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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Oscar2013: breves comentários da premiação

Ben Affleck, que não foi indicado a Direção, segura estatueta de Melhor Filme

Como ontem passei toda a cerimônia fazendo troça do Oscar pelo Facebook, aqui vão brevíssimos comentários com um pouco de seriedade sobre a festa dos funcionários do cinema americano, que não é tão séria assim:


  • A premiação pulverizada deve ter pegado de calças curtas quem participa de bolão. Argo ganhou Roteiro Adaptado, Django Roteiro Original; As Aventuras de Pi, Direção; Lincoln, Ator, e O Lado Bom da Vida, Atriz. A vitória de Argo no Sindicato dos Produtores sinalizava a força do filme de Ben Afleck. Mas dar o Oscar a ele significaria premiar, pela segunda vez em 80 anos, como Melhor Filme uma produção que não teve seu diretor indicado. Foi o que aconteceu.



  • Foi um Oscar de questões bastante americanas por filmes como Argo, Django e Lincoln. Um sutil detalhe: ganhou o filme com traços patrióticos sobre um episódio heroico. Os outros dois, que falam de um calcanhar de Aquiles que é bastante visível na sociedade contemporânea, a escravidão e seus rastros, ficaram no posto de coadjuvante. Com o componente adicional de que Tarantino ganhou o Roteiro Original, como se “seu filme é bom, mas essa história de colocar um negro matando os brancos é um pouco demais para a nossa estabilidade”. Yes, we cannot.



  • A parceria de produção Grant Heslov e George Clooney vai dando certo. Os dois têm se especializado em “filmes de qualidade” sobre grandes temas. Casos de Boa Noite, Boa Sorte, Tudo Pelo Poder e, agora, Argo. De Heslov, porém, o que mais gosto é o longa que dirigiu, O Homem que Encarava Cabras.



  • Christoph Waltz repetiu a estatueta de Bastardos Inglórios e ganhou como Ator Coadjuvante. Problema: ele é tão protagonista quanto Jamie Foxx (discuto esse acesso condicionado de Django no centro do filme neste post aqui).



  • As Aventuras de Pi venceu Melhor Fotografia. Deveria ter ganho um sub-Oscar de Melhor Fotografia em Chroma Key. De quebra, levou Efeitos Especiais. Duas leituras possíveis: a visão equivocada que mistura alhos com bugalhos, caindo no clichê da fotografia como “algo bonito de se ver”, ou uma mensagem direta da indústria de que o caminho é o CGI, tela verde e tudo mais: quem não concordar que se dane.



  • Bastante infeliz a homenagem, durante toda a cerimônia, dos musicais da última década. Chicago é medíocre, Dreamgirls – Em Busca de um Sonho tem seus momentos. Os Miseráveis, contenedor de 2013, é um desastre. Vincente Minnelli e Jacques Demy devem ter se revirado em seus túmulos.



  • Não houve grandes gafes no segmento que homenageia os mortos do ano anterior. Surpreendentemente, Tonino Guerra, roteirista de Fellini, por quem a Academia ficou encantada no fim dos anos 1950 até meados dos 60, e Chris Marker, foram lembrados. Não houve, a menos que tenha comido bola, uma ausência na lista de alguém do quilate de Theo Angelopoulos.

  • Haneke, como era de se esperar, levou apenas o Oscar de Filme Estrangeiro, apesar das outras quatro indicações. Independente de gostar ou não do filme, ficou claro a leitura simplista de Amor nos discursos de apresentação, que salientavam apenas o que está à mão, ou seja, o amor entre dois velhos. Há, porém, o mais importante: a velha Europa que rui.


sábado, 23 de fevereiro de 2013

Oscar: o que pensa um votante da Academia

Os votos do Oscar. "Michael Haneke odeia os seres humanos", explica o votante.

Na semana que antecede a entrega do Oscar, um votante da Academia resolveu abrir a sua cédula de votação, e as justificativas dos filmes escolhidos, para um repórter do The Hollywood Reporter. Enquanto preenchia a cédula, o votante fazia comentários a respeito de suas escolhas. A cerimônia de entrega do Oscar acontece neste domingo (24/2).

Para quem observa o Oscar com olhar minimante crítico, entendendo o papel que ele tem na legitimação de um cinema -- o de Hollywood --, não há surpresa na ausência de profundidade do votante -- que abriu os votos, mas permanece anônimo. Para quem leva o Oscar a sério -- ainda existe quem? --, está na hora de rever seus conceitos.

Abaixo, algumas das justificativas do votante para escolher, ou deixar de escolher, este ou aquele filme [leia aqui no original em inglês]. Comentários que ilustram não apenas um caso individual -- a idiossincrasia de quem acha que Haneke odeia a humanidade --, mas como funciona o senso comum na cabeça de outros membros da Academia.

Melhor Roteiro Original

Amor está automaticamente desclassificado: é apenas uma mulher morrendo, não tem uma história de verdade, e o filme me fez sentir como um nada. Só consigo tolerar troca de fraldas até um certo ponto. [...]

Melhor Direção

Amor é unicamente um filme de ator. Além disso, Michael Haneke me deixou puto da vida no passado porque fez filmes que são muito misantrópico. Ele simplesmente odeia os seres humanos e, a propósito, eu sou um ser humano e não gosto que caguem em mim. [...] Além disso, Spielberg merece um Oscar a cada dez anos em respeito ao que ele faz pela indústria.

Melhor Fotografia

Voto em 007 - Skyfall porque quero ver o Roger Deakins ganhando um Oscar. Bem, eu sou um dos que sabem que foi ele que fotografou o filme, mas muitos votantes na Academia não fazem a menor ideia quem assina a fotografia porque não é explicitado na cédula de votação. Na verdade, eles não têm coragem de votar nele porque é um filme de James Bonde, tipo "Como você pode dar um Oscar a James Bond?"

Melhor Atriz

[...] Também não quero votar numa pessoa que sequer consigo pronunciar o nome. Quvez...? Quzen...? Quyzenay? Seus pais certamente a deixaram num buraco ao dar a ela aquele nome -- Alfabeto Wallis. A verdade é que sua atuação é fofa, mas imatura. Dirigi crianças, eles provavelmente fizeram milhares de takes, mas só montam os melhores. [a atriz se chama Quvenzhané Wallis e foi indicada por Indomável Sonhadora].

Melhor Direção de Arte

[...] Resta-me, então, Anna Karenina, que odiei, e Lincoln. Não votarei no Lincoln para Melhor Filme, mas tenho muito respeito pelas pessoas de Steven Spielberg e Kathleen Kennedy e eu quero ajudar o filme, então darei um voto a ele, aqui vai".

Melhor Documentário em Longa-metragem

É um bom certame, vi todos os filmes. O mais forte é The Gatekeepers, que tem chances de vencer. Todavia, para ganhar um Oscar, você geralmente tem de realizar um filme ou que faça as pessoas se sentirem maravilhosas ou que as façam querer cortar os pulsos; ou seja, que desperte a jovialidade ou a atenção para a importância do tema. Acho que Searching for Sugar Man vai ganhar e vou voltar nele porque eu me senti maravilhoso depois de assisti-lo -- e comprei o álbum de Rodriguez.

Melhor Figurino

[...] Só não quero votar em Anna Karenina, apesar de que provavelmente vencerá porque é exatamente o tipo de filme que ganha essa estatueta. Tem gente que nem viu o filme, mas irá votar nele porque ele tem aquele cheirinho de premiado.

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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Os Miseráveis, um elefante branco

Hugh Jackman em Os Miseráveis

Que desastre é esse Os Miseráveis! Não esperava grande coisa, já que não me iludo com a suposta elegância de O Discurso do Rei, o filme anterior de Tom Hooper. Só não contava com um filme com tantas decisões equivocadas, especialmente da direção.

Não entendo porque Hooper largou um estilo de direção mais acadêmico, que fez de O Discurso do Rei um filme-Mauricinho, mas ainda assim um filme, e foi se “modernizar” com câmera na mão. Até agora não compreendi porque a câmera se comporta como se empunhada por um cinegrafista da Al Jazeera que registra corpos explodindo no momento de um atentado no Oriente Médio.

Hooper não nos deixa ver o filme. Cola a câmera nos atores quase todo o tempo. Hugh Jackman, Russell Crowe, Anne Hathaway, Eddie Radmayne e seus comparsas fazem caras e bocas que parecem ter saído diretamente do curso de atuação do Mojica.

Gasta-se dinheiro com figurinos, figurantes e cenários (sejam eles físico ou CGI), mas são raros os planos gerais. Não há respiro e os planos se sucedem com velocidade voraz, dando a impressão que, apesar de durar quase três horas, o filme tem pressa em acontecer.

No terço final, Os Miseráveis já não sabe mais o que fazer com o que contou até então. Passa um tempo monstruoso delineando o jogo de gato e rato de Jean Valjean e Javert, mas joga tudo para o alto e decide ser um romance. Lembra-se, mais tarde, que existe o conflito entre os dois, então gasta minutos numa cena com Crowe e seu dilema (câmera subjetiva do rosto olhando para o pé no parapeito é brincadeira!).

Para incrementar, um pequeno detalhe: Os Miseráveis é um musical em que a maioria do elenco principal canta apenas o suficiente para tapear. Uma coisa é dar conta de algumas cenas num filme breve. Outra é segurar números longos num filme arrastado e repetindo o mesmo registro vocal dos outros atores. Resultado: Rusell Crowe.

Quando as cenas razoáveis aparecem – as participações de Sacha Baron Cohen e Helena Bonham Carter, por exemplo – a minha tolerância já tinha se esgotado. Quando o martírio findou e o filme acabou, não segurei: soltei uma gargalhada acumulada após tantos momentos embaraçosos no filme.

Umas três senhoras na minha frente olharam torto, acho que não gostaram da minha reação. Vai ver elas tinham acabado de assistir a um grande filme, eu é que estou cego.

Mojica e seu curso de interpretação, inspiração para os atores de Os Miseráveis

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Oscar 2013 - Indicados

Emmanuelle Riva e Jean-Lois Trintignant em Amor, de Michael Haneke

Abaixo a lista parcial dos indicados ao Oscar 2013 nas principais categorias. A relação completa de todas as indicações pode ser encontrada no site da Academia [clique aqui e acesse].


Filme

Indomável Sonhadora (Beasts of the Southern Wild)
O Lado Bom da Vida
A Hora mais Escura
Lincoln
Les misérables
As Aventuras de Pi
Amor
Django Livre
Argo

Direção

David O Russell, por O Lado bom da Vida
Ang Lee, por As Aventuras de Pi
Steven Spielberg, por Lincoln
Michael Haneke, por Amor
Benh Zeitlin, por Indomável Sonhadora (Beasts of the Wouthern Wild)

Ator

Daniel Day-Lewis, por Lincoln
Denzel Washington, por Flight
Hugh Jackman, por Les Misérables
Bradley Cooper, por O Lado Bom da Vida
Joaquim Phoenix, por The Master

Atriz

Naomi Watts, por O Impossível
Jessica Chastain, A Hora mais Escura
Jennifer Lawrence, por O Lado Bom da Vida
Emmanuelle Riva, por Amor
Quvenzhané Wallis, por Indomável Sonhadora

Ator Coadjuvante

Christoph Waltz, por Django Livre
Philip Seymour Hoffman, por The Master
Robert D Niro, por O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook)
Alan Arkin, por Argo
Tommy Lee Jones, por Lincoln

Atriz Coadjuvante

Sally Field, por Lincoln
Anne Hathaway, por Les Misérables
Hellen Hunt, por The Sessions
Amy Adams, por The Master
Jacki Weaver, por O Lado Bom da Vida

Roteiro Adaptado

Indomável Sonhadora
Argo
Lincoln
O Lado Bom da Vida
As Aventuras de Pi

Roteiro Original

Amor
A Hora mais Escura
Django Livre
Flight
Moonrise Kingdom


Filme em Língua Estrangeira

Amour, de Michael Haneke (Áustria)
No, de Pablo Larraín (Chile)
Rebelle, de Kim Nguyen (Canadá)
O Amante da Rainha, de Nicolaj Arcel (Dinamarca)
Kon-Tiki, de Joachim Rønning e Espen Sandberg (Noruega)


Canção Original

Before My Time (Chasing Ice)
Pi's Lullaby (As Aventuras de PI)
Suddenly (Les Misérables)
Everybody needs a best friend (Ted)
Skyfall (007 Skyfall)

Animação – longa-metragem

Frankenweenie, de Tim Burton
The Pirates! Band of Misfits, de Peter Lord
Wreck-It Ralph, de Rich Moore
ParaNorman, de Sam Fell e Chris Butler
Brave, de Mark Andrews e Brenda Chapman


segunda-feira, 5 de março de 2012

Drive - Crítica


"Não carrego armas. Apenas dirigjo", diz Ryan Gosling, protagonista de Drive


Drive é um filme que permite um diálogo entre Francis Ford Coppola, Brian De Palma e Abel Ferrara. Tem-se neste que é o filme mais vigoroso e pulsante lançado (com muito atraso) no Brasil até este mês de março o trabalho de composição de O Poderoso Chefão, a violência sem volta de Scarface e o mergulho na podridão de um Vício Frenético.

Mas este filme do dinamarquês Nicolas Winding Refn que muito antes de estrear no circuito brasileiro já ganhou status de cult, seja pelas exibições no Festival do Rio ou pelos compartilhamentos e fóruns da internet, é uma fábula macabra sobre Los Angeles. E isso dá cores um pouco diferentes dos seus colegas que falaram da podridão na Flórida ou em Nova York.

Faltou chamar para o diálogo outro filme: Chinatown, de Polanski, este sim um comentário sobre as bases corruptas e o histórico de crimes e ameaças que está no solo (literalmente) de Los Angeles.



Pronto, é com esses quatro filmes que vejo Drive estabelecendo pontes – apesar de, na entrevista a amigo Paulo Gadioli publicada na Rolling Stone, o compositor Cliff Martinez afirmar que O Massacre da Serra Elétrica foi uma das referências de Winding Refn.

A produção que o dinamarquês fez nos Estados Unidos, mas que passou (injustamente) ao largo do Oscar, numa clara demonstração do “humor” da Academia e do que se pretende manter ignorado à margem, é um filme de herói violento que se parece um OVNI no panorama do que se faz hoje em termos de filmes sobre a máfia ou centrado num personagem justiceiro.




A relação com o tempo narrativo é um tanto sinfônica neste filme. “Nada acontece”. Na verdade, tudo acontece. Prepara-se o terreno e ambienta-se o espectador no que está por vir. Só que num contexto de audiências ávidas por acontecimentos e eventos, Drive é tido como um filme lento, em que muita gente vai sair falando que é “chato, mas a fotografia é linda”.

(Parênteses: não deixa de impressionar como a velocidade e o desempenho autômato tornou-se uma quimera em cada pequeno espaço das nossas vidas, inclusive no futebol. Jogadores que cadenciam e que constroem com vagar uma jogada invariavelmente ganham a pecha de “desligados” ou “atrasam o time”. Parece não haver mais tempo para um ritmo que não a da velocidade limite, seja na narrativa cinematográfica, no futebol ou até mesmo no trânsito de São Paulo, que acaba de vitimar mais um ciclista em nome da “fluidez” ditada pelo automóvel, o corpo-máquina. Fecha parênteses).




Mas Drive é mesmo um filme de herói em conflito construído com um apuro ímpar pela beleza dos planos. Porque o Driver que Ryan Gosling performa é uma espécie de John Rambo atirado num filme que glorifica uma das bases da linguagem do cinema: a relação de tempo e espaço. O herói tem de voltar, contra a própria vontade, à era da escuridão e revisitar um passado que não mais lhe interessa. Não será mais possível cumprir o que diz no começo do filme: “Eu não entro no jogo enquanto você estiver roubando. Eu não levo arma comigo. Eu dirijo”.

E como qualquer herói de um filme que não busca a conciliação, há o sacrifício. O que torna a música de encerramento dos créditos de uma precisão absurda. Diz a letra: “Real human being, and a real hero”.

Não dava para ser de outro jeito.

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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Análise do Oscar: O Artista leva 5 estatuetas e reforça poder de Weinstein

O Artista dominou principais categorias do Oscar


As cinco estatuetas que O Artista ganhou no 84º Oscar em 2012, incluindo Melhor Filme e Direção [veja todos os vencedores], mostram que Harvey Weinstein, o cara que colocou Cidade de Deus sob os holofotes do Oscar, é de novo o rei do pedaço.

Afinal, em tempos de franquias, filmes de super-heróis genéricos e orçamentos astronômicos, não é fácil tornar um filme em preto-e-branco (e mudo) no filme-que-todo-mundo-está-comentando.

Num ano em que os longas favoritos – o de Hazanavicius e o de Scorsese – falaram sobre cinema, os membros preferiram o que ficou mais na superfície. Com isso, A Invenção de Hugo Cabret reinou nas categorias técnicas, mas passou ao largo das mais visadas.

Entre a comédia romântica muda francesa que imita e celebra a Hollywood dos anos 1920 e 30 e o filme para toda a família que fala de memória cinematográfica e preservação de arquivos, ganhou o primeiro. Em todo o caso, fosse a estatueta de Melhor Filme para O Artista ou para A Invenção de Hugo Cabret, este ano foi uma temporada de produções superestimadas.

Mas é melhor nem reclamar por um filme apenas satisfatório ter ganho o Oscar. Se dermos uma olhada quem saiu vencedor nos anos 2000, vamos encontrar Chicago, O Discurso do Rei ou até mesmo Quem Quer Ser Um Milionário?. Ao menos a existência de O Artista me parece mais interessante por dialogar com o cinema e quebrar o ciclo de lixo tecnológico que invadem as salas semanalmente.


A Invenção de Hugo Cabret, outra homenagem ao cinema, levou cinco estatuetas

No meio dos prêmios entregues nas quase três horas de cerimônia, alguns fatos que quebraram a monotonia. Meryl Streep ganhou sua terceira estatueta após 29 anos, desta vez pelo mediano A Dama de Ferro. Teve também um Oscar de Roteiro Original para Woody Allen que, como de praxe, nem apareceu no Kodak Theater. Woody não ganhava um Oscar de Roteiro desde Hanna e suas Irmãs (1987).

Outra estatueta marcante como fato histórico foi a de Atriz Coadjuvante para Octavia Spencer, apenas a oitava ator/atriz negra a ganhar o prêmio da Academia. Mais um para a lista de fatos: Christopher Plummer, ganhador do Oscar de Ator Coadjuvante por Toda Forma de Amor, é o mais velho a levar uma estatueta (82 anos).

A grande gafe da morna cerimônia foi sem dúvida o tradicional vídeo que a Academia faz para homenagear os profissionais que morreram no último ano. Assim como nos anos anteriores, muita gente ficou de fora. O pior em 2012 é que gênios foram esquecidos, especialmente Theo Angelopoulos (A Poeira do Tempo) e Raul Ruiz (Mistérios de Lisboa). Esqueceram-se até de Maria Schneider, a atriz da cena da manteiga em O Último Tango em Paris.

Não se esqueceram, porém, de Whitney Houston ou de Steve Jobs.

A cerimônia teve também um plano no avantajado bumbum de Jennifer Lopez e no não tão dotado de Cameron Diaz, além de as pernas de Angelina Jolie terem ficado de fora por conta de seu ousado vestido. O Oscar fez uma nova tentativa em se tornar mais descontraída – steadicam acompanhando Robert Downey Jr. no palco, o mestre de cerimônias Billy Cristal se misturando na plateia, apresentadores com mais espaço para brincar – e discursos muito, mas muito curtos, felizmente.

A sensação deste Oscar 2012 é que a Academia se parece cada vez mais com os produtores mais velhos dos anos 1960 que, face às mudanças do mundo e do próprio cinema, chutava para todo lado no afã de recuperar público e entender o que o jovem queria ver nas telonas.

A ver no que isso vai dar.

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OSCAR 2012: O Artista é o Melhor Filme; veja todos vencedores

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O Artista ganhou o Oscar de Melhor Filme na cerimônia realizada na noite deste domingo (26/2). O longa-metragem que homenageia o cinema de Hollwyood dos anos 1920 e 30 foi o campeão de estatuetas da noite (cinco).

A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese, outro favorito da noite, levou também cinco estatuetas, mas concentradas em categorias menos visadas.


Confira todos os vencedores da 84ª cerimônia do Oscar:

Melhor Filme
O Artista

Melhor Diretor
Michel Hazanivicius, de O Artista

Melhor Ator
Jean Dujardim, de O Artista

Melhor Atriz
Meryl Streep, de A Dama de Ferro

Melhor Ator Coadjuvante
Christopher Plummer, de Toda Forma de Amor

Melhor Atriz Coadjuvante
Octavia Spencer, de Histórias Cruzadas

Melhor Filme em Língua Estrangeira
A Separação, de Asghar Farhadi

Melhor Roteiro Original
Woody Allen, Meia-noite em Paris

Melhor Roteiro Adaptado
Alexander Payne, Nat Paxon, Jim Rash, de Os Descendentes

Melhor Animação
Rango, de Gore Verbinski

Melhor Fotografia
Robert Richardson, de A Invenção de Hugo Cabret

Melhor Trilha Sonora
Ludovic Bource, de O Artista

Melhor Música
Bret Mckenzie (Man or Muppets), de Os Muppets

Melhor Montagem
Kirk Baxter e Angus Wall, de Millenium – O Homem que Não Amava as Mulheres

Direção de Arte
Laurence Bennett e Robert Gould de A Invenção de Hugo Cabret

Melhor Documentário
Undefeated, de Daniel Lindsay e T.J. Martin

Melhor Efeitos Visuais
Rob Legato, Josh Williams, Ben Grossman e Alex Henning de A Invenção de Hugo Cabret

Melhor Edição de Som
Philip Stockton e Engene Gearty, de A Invenção de Hugo Cabret

Melhor Mixagem
Tom Fleischman e John Midgley, de A Invenção de Hugo Cabret

Melhor Figurino
Mark Bridges, de O Artista

Melhor Maquiagem
Mark Coulier e J. Roy Helland, de A Dama de Ferro

Melhor Curta-metragem – Ficção
The Shore, de Terry George

Melhor Curta-metragem – Documentário
Saving Face, de Daniel Junge e Sharmeen Obaid Chinoy

Melhor Curta-metragem – Animação
The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A Invenção de Hugo Cabret: breves comentários

Scorsese participando de cena de A Invenção de Hugo Cabret, favorito ao Oscar


A cerimônia de premiação do Oscar acontece na noite deste domingo (26/2). Para mim só existe um grande filme na lista de indicados e este é A Árvore da Vida (já vejo algumas caras emburradas para essa afirmação). Existem filmes bons, e aí entra A Invenção de Hugo Cabret. É uma produção encantadora, sem dúvidas, e apaixonante por articular comentários sobre o próprio cinema. Melhor: esse filme de Scorsese é um parque de diversão cinéfilo. Mas não é um grande filme.




Scorsese é realmente um cara que faz um bem danado ao cinema. Conseguir colocar num filme caríssimo como Hugo os filmes de George Méliès feito no comecinho do século 20 é para poucos.




No afã de criar diálogos entre os filmes, temos dito que tanto Scorsese quanto O Artista são filmes nostálgicos e que falam do cinema. Espera aí, Pedro Bó, pois existe uma diferença crucial. Cinéfilo até o último fio de cabelo e sempre se posicionando na História do Cinema, Scorsese faz um filme sobre cinema, enquanto Hazanavicius fala de Hollywood. A maneira em que Hugo dialoga com outros filmes (como Safety Last!, a cena que Harrol Lloyd se pendura no relógio) é bem mais interessante.




Ambos os filmes flertam com convenções narrativas na esperança de conectar-se com um grande público (O Artista na história de amor, Hugo com a aventura infantil). A diferença (e daí vem o maior encantamento que um deles provoca) é que Hazanavicius abandona a conversa com o cinema para se tornar uma mera comédia romântica em preto e branco, enquanto Scorsese vai e volta, resistindo para instigar o espectador a descobrir o cinema.



Hugo custou US$ 150 milhões, mesma faixa de outros filmes cheio de efeitos visuais como Velozes e Furiosos 5 (US$ 125 milhões), Missão Impossível: Protocolo Fantasma (US$ 145 milhões) e Thor. Ao contrário desses blockbusters, o filme de Scorsese não chegou nem perto de arrecadar nos EUA o valor de seu orçamento. Isso não é surpresa alguma: Hugo é primeiramente um filme sobre um cinema pouco conhecido (o mudo em sua primeiríssima fase). Quem vai buscando uma grande aventura irá se decepcionar – apesar de ela estar lá, no filme, mas não é o que mais encanta.





O uso do 3D não como ferramenta tecnológica, mas sim como elemento narrativo, faz os outros filmes feitos ou convertidos para o formato parecerem brincadeira de criança. Conseguiu ser até melhor do que a viagem sensorial de Werner Herzog em Caverna dos Sonhos Esquecidos.





Na tentativa de dar conta do que é esse filme de Scorsese, existe uma frase especial: “é por vezes desconjuntado, inflado, no limite perigoso da prostituição hollywoodiana, mas sempre apaixonado”. O autor é o crítico Sérgio Alpendre, editor da Revista Interlúdio. João Nunes, crítico do Correio Popular, também coloca uma questão muito interessante: "Estará o espectador atual, repleto de informações tecnológicas interessado em saber como se fazia cinema mudo e, no caso de Méliès, cinema de fantasia no longínquo final de século 19?"

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Brad Pitt na Revista ESPN: O Homem que Mudou o Jogo

 Na edição deste mês da Revista ESPN, que chegou às bancas no dia 10 e traz na capa a saltadora Maurren Maggi, há uma reportagem deste escriba sobre o O Homem que Mudou o Jogo, filme com Brad Pitt que concorre a seis Oscar. Peço licença para fazer um auto jabá.

Na reportagem, conto um pouco da saga de concretizar um projeto com dificuldades potenciais de circular para fora dos Estados Unidos. Em 2009, quando Steven Soderbergh estava pronto para rodar, a Sony cancelou o filme por discordar, principalmente, das alterações feitas pelo diretor no roteiro.

Especialmente a persistência de Brad Pitt e a nova pegada no roteiro que Aaron Sorkin deu (lembremos: foi ele quem imprimiu um caráter mais universal pan-Facebook ao premiado A Rede Social) fizeram o projeto renascer. Inicialmente um filme que poderia ser apreciado por fãs de baseball, O Homem que Mudou o Jogo tornou-se um longa com maior diálogo.

Para refrescar a memória: a história é baseada no livro Moneyball: The Art of Winning an Unfair Game, publicado há onze anos. A obra de Michael Lewis conta como um time de médio porte, o Oakland Athletics, tornou-se competitivo e bateu de frente ao multimilionário New York Yankees usando análise estatística. Observados de uma forma diferente, os números, que são uma entidade idolatrada pelo baseball, revelaram aspectos desconhecidos do jogo. Iniciou-se ali uma revolução cujos efeitos persistem até hoje.

Para ajudar a traduzir para um leitor leigo as mudanças técnicas, a matéria conta com a simpatia, a atenção e o profundo conhecimento de Jeff Passan, principal colunista de baseball no Yahoo Sports, e de Brad Zellar, jornalista que por muito tempo cobriu os bastidores de outra franquia parecida com a do Oakland, o Minnesota Twins.

Convido, assim, os leitores a dar uma conferida nas bancas na edição deste mês da Revista ESPN. Boa leitura!


domingo, 12 de fevereiro de 2012

O Artista - Crítica

O Artista foi indicado a dez categorias do Oscar

É praticamente impossível não notar que a mera existência de O Artista é, por si só, um caso a se estudar, o que seria um exercício quiçá até mais interessante do que o próprio filme. Como um longa rodado em preto e branco, mudo, com roteiro embalado apenas por trilha sonora, filmado numa janela em desuso (1.37:1, o formato de tela quadrado) e repleto de citações a outros filmes se infiltra na indústria, e mais, recebe dez indicações ao Oscar?

Em tempos em que pedir para o espectador contemplar uma imagem tornou-se um ato de resistência dos cineastas – e um exercício dolorido para um espectador educado pela televisão –, como um filme mudo vira o hit da temporada de premiações e consegue chegar até a espectadores que não cultivam a cinefilia com ardor, apresentando-se como o-filme-que-você-precisa-ver-porque-todo-mundo-está-comentando?

Continue lendo a crítica na Revista Interlúdio.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Os Descendentes - Crítica

George Clooney foi indicado ao Oscar de Melhor Ator e já venceu o Globo de Ouro


Estamos numa temporada superestimada dos filmes concorrentes ao Oscar. Os Descendentes chega às vésperas da premiação como um dos favoritos ao lado de O Artista. Dois filmes bons, mas que nem de perto sustentam o status de grande obras ao qual foram elevados desde que começaram as premiações nos Estados Unidos.

Os Descendentes entra naquele que praticamente se tornou um subgênero: o filme independente norte-americano dos anos 2000. Assim como seus pares, tem uma história de aprendizagem dos personagens, carisma, música contagiante, algumas discretas lacunas para o espectador preencher, boas atuações (com destaque para coadjuvantes que crescem ao longo do filme), enredo universal e direção eficiente – mas que não complica muito a vida de quem assiste.

Continue lendo a crítica na Revista Interlúdio.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Histórias Cruzadas - Crítica

Histórias Cruzadas/The Help foi indicado a quatro categorias do Oscar

Histórias Cruzadas mostra que é possível flertar com o feel good movie sem descer a um nível humilhante de manipulação como Um Sonho Possível. Com um elenco feminino afinado e potente, a protagonista Viola Davis merece não só uma estatueta, mas um agradecimento da Academia por engrandecer o trabalho das atrizes.

Seria mais justo com o filme de Tate Taylor afastá-lo do gênero água com açúcar e colocá-lo mais próximo das intenções A Cor Púrpura, épico que Steven Spielberg fez em 1985 para contar a saga de uma família negra no sul dos Estados Unidos.

Continue lendo a crítica no Cineclick.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Oscar 2012: veja lista dos indicados ao prêmio da Academia

Algumas surpresas na lista do Oscar
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou na manhã desta terça-feira (24/1) os indicados ao Oscar de 2012. A lista completa segue abaixo. A análise com as surpresas, injustiças e escolhas precisas pode ser conferida neste link no Cineclick. Alguns breves comentários:

- Na categoria Melhor Filme, a Academia indicou nove filmes, sendo sete já incluídos na premiação do Sindicato dos Produtores (PGA). Entraram A Árvore da Vida e Tão Forte, Tão Perto -- saiu Missão Madrinha de Casamento.

- Já em Melhor Ator, duas surpresas: Nick Nolte e Max von Sydow.

- No roteiro, ótima surpresa: Asghar Farhadi, de A Separação [leia a crítica] foi um dos cinco indicados. Por outro lado, Missão Madrinha de Casamento também foi indicado. Que coisa...

- Na direção, David Fincher foi ignorado, assim como em Melhor Filme, já que Millenium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres ficou fora.

- Na categoria Melhor Atriz, que parecia ser a mais fechada e com menos surpresas, teve uma troca significativa: saiu Tilda Swinton, de Precisamos Falar sobre Kevin, e entrou Rooney Mara, de Millenium.

- Fato raro: um ano sem nenhum filme da Pixar indicado a Melhor Animação. Rio, de Carlos Saldanha, não entrou.

- Na Trilha Sonora, John Williams abocanhou duas indicações por Cavalo de Guerra e As Aventuras de Timtim. Se ele espirrar, a Academia vai indicá-lo. Mas o genial Alexandre Desplat, candidato por A Árvore da Vida, Carnage e Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte II, passou longe. É...

- Em filme estrangeiro, o belga Bullhead foi indicado. Piada, né? Filme fraquíssimo.

- Apenas duas canções originais foram indicadas. Regras da Academia de elegibilidade, coeficiente etc (entenda aqui no artigo IV, Voting)

Melhor Filme

Cavalo de Guerra (War Horse)
O Artista (The Artist)
O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball)
Os Descendentes (The Descendants)
A Árvore da Vida (The Tree of Life)
Meia-noite em Paris (Midnight in Paris)
Histórias Cruzadas (The Help)
A Invenção de Hugo Cabret (Hugo)
Tão Forte, Tão Perto (Extremely Loud & Incredibly Close)

Atriz Coadjuvante

Bérénice Bejo (O Artista)
Jessica Chastain (Histórias Cruzadas)
Melissa McCarthy (Missão Madrinha de Casamento)
Janet McTeer (Albert Nobbs)
Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)

Ator Coadjuvante

Kenneth Branagh (Sete Dias com Marylin)
Jonah Hill (O Homem que Mudou o Jogo)
Nick Nolte (Warrior)
Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)
Max von Sydow (Tão Forte, Tão Perto)

Melhor Atriz

Glenn Close (Albert Nobbs)
Rooney Mara (Millenium - O Homem que Não Amava as Mulheres)
Viola Davis (Histórias Cruzadas)
Meryl Streep (Dama de Ferro)
Michelle Williams (Sete Dias com Marylin)

Melhor Ator

Demian Bichir (A Better Life)
George Clooney (Os Descendentes)
Jean Dujardin (O Artista)
Gary Oldman (O Espião que Sabia Demais)
Brad Pitt (O Homem que Mudou o Jogo)

Melhor Direção

Michel Hazanivicus (O Artista)
Alexander Payne (Os Descendentes)
Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret)
Woody Allen (Meia-noite em Paris)
Terrence Malick (A Árvore da Vida)

Melhor Roteiro Original

The Artist
Bridesmaids
Midnight in Paris
Margin Call
A Separation

Melhor Roteiro Adaptado

The Descendants
Hugo
The Ides of March
The Girl With the Dragon Tattoo
Tinker Tailor Soldier Spy

Melhor Filme em Língua Estrangeira

Bullhead
Footnote
In Darkness
Monsier Lazhar
In Separation

Melhor Animação

A Cat in Paris
Chico & Rita
Kung Fu Panda 2
Puss in Boots
Rango

Melhor Curta-metragem em Animação

 Dimanche/Sunday, de Patrick Doyon
The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore, de William Joyce and Brandon Oldenburg
La Luna, de Enrico Casarosa
A Morning Stroll, de Grant Orchard and Sue Goffe
Wild Life, de Amanda Forbis e Wendy Tilby

Melhor Curta-metragem

Pentecost, de Peter McDonald and Eimear O'Kane
Raju, de Max Zähle and Stefan Gieren
The Shore, de Terry George and Oorlagh George
Time Freak, de Andrew Bowler and Gigi Causey
Tuba Atlantic, de Hallvar Witzø

Melhor Trilha Sonora

As Aventuras de Timtim (John Williams)
O Artista (Ludovic Bource)
A Invenção de Hugo Cabret (Howard Shore)
O Espião que Sabia Demais (Alberto Iglesias)
Cavalo de Guerras (John Williams)

Melhor Canção Original

Man or Muppet, de Os Muppets (Música e letra de Bret McKenzie)
Real in Rio, de Rio (Música de Sergio Mendes e Carlinhos Brown, letra Siedah Garrett)

Edição de Som

Drive (Lon Bender e Victor Ray Ennis)
Millenium – Os Homens Homens que Não Amavam as Mulheres (Ren Klyce)
Hugo (Philip Stockton e Eugene Gearty)
Transformers: O Lado Oculto da Lua (Ethan Van der Ryn e Erik Aadahl)
Cavalo de Guerra (Richard Hymns and Gary Rydstrom)

Mixagem

Millenium – Os Homens que Amavam as Mulheres (David Parker, Michael Semanick, Ren Klyce e Bo Persson)
Hugo (Tom Fleischman and John Midgley)
O Homem que Mudou o Jogo (Deb Adair, Ron Bochar, Dave Giammarco e Ed Novick)
Transformers: O Lado Oculto da Lua (Greg P. Russell, Gary Summers, Jeffrey J. Haboush e Peter J. Devlin)
Cavalo de Guerra (Gary Rydstrom, Andy Nelson, Tom Johnson e Stuart Wilson)

Efeitos Visuais

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte II (Tim Burke, David Vickery, Greg Butler and John Richardson)
A Invenção de Hugo Cabret (Rob Legato, Joss Williams, Ben Grossman e Alex Henning)
Gigantes de Aço (Erik Nash, John Rosengrant, Dan Taylor e Swen Gillberg)
Planeta dos Macacos: A Origem (Joe Letteri, Dan Lemmon, R. Christopher White e Daniel Barrett)
Transformers: O Lado Oculto da Lua (Scott Farrar, Scott Benza, Matthew Butler e John Frazier)

Melhor Maquiagem

Albert Nobbs (Martial Corneville, Lynn Johnston e Matthew W. Mungle)
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte II (Edouard F. Henriques, Gregory Funk e Yolanda Toussieng)
A Dama de Ferro (Mark Coulier e J. Roy Helland)

Melhor Documentário

Hell and Back Again
If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front
Paradise Lost 3: Purgatory
Pina
Undefeated

Melhor Documentário em Curta-metragem

The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement
God Is the Bigger Elvis
Incident in New Baghdad
Saving Face
The Tsunami and the Cherry Blossom

Melhor Montagem

O Artista (Anne-Sophie Bion e Michel Hazanavicius)
The Descendants (Kevin Tent)
Millenium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres (Kirk Baxter e Angus Wall)
A Invenção de Hugo Cabret (Thelma Schoonmaker)
O Homem que Mudou o Jogo (Christopher Tellefsen)

Direção de Arte

O Artista (Production Design: Laurence Bennett; Set Decoration: Robert Gould)
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte II (Production Design: Stuart Craig; Set Decoration: Stephenie McMillan)
A Invenção de Hugo Cabret (Production Design: Dante Ferretti; Set Decoration: Francesca Lo Schiavo)
Meia-noite em Paris (Production Design: Anne Seibel; Set Decoration: Hélène Dubreuil)
Cavalo de Guerra (Production Design: Rick Carter; Set Decoration: Lee Sandales)

Melhor Fotografia

O Artista (Guillaume Schiffman)
Millenium – Os Homens que não Amavam as Mulheres (Jeff Cronenweth)
A Invenção de Hugo Cabret (Robert Richardson)
A Árvore da Vida (Emmanuel Lubezki)
Cavalo de Guerra (Janusz Kaminski)

Melhor Figurino

Anônimo (Lisy Christl)
O Artista (Mark Bridges)
A Invenção de Hugo Cabret (Sandy Powell)
Jane Eyre (Michael O'Connor)
W.E. - O Romance do Século (Arianne Phillips)










quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Clint Eastwood e Dustin Lance Black tiram J. Edgar do armário

Leonardo DiCaprio deve ser indicado ao Oscar


Há muito o que dizer sobre J. Edgar, o filme que Clint Eastwood fez sobre John Edgar Hoover, o inventor do FBI em 1935, personagem mítico da cultura norte-americana. Profundamente conservador, entre 1924 e 1972 dividiu o mundo entre o Bem (nós) e o Mal (eles, os comunistas), espionou um mundaréu de desafetos, aplicou um amplo leque de métodos ilegais.

Antes de assistir ao filme, que será lançado pela Warner Bros. no Brasil na outra sexta-feira (27/1), temia por uma abordagem coxa de suas contradições – Hoover merece tanto ser admirado quanto esculachado. Receio de que o patriotismo se sobrepusesse à complexidade de seu caráter ou que J. Edgar fosse apenas um filme de época que não permitisse diálogo algum com questões contemporâneas.

Os medos não se justificam, já que o filme decide ir a fundo e colocar em xeque o personagem, inclusive num tema polêmico: a homossexualidade de Hoover. Enquanto vivo, ameaçou quem tornasse pública sua relação com Clyde Tolson. Hoje, quase 40 anos após sua morte, sua homossexualidade é notória – mesmo que tenha ficado por debaixo do pano por tantos anos durante o reinado no FBI.

Numa das cenas mais lindas do filme, Hoover, interpretado por Leonardo DiCaprio, briga consigo mesmo de frente ao espelho. Lindo jogo de sombras. Ou em outras duas sequências de um amor desesperado e dolorido. Muito feliz a escolha de Dustin Lance Black, homossexual assumido e roteirista de Milk – A Voz da Igualdade, personagem ícone dos gays, para escrever o filme de Clint: há um desenho muito interessante da personalidade e do conflito.

Mas não dá para limitar J. Edgar à sexualidade do protagonista. O filme estabelece um diálogo aberto com o momento mais recente dos Estados Unidos, em que os fins justificaram os meios na Era Bush.

Há mais o que dizer sobre o filme de Clint. Por enquanto, fiquemos com esse breve comentário do conflito entre o sentir e o agir, o desejo e as expectativas, a dureza e a ternura, a necessidade de ordem e o fascínio por se perder.

Clint Eastwood, cuja regularidade é impressionante, fez mais um filme bom.

Em tempo: o site da Amazon.com lista ao menos 12 livros sobre J. Edgar ou escritos por ele. Com destaque para J. Edgar Hoover: The Man and the Secrets.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Termômetro para o Oscar

A premiação do Sindicato dos Produtores, real termômetro do Oscar apesar de muitos darem um valor exagerado ao Globo de Ouro, divulgou os indicados a Melhor Filme [veja os filmes aqui]. Da lista é possível pegar algumas pistas para as possíveis indicações da Academia e começar o jogo de “chutologia” que é prever o Oscar.

As estatísticas dos últimos dez anos indicam que cerca de 80% dos indicados à premiação do Producers Guild of America (PGA), o Sindicato dos Produtores, também são lembrados no Oscar. Quando os membros da Academia indicavam cinco longas à Melhor Filme, três deles geralmente já haviam sido lembrados no PGA. No formato de dez filmes indicados, estilo adotado nas duas últimas premiações, oito filmes tinham passado pela lista do PGA.

A “chutologia” para o Oscar deste ano, porém, está mais complicada. Dada as novas regras, a categoria Melhor Filme pode ter entre cinco e dez indicados, dependendo da quantidade de produções que atingiram o coeficiente mínimo de 5% como primeira escolha, na lista de dez das células de votação, dos votantes[leia esta matéria da CBS News e as regras no site da Academia para entender o quiprocó].

Sabemos também que quase nunca a lista da Academia traz ficções científicas, filmes de aventura ou escrachadas. Isso já me leva a prever que Missão Madrinha de Casamento (Bridesmaids), um dos dez do Sindicato dos Produtores, não será indicado ao Oscar. Tenho dúvidas se Meia-noite em Paris (Midnight in Paris), um Woody Allen que voltou a me alegrar, vai permanecer na lista da Academia.

Pela força que Spielberg tem, pelo menos um de seus filmes irá à categoria principal. Presumo que será adotada a escolha mais segura: Cavalo de Guerra (War Horse) em Melhor Filme, As Aventuras de Tim Tim (The Adventures of Tintin) em Melhor Animação.

Jean Dujardiin e Bérénice Bejo em cena de The Artist.

Dos dez indicados do PGA, e assumindo que o Oscar repetirá a quantidade de indicados, os candidatos fortíssimos são The Artist, Histórias Cruzadas (The Help), Hugo, O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball) e Cavalo de Guerra. Não tenho certeza quanto a Tudo Pelo Poder (The Ides of March), Os Descendentes (The Descendants) e Millenium – O Homem que Não Amavam as Mulheres (The Girl with the Dragon Tatoo).

Outros correm por fora, casos de Young Adult, de Jason Reitman (Amor sem Escalas) e o bom O Espião que Sabia Demais (Tinker Taylor Soldier Spy), de Thomas Alfredson (Deixa Ela Entrar). Já Sete Dias com Marilyn (My Week with Marilyn), Albert Nobbs e Precisamos Falar sobre Kevin (We Need to Talk About Kevin) devem ficar apenas com indicações nas categorias de atuação.

A falsa ciência da "chutologia" do Oscar terá os resultados confirmados ou confrontados em 24 de janeiro, quando serão anunciados os indicados a todas as categorias.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Brasil (provavelmente) fora do Oscar. De novo

O Ministério da Cultura divulgou ontem, terça-feira (13/9), os pré-selecionados que postulam à indicação do MinC para ser o representante brasileiro por uma vaga de Melhor Filme em Língua Estrangeira do Oscar. Apenas 15 longas-metragens se inscreveram, diz o site do Ministério.

Acho improvável que queime a língua: mais um ano sem representante tupiniquim na cerimônia da Academia. A não ser que o escolhido seja Tropa de Elite 2 que, para mim, não é o melhor da lista, mas pode ter lá suas chances por ser minimamente conhecido lá fora e por conta do diretor, José Padilha, premiado em Berlim em 2008 com o primeiro filme e que foi para Hollywood dirigir uma nova versão de Robocop.

Mas não vou investir em futurologia de Oscar, pois não tenho talento para Mãe Diná, e nem buscar tendências, já que meu know how da rotina da Academia não chega nem perto do faro de Ana Maria Bahiana, hoje blogueira do UOL. Vou me concentrar no nível da lista, independente de ser para Oscar ou para um troféu de esquina.

O nível está muito baixo. Muito. Risível. Uma pena, já que sou um crítico comprometido a refletir especialmente com o passado, presente e futuro com o cinema daqui. Dos 15 pré-selecionados, sete não se sustentam após o primeiro argumento. Vou nominá-los, em ordem alfabética: A Antropóloga, As Mães de Chico Xavier, Assalto ao Banco Central, Família Vende Tudo, Federal, Mulatas! Um Tufão nos Quadris e Quebrando o Tabu. Estes são os medonhos.

Dos restantes, cinco são medianos: em alguns momentos interessantes, mas não têm fôlego para competir com o que há (supostamente) de melhor nas cinematografias mundiais. São eles: Bruna Surfistinha, Estamos Juntos, Vips, Histórias Reais de um Mentiroso – Vips e Lope.

Sobram três. Malu de Bicicleta é bom, mas carece de grandes aspirações como cinema. É modesto, mas honesto. Digno.

Sobram Tropa de Elite 2 e Trabalhar Cansa, os quais só assisti uma vez e achei grandes filmes. Dois longas de verve diferente, mas porretas – a diferença é que o longa de Juliana Rojas e Marco Dutra não sofre do maniqueísmo do filme de Padilha.

Até semana passada, comecinho de setembro, estrearam 55 longas brasileiros que poderiam ter se inscrito no MinC. Entre setembro e dezembro de 2010, período que também tornariam elegíveis outras onze ficções, destaco apenas Meu Mundo em Perigo e O Sol do Meio Dia.

Desse bolo de 66 ficções, apenas quinze se inscreveram. Por quê? Por que os produtores de Transeunte, Natimorto, Não se Pode Viver Sem Amor, Riscado, interessantes e com algo a dizer, não entraram? Para evitar a fadiga? Qual é o resultado dessa equação que não percebo?

A coisa não está boa

No começo da redação deste artigo, pensei que a tal lista dos 15 não refletisse os filmes lançados neste ano. O problema seria dos produtores de boas ficções (fazendo esse corte já que raramente a Academia escolhe um documentário na categoria de Filme Estrangeiro) que não inscreveram seus longas.

O triste fato é que a lista dos 15 reflete, sim, o que foi feito até o momento entre as ficções. À exceção das quatro ficções já citadas que mereciam estar na lista, e de Estrada Para Ythaca, lançado pela Sessão Vitrine, não existem filmes que me provoquem alguma paixão, gana por discuti-las e ouvir opiniões contrárias.

Não existem ficções para se colocar na mesa, esta é a verdade. Com documentários, o papo é outro.

Quando olho para o escolhido da Hungria, O Cavalo de Turim, de Béla Tarr (não sou louco pelo filme, mas não dá para negar sua força como cinema e a maravilhosa encenação), fico com muita vergonha da lista. Suponho uma embaraçosa situação: para começar o dia, um membro da Academia assiste ao filme de Tarr. Em seguida, a Assalto ao Banco Central.

É ou não de doer?!

Entre esse suposto cinema de qualidade e do bom gosto como Lope e as limitações técnicas e orçamentais de Os Monstros, fico com este: não tem dinheiro, mas esbanja verdade cinematográfica.

É esta segunda linhagem de cinema brasileiro que precisa tomar dimensões maiores, contaminar o espectador, não a outra.

Por isso discordo do senso comum: o cinema brasileiro não vai de vento em popa.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O Discurso do Rei, um burocrata

Muitos filmes crescem dias depois de serem assistidos. No caso do drama histórico de Tom Hopper, tem acontecido o oposto. A cada dia que passa, o filme tem caído mais e mais. Resumindo o incômodo que ele traz: O Discurso do Rei é como fazer sexo “papai e mamãe” por dois anos interruptos. Sem gosto, novidade, aventura ou surpresa.

Dá para falar que é ruim? Claro que não, já que é tecnicamente irrepreensível, certinho. Mas todos os elementos do filme são irritantemente quadrados e previsíveis. Especialmente direção e roteiro, que deixam claro que se trata de uma história de superação com final feliz.

Apontar a caretice desse filme é uma birra com a narrativa cinematográfica clássica? Não. Pensemos no maior expoente desse estilo de cinema vivo, Clint Eastwood – do qual, infelizmente, ainda não vi Além da Vida. Mas pego dois filmes bons da safra recente, Gran Torino e A Troca.

Nestes filmes, os enquadramentos de Clint são soberbos, enquanto os de Tom Hooper são de um burocrata. Os roteiros com os quais o veteraníssimo trabalha permite idas e vindas dos personagens, subidas e descidas, felicidades e tristezas. No caso do trabalho de David Seidler, o espaço para escorregões da vida são mínimos: George VI, o gago, conhece Lionel Longue, o professor, e inicia uma jornada sempre para cima, tendo como cume a superação do protagonista.

Pensemos também na abordagem psicológica dos porquês da gagueira do futuro rei George VI. O Discurso do Rei entrega ao espectador, sem pedir muito esforço dele, as razões: criação opressora, o medo de se tornar a sombra do irmão mais velho e de admitir seu desejo de assumir o trono. É só juntar “lé” com “cré” que fica bem simples de entender a composição do gago mais famoso da Inglaterra.

Quando quer entrar na mente de um personagem e em seu espírito de superação, Clint não tem medinho de causar dor – por exemplo, Sobre Meninos e Lobos ou Menina de Ouro.

Resumindo, acho um equívoco subentender que quem aponta em O Discurso do Rei uma caretice exagerada é movido por uma premissa anti-narrativa clássica. Está aí Clint Eastwood, por exemplo, para me socorrer.

Em tempo: uma crítica mais elaborada sobre o filme de Tom Hooper, que deve,a propósito, papar o Oscar deste ano, foi escrita para o Cineclick [clique aqui].

Em tempo 2: Para o The New York Times, Manohla Dargis abre assim sua crítica: “Filmes britânicos que chegam às telas americanas nos dias de hoje geralmente se encaixam em dois estilos: a vida é miserável e a vida é doce (pegando emprestado um título do diretor Mike Leigh, que costuma oscilar entre ambos). Dada a qualidade dos protagonistas e o alto perfil comercial (ding-dong, é o Oscar chamando), não é surpresa que O Discurso do Rei, uma história camarada sobre dois personagens charmosos e agressivamente opostos – Colin Firth como o gago que se tornaria rei e Geoffrey Rush como o terapeuta do discurso –, vem com um montão de colheres de açúcar”.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Christopher Nolan de fora do Oscar (de novo)

Christopher Nolan não é um nome que a Academia leva muito em conta. Acabam de ser anunciados os indicados ao Oscar para a cerimônia de 2011 e o cineasta britânico não figura entre os cinco postulantes ao Oscar de Direção.

Vejam bem, não sou um ultra defensor de Nolan ou de A Origem. Porém, é o segundo ano em que Nolan chega com chances de indicação, mas é ignorado pela Academia. Em 2009, Batman – O Cavaleiro das Trevas foi lembrado tanto pelo PGA, o sindicato dos Produtores, quanto pelo DGA, o dos Diretores – ambos são fortes termômetros para a Academia.

Em ambas as categorias, perdeu para O Leitor – à época, justificava-se a decisão pela resistência a filmes de aventura e ação. Neste ano, A Origem segue entre os dez que brigam pelo Oscar de Melhor Filme, mas Nolan está fora da corrida pela estatueta de Direção (só conseguiu Roteiro). Entram os irmãos Coen pela refilmagem Bravura Indômita.

Na soma das indicações, O Discurso do Rei, britânico que chegou forte no Globo de Ouro, mas praticamente passou em branco (à exceção do prêmio de Melhor Ator a Colin Firth), está presente em 12 categorias. Bravura Indômita foi indicado em 10 categorias e A Rede Social em oito.

Em relação às surpresas, praticamente nenhuma novidade. Nem é possível chamar a troca Nolan-Coen de surpresa, já que os irmãos são habitué do Oscar. Para mim,a maior surpresa é a ausência de Io Sono L'Amore (Eu Sou o Amor), de Luca Guadagnino, entre Filmes em Língua Estrangeira.

Alguns pitacos pontuais:

-- É um exagero a indicação de Foras-da-Lei, do franco-argelino Rachid Bouchareb, em Filme em Língua Estrangeira. É um bom filme, mas inferior a seus trabalhos anteriores, especialmente Dias de Glória.

-- Irrita a obviedade da Academia em relação à Figurino e Direção de Arte. Na primeira, só foram indicados filmes de época ou faroestes. Sutileza zero. Uma indicação como Inverno da Alma representaria um mínimo de ousadia.

-- Falando em Inverno da Alma, fico feliz em ver um filme tão pequeno conseguindo abocanhar indicações a Filme, Atriz (Jennifer Lawrence), Ator Coadjuvante (John Hawkes) e Roteiro Adaptado.

-- Antes de saírem os indicados, apostaria de olhos fechados na estatueta de Ator para Colin Firth. Com a lembrança de Javier Bardem na categoria, o britânico ganhou um concorrente à altura.

-- Desde já, faço lobby para um prêmio a Christian Bale como Ator Coadjuvante por O Vencedor

-- A propósito do filme de David O Russell: Mark Wahlberg pagou o preço da essência de seu personagem, muito discreto em relação a Bale. Resultado: apesar de seu bom trabalho, não foi indicado.

-- Não chegamos ao fim dos tempos: O Mágico (L'Illusioniste) conseguiu resistir ao filtro e ganhou uma indicação a Melhor Animação. Pena que Toy Story 3 deve levar.

-- Por causa dos dúbios critérios de elegibilidade, o trabalho fenomenal de Carter Burwell em Bravura Indômita não foi indicado. O jeito é cruzar os dedos para o gênio francês Alexandre Desplat, que este ano entra por O Discurso do Rei.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

As distâncias de O Vencedor e O Lutador

Um dos filmes quentes da temporada pré-Oscar é o drama O Vencedor, de David O. Russell, baseado na vida de Micky Ward, boxeador vindo de uma família neurótica que conseguiu tornar-se campeão do mundo em idade avançada.

Assistir a O Vencedor me vez pensar nas aproximações e diferenças de outro filme aparentemente sobre luta que foi preterido pela Academia há dois anos, O Lutador. Ironicamente, Darren Aronofsky chega a 2011 como um candidato fortíssimo ao Oscar por Cisne Negro.

Aronofsky propôs uma narrativa cíclica sem escapatória para o combalido Randy “The Ram” Robinson, que conseguiu no máximo prolongar sua desastrosa existência. Já O. Russell se dispôs a realizar um filme sobre a segunda chance de um personagem – numa primeira leitura – e, um pouco mais fundo, sobre o quão complicadas são as relações familiares.

Randy é vítima de suas próprias fragilidades e inaptidões. Encarnado por Mickey Rourke, ele se parece com um elefante tentando manusear uma taça de cristal. Destrói o que resta do amor de sua filha e perde a chance de viver com a mulher de sua vida. O que restava, até então, era lutar,honrar o apelido de “O Carneiro” no ringue, mas nem isso a vida lhe permitiu: o corpo o abandona nas horas em que ele precisa, deixando Randy sem o único que ainda fazia sentido.

Já o Micky (isso, sem “e” do “Mickey Mouse”) de O Vencedor sofre com quem está por detrás de sua vida: a família. Se fosse só pelo boxeador, o futuro lhe sorriria. Porém, no meio do caminho, existe um irmão que lhe ensinou tudo, mas hoje é uma âncora a impedir seu crescimento, e uma mãe, que usa Micky como fonte de renda.

Aronofsky é destrutivo, O. Russell é redentor. O primeiro é agressivo, o segundo é tranquilizador. Mas ambos, à sua maneira, fizeram ótimos filmes que parecem se dedicar à luta para falar sobre dramas humanos. O Lutador encerra, O Vencedor prossegue a vida de seus personagens.