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quinta-feira, 30 de maio de 2013
O céu de Tabu
Qual minha surpresa ao parar no charmoso café que frequento após o horário de almoço desde que me mudei para o Tatuapé? Que eles, tal como a maioria dos estabelecimentos em São Paulo, decidiram colocar uma televisão. A justificativa: “É que os clientes estão pedindo”.
Mostro-lhes minha decepção. Digo que deixarei de frequentar o lugar. “Mas vamos colocar o volume baixinho”. Não se trata de som, mas da folga ao olho, de não ser condicionado a olhar uma imagem apenas porque ela está lá. “Se você não gostar pode reclamar com as meninas”. Está bem, farei. “Vamos testar se dará certo”. Certamente dará, sou exceção. “Na verdade, não. Outro cliente já reclamou”.
Penso num filme como Tabu, de Miguel Gomes, que deve estrear na outra sexta, 7, caso a monocultura do circuito permita. Há uma cena linda em que os apaixonados Ventura e Aurora curtem um momento idílico. Olham para o céu. As nuvens, repentinamente, ganham formas de animais.
Gomes, em tal sequência, mas também no restante do filme, fala justamente dessa perda da virgindade do olhar, de se encantar pela imagem cinematográfica, de acreditar na “mentira” que ela conta. Isso num contexto contemporâneo, em que entre nós e o mundo existe quase sempre uma tela.
Na porta do tal café o avô segura a criança no colo. Ele aponta para o céu e diz: “Olha lá, o avião”. Aponta para o chão. “Cadê o au-au?”.
Quiçá não esteja tão longe o dia em que um avô mostrará para o neto o céu, o avião, o cachorro apenas numa tela de celular. Em que só conseguiremos nos sensibilizar pelo mundo quando este vier mediado – tal como a paisagem francesa na limusine-camarim de Holy Motors.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Melhores do Ano
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| Kylie Minogue em Holy Motors |
Para os que não tem pressa com listas, estão dispostos a revisão e ao diálogo, dois avisos.
1: A Revista Interlúdio acaba de soltar sua lista de Melhores do Ano de 2012, elaborada pelos redatores fixos. Cada um dos longas do Top 10 ganha uma resenha. Para os que se divertem com listas, elas também estão lá.
O link para a lista de Melhores do Ano e suas respectivas resenhas está aqui. Para acessar as listas individuais, clique aqui. Escrevi sobre Cosmópolis e Drive, meus 3º e 9º colocados, respectivamente.
2: A Abraccine - Associação Brasileira de Críticos de Cinema também soltou seus premiados, segundo os votos dos associados. Deu Febre do Rato como Melhor Filme Brasileiro, A Separação como Filme Estrangeiro e O Duplo como curta-metragem.
O link para o post do blog da Abraccine está aqui.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Holy Motors - Dossiê na Abraccine
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| O acasalamento cibernético em Holy Motors |
Acaba de entrar no Blog Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema) um dossiê reunindo seis textos sobre Holy Motors, de Leos Carax, além de um sobre Os Amantes da Ponte Neuf.
Os escritos sobre Holy Motors foram publicados em três momentos distintos: na primeira exibição em Cannes, na estreia brasileira e após a primeira semana de exibição. Textos com propostas de reflexão e aproximação bastante distintas.
O post está neste link [clique aqui].
Boa leitura.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Holy Motors, de Leos Carax - Crítica
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| A preparação do acasalamento cibernético em Holy Motors |
O maior desafio que Holy Motors pede a seu espectador é disposição para percorrer caminhos que não os considerados lógicos, explicáveis e naturais no cinema. Apenas com esse espírito, livre e corajoso, que será possível viver o filme, lidar com ele frontalmente, seja para exaltá-lo ou desmascará-lo.
O alicerce de Holy Motors é inserir-se no próprio cinema, oferecendo, entre as diferentes leituras possíveis, uma interpretação de que aborda, de maneira extasiante, a oportunidade única que o cinema dá de viver outras vidas e histórias que não as nossas, possibilidade compartilhada tanto por quem faz cinema quanto por quem vê cinema: reviver a cada filme, a cada cena, a cada plano, a cada gesto belo.
Mas até mesmo dentro dessa leitura não é aconselhável um olhar cartesiano. Pois essa chance de viver vidas outras pode ser tomada tanto como exaltação das possibilidades do cinema quanto como crítica a uma sociedade virtualizada e de avatares, que adota personagens diversos em diferentes momentos para recuperar o prazer do instante inicial.
Ou seja, se fecharmos uma única leitura do filme, um rio de possibilidades vai passar do lado, imperceptível. Mas não seria essa justamente a graça do cinema e da cinefilia, (re)descobrir um filme a cada revisão? Abrir outros canais de relacionamento com ele, expandindo ou negando os anteriores? Viver um filme além do esgotamento instantâneo do “gostei” ou “não gostei”?
Continue lendo a crítica de Holy Motors na Revista Interlúdio.
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