haver uma preocupação em estimular o olho não apenas quando a música acontece, mas principalmente quando ela não acontece.

E a minha leitura desse estímulo visual num filme musical está ligada à possibilidade de a imagem não só ilustrar uma música, uma nota, um acorde, mas dela oferecer possibilidades de percepção da música. Essas imagens do intervalo das gravações, assim como a maneira que a câmera registra as gravações, servem não para se tornar a síntese de algo, mas para levar o espectador a um estágio tal de percepção dessa ou daquela música.

Um dos momenos que melhor ilustra isso é o mar em preto e branco que balança suavemente para lá e para cá, embalando o nosso olhar, antecedendo uma canção que é justamente de embalar, Boi da Cara Preta.

O que o filme de Eryk Rocha mostra em muitos momentos é que é possível traduzir com a imagem um estado de espírito que a música causa. Por isso que é um filme para se ouvir com o olho.

Abrindo um parênteses dentro da carreira do próprio Eryk: num filme com imagens apuradas e belas como Transeunte, seu longa anterior, tanto o acesso do personagem ao mundo quanto do espectador ao filme era pelo ouvido, pelos sons que ele, Francisco, ouvia de uma cidade que lhe parecia distante. Agora, num filme em que o som automaticamente chamaria a atenção Eryk propõe um acesso pelo olho.

Nesse acesso à música pelo olho, há um momento de rara felicidade: a primeira canção executada, Só Morto, num arranjo bastante intenso, “descontrolado”, que propõe perder-se, deixar-se levar pela ultrassensibilidade. A imagem deixa a luz estourar, a câmera cola no rosto: em vez de domar a selvageria, ela deixa correr solta. É num momento assim que a gente entende como o filme Jards dá conta pela imagem de um texto musical

Abrindo outro parênteses: o professor Roberto Bozetti classifica a produção pós-tropicalista, que é o contexto em que o Macalé explode para o Brasil, após a maluca apresentação de Gotham City em 1969, como “canção de esgar” – ou seja, canções de sentido esgarçado, de aparente incoerência, de desconforto, de grito, que se opõe à ideia de “canção de confronto”, que caracteriza a tradicional MPB de meados dos anos 60:

(…) Como se o que ali se dizia só pudesse ser dito e só devesse ser percebido em frangalhos [1]

Ao menos para mim, que ouvi e ouço a produção musical do Macao em momentos distintos, foi a primeira vez que vi uma imagem capaz de dar conta, e mais, de me fazer ver e ouvir além do que eu já tinha feito sozinho, em casa, antes de assistir a Jards.

Para encerrar, acredito que tal apreço que o filme Jards tem pela imagem, apesar de ser um filme protagonizado pela música e por um músico, cobre um buraco que pouca gente se dedicou a entender: a influência e o diálogo das artes plásticas na produção de Macalé, um músico que não pode ser visto apenas como um fazedor de música.

O documentário de Eryk Rocha não encerra isso, mas inaugura uma possibilidade de percepção e entendimento da música de Macao usando um vocabulário de estímulo do olho, não do ouvido.

[1]. Roberto Bozzetti, Uma Tipologia da Canção no Imediato Pós-tropicalismo. Revista Letras nº34. Universidade de Santa Maria.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Tiradentes2012: Matéria de Composição e a impressão humana

Matéria de Composição, de Pedro Aspahan

Matéria de Composição, o documentário de Pedro Aspahan sobre o processo criativo de três compositores para a trilha do mesmo vídeo experimental, poderia muito bem se chamar Matéria em Decomposição. Pois o trabalho é de mão dupla: enquanto cada músico escreve, compõe, ensaia e executa, o espectador do filme desconstrói, observa as partes. E se esse mesmo espectador tiver alguma acumulo de música clássica – acúmulo sensível, não necessariamente teórico –, o documentário abre uma janela para, enquanto se assiste ao filme, acessar um cardápio musical acumulado na memória e imaginar como ele foi construído por seus autores.

Por baixo do visível interesse no processo de criação, o que expande o alcance do filme é o que ele permite pensar a respeito da interpretação humana do mundo. A dinâmica do longa: Aspahan fez um curta no qual filma a destruição de uma casa. Azulejos que se quebram, concreto derrubado, muro que cai: o que antes era um todo – a casa – torna-se um acumulado de partes – portas, paredes, tijolos, fechaduras, ferrolho.

A feitura das imagens que servem de base para a criação da trilha dos compositores não é neutra porque o cinema não é neutro. Linguagem mais que consolidada, existe uma carga de sentidos nas aparentemente banais escolhas de Aspahan. Um travelling filmando uma porta entreaberta é repleto de significados, assim como a queda em câmera lenta de um muro.


Continue lendo o texto sobre Matéria de Composição na Revista Interlúdio.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Drive - Crítica


"Não carrego armas. Apenas dirigjo", diz Ryan Gosling, protagonista de Drive


Drive é um filme que permite um diálogo entre Francis Ford Coppola, Brian De Palma e Abel Ferrara. Tem-se neste que é o filme mais vigoroso e pulsante lançado (com muito atraso) no Brasil até este mês de março o trabalho de composição de O Poderoso Chefão, a violência sem volta de Scarface e o mergulho na podridão de um Vício Frenético.

Mas este filme do dinamarquês Nicolas Winding Refn que muito antes de estrear no circuito brasileiro já ganhou status de cult, seja pelas exibições no Festival do Rio ou pelos compartilhamentos e fóruns da internet, é uma fábula macabra sobre Los Angeles. E isso dá cores um pouco diferentes dos seus colegas que falaram da podridão na Flórida ou em Nova York.

Faltou chamar para o diálogo outro filme: Chinatown, de Polanski, este sim um comentário sobre as bases corruptas e o histórico de crimes e ameaças que está no solo (literalmente) de Los Angeles.



Pronto, é com esses quatro filmes que vejo Drive estabelecendo pontes – apesar de, na entrevista a amigo Paulo Gadioli publicada na Rolling Stone, o compositor Cliff Martinez afirmar que O Massacre da Serra Elétrica foi uma das referências de Winding Refn.

A produção que o dinamarquês fez nos Estados Unidos, mas que passou (injustamente) ao largo do Oscar, numa clara demonstração do “humor” da Academia e do que se pretende manter ignorado à margem, é um filme de herói violento que se parece um OVNI no panorama do que se faz hoje em termos de filmes sobre a máfia ou centrado num personagem justiceiro.




A relação com o tempo narrativo é um tanto sinfônica neste filme. “Nada acontece”. Na verdade, tudo acontece. Prepara-se o terreno e ambienta-se o espectador no que está por vir. Só que num contexto de audiências ávidas por acontecimentos e eventos, Drive é tido como um filme lento, em que muita gente vai sair falando que é “chato, mas a fotografia é linda”.

(Parênteses: não deixa de impressionar como a velocidade e o desempenho autômato tornou-se uma quimera em cada pequeno espaço das nossas vidas, inclusive no futebol. Jogadores que cadenciam e que constroem com vagar uma jogada invariavelmente ganham a pecha de “desligados” ou “atrasam o time”. Parece não haver mais tempo para um ritmo que não a da velocidade limite, seja na narrativa cinematográfica, no futebol ou até mesmo no trânsito de São Paulo, que acaba de vitimar mais um ciclista em nome da “fluidez” ditada pelo automóvel, o corpo-máquina. Fecha parênteses).




Mas Drive é mesmo um filme de herói em conflito construído com um apuro ímpar pela beleza dos planos. Porque o Driver que Ryan Gosling performa é uma espécie de John Rambo atirado num filme que glorifica uma das bases da linguagem do cinema: a relação de tempo e espaço. O herói tem de voltar, contra a própria vontade, à era da escuridão e revisitar um passado que não mais lhe interessa. Não será mais possível cumprir o que diz no começo do filme: “Eu não entro no jogo enquanto você estiver roubando. Eu não levo arma comigo. Eu dirijo”.

E como qualquer herói de um filme que não busca a conciliação, há o sacrifício. O que torna a música de encerramento dos créditos de uma precisão absurda. Diz a letra: “Real human being, and a real hero”.

Não dava para ser de outro jeito.

Textos relacionados:
Cópia restaurada de Taxi Driver reestreia em São Paulo

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Alexandre Desplat: o compositor mais quente de cinema nos EUA


Por quatro vezes o compositor francês Alexandre Desplat passou perto de abocanhar uma estatueta do Oscar como compositor. Em 2008, seu trabalho em A Rainha perdeu para Gustavo Santaloalla em Babel. Em 2009, foi um dos 13 indicados de O Curioso Caso de Benjamin Button a sair de mãos abanando – perdeu para A.R. Rahman, de Quem Quer Ser um Milionário?.

Em 2010, suas músicas para O Fantástico Sr. Raposo perderam para o carisma de Up – Altas Aventuras. Em 2011, nem a vitória de O Discurso do Rei nas quatro principais categorias ajudou a Desplat levar a sua também.

Para a edição de 2012 do Oscar, os trabalhos em A Árvore da Vida, de Terrence Malick, e Harry Potter e as Relíquias da Morte colocam o músico de 50 anos como provável indicado à premiação da Academia. “Nunca se sabe, pois o Oscar pode ser um ser um senhor cheio de humores”, brincou em entrevista ao Cineclick. Desplat está no Brasil para apresentar alguns de seus trabalhos para o cinema como regente da Jazz Sinfônica. O evento acontece no Sesc Pinheiros, em São Paulo, às 21h.

Desplat começou compondo para curtas-metragens há 26 anos, passou a ser comentado fora do meio musical a partir da primeira parceria com Jacques Audiard em Regarde les hommes tomber (1994), mas é apenas quando George Clooney o convida para Syriana – A Indústria do Petróleo que Desplat deixa de ser um homem das sombras para o público de cinema.

A matéria completa pode ser lida neste link no Cineclick – Tudo Sobre Cinema.

Ouça a um trecho da trilha de Desplat para A Árvore da Vida



Ouça L'abandon, uma das peças mais bonitas de Desplat



Ouça The Household, composição de Desplat para O Discurso do Rei

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Deleite para os ouvidos

Se a Cinemateca paulistana propõe, a partir de sexta, um mergulho nos anos 10 com uma mostra de cinema mudo composta por filmes com acompanhamento musical ao vivo, o CCBB não ficou para trás. Começa nesta terça-feira (05/08) a mostra Luz, Câmera, Música!: Cineastas Compositores. As exibições vão passar por Rio, Brasília e São Paulo.

Serão exibidos filmes de cineastas que compõem as próprias trilhas. Destaque para Tony Gatlif, Carlão Reichenbach, Emir Kusturica e Alejandro Amenabar.

Gatlif aparece com “Vengo” e “Estrangeiro Louco”. Há de se pontuar uma ausência: “Transylvânia”, último filme do diretor, traz o primor de variações musicais ciganas, centrado em uma personagem que, em viajem à Romênia, entra em descontrole interior. Uma senhora ausência.

Para compensar, outro primor. Alejandro Amenabar se destaca com “Mar Adentro”, cuja gaita de fole do galego Carlos Nuñez dá liberdade a um personagem preso à cadeira de rodas.

Carlão, fissurado por música, chega com “Alma Corsária” e “Extremos do Prazer”. Já Tom Tyker chega com “Perfume” – sim, “Corra, Lola, Corra” ficou de fora.

Dá uma olhada na programação carioca abaixo. Em Brasília, a mostra chega dia 19; em SP, dia 20:

PROGRAMAÇÃO - RIO

TERÇA, 5 DE AGOSTO

15h30 - Memórias Em Super-8. Emir Kusturica (Super-8 Stories, Alemanha / Itália, 2001) 90 min

17h30 - Morte Ao Vivo. Alejandro Amenábar (Tesis, Espanha, 1996) 125 min

19h30 - Extremos do Prazer. Carlos Reichenbach (Extremos do Prazer, Brasil, 1984) 92 min

QUARTA, 6 DE AGOSTO

15h30 – Simples Desejo. Hal Hartley (Simple Men, EUA, 1992) 137 min

17h30 – Vengo. Tony Gatlif (Vengo, França / Espanha / Alemanha / Japão, 2000) 90 min

19h30 - Timecode (Timecode, EUA, 2000) 97 min

QUINTA, 7 DE AGOSTO

15h30 - A Vida é um Milagre. Emir Kusturica (Zivot je Cudo, Sérvia & Montenegro / França, 2004) 155 min

19h – Inverno Quente. Tom Tykwer (Winterschläfer, Alemanha, 1997) 122 min

SEXTA, 8 DE AGOSTO

15h30 - Alma Corsária. Carlos Reichenbach (Alma Corsária, Brasil, 1993) 112 min

17h30 – Palestra “Música no cinema” com David Tygel, um dos principais compositores de trilha sonora no Brasil.

19h30- Mar Adentro. Alejandro Amenábar(Mar Adentro, Espanha/França/Itália , 2004) 125 min

SÁBADO, 9 DE AGOSTO

19h – Perfume. Tom Tykwer (Perfume: The Story of a Murderer, Alemanha/ França/ Espanha, 2006) 147 min

DOMINGO, 10 DE AGOSTO

16h - Morte Ao Vivo. Alejandro Amenábar (Tesis, Espanha, 1996) 125 min

19h – Timecode. Mike Figgs (Timecode, EUA, 2000) 97 min

TERÇA, 12 DE AGOSTO

15h30 - Alma Corsária. Carlos Reichenbach (Alma Corsária, Brasil, 1993) 112 min

17h30 – Vengo. Tony Gatlif (Vengo, França / Espanha / Alemanha / Japão, 2000) 90 min

QUARTA, 13 DE AGOSTO

15h30 - Flerte. Hal Hartley (Flirt, EUA / Alemanha / Japão, 1995) 85 min

17h30 - Justiça Cega. Mike Figgs (Internal Affairs, EUA, 1990) 115 min

19h30 - Mar Adentro. Alejandro Amenábar(Mar Adentro, Espanha/França/Itália , 2004) 125 min

QUINTA, 14 DE AGOSTO

15h30 - Justiça Cega. Mike Figgs (Internal Affairs, EUA, 1990) 115 min

SEXTA, 15 DE AGOSTO

15h30 - Morte Ao Vivo. Alejandro Amenábar (Tesis, Espanha, 1996) 125 min

17h30 - O Estrangeiro Louco. Tony Gatlif (Gadjo Dilo, Romênia / França, 1997) 102 min

19h30 - Inverno Quente. Tom Tykwer (Winterschläfer, Alemanha, 1997) 122 min

SÁBADO, 16 DE AGOSTO

19h - A Vida é um Milagre. Emir Kusturica (Zivot je Cudo, Sérvia & Montenegro / França, 2004) 155 min

DOMINGO, 17 DE AGOSTO

16h - Perfume. Tom Tykwer (Perfume: The Story of a Murderer, Alemanha/ França/ Espanha, 2006) 147 min

19h - Simples Desejo. Hal Hartley (Henry Fool, EUA, 1997) 137 min


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Melhor canção do Oscar quase fica de fora

Falling Slowly, música do filme irlandês Once, que ganhou a estatueta de melhor canção original, quase foi considerada inelegível pela Academia. Isso porque ela já havia sido interpretada por Glen Hansard (compositor) e Marketa Iglova (protagonistas de Once) em “Kráska v nesnázich”, do diretor checo Jan Hrebejck.

A Academia estabelece que para uma canção concorrer ela tem de ter “letra e música originais e escritas especificamente para o filme”. Mesmo tendo sido interpretada em outro filme e ser faixa do CD The Sweel Season (de Hansard e Iglova), o comitê responsável pelas nomeações da categoria considerou que compositor e diretor trabalham juntos desde 2002.

Ao blog The Carpetbagger, do reporter do The New York Times David Carr, o presidente do comitê, Charles Bernstein, declarou: “A gestação do filme foi adiada, mas o diretor John Carney e o compositor Glen Hansard tem trabalhando juntos desde 2002 quando o projeto que viria a se tornar Once foi discutido”. O presidente do comitê afirma que durante o atraso do filme (por questões de orçamento), “Hansard e sua colaboradora Marketa Irglova interpretaram a canção em alguns eventos cuja repercussão foi considerada insuficiente para alterar a elegibilidade da música”.

Sorrisos amarelos

Os músicos protagonizaram uma cena raríssima na cerimônia do Oscar. Mesmo com protocolos rígidos, o apresentador oficial da festa, Jon Stewart, chamou Iglova ao palco para que ela completasse seu discurso. No momento da entrega da estatueta, Hansard agradeceu e disse que não esperava a vitória, mas quando sua parceira estava prestes a dizer algumas palavras, o microfone foi cortado e a música se sobrepôs à sua voz. Ela saiu de cena embaraçada, mas se recompôs com o convite de Stewart para retornar ao palco.

Em tempo: Conheço uma pessoa que viu Once, o filme no qual Falling Slowly é executada. Ela teve o seguinte questionamento: “como um filme tão barato pode ser tão bom?”.