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domingo, 10 de junho de 2012

Cinema Mudo - Curso com Celso Sabadin

Repassando o e-mail que recebi -- e fazendo um pequeno jabá pro amigo Celso Sabadin.

Viagem à Lua, de George Méliès, homenageado por Scorsese em A Invenção de Hugo Cabret


"O jornalista e crítico de cinema Celso Sabadin ministrará, entre os dias 11 de junho e 16 de julho, o curso História do Cinema Mudo, na Biblioteca Pública Roberto Santos. As aulas, gratuitas, ocorrerão nas segundas-feiras, às 19h.

Serão cinco encontros analisando os primeiros anos do cinema, desde as primeiras experiências com imagens em movimento até a transição para o sistema sonoro, passando pelo desenvolvimento dos gêneros cinematográficos, praticamente todos criados na era do cinema mudo. Haverá exibições de trechos de filmes históricos e importantes do período.

No dia 11 de junho, será abordado o nascimento e a pré-história do Cinema. Nas duas semanas seguintes, Sabadin explicará sobre o período em que o cinema se firmou como espetáculo e como indústria e sobre a conquista do mercado norte-americano. O Expressionismo alemão e o Realismo Soviético, as primeiras grandes escolas estéticas da era silenciosa, serão apresentados no dia 2 de julho. Encerra o ciclo a transição para o cinema sonoro e a importância de O Cantor de Jazz para a História do Cinema, no dia 16 de julho.

Celso Sabadin faz colaborações nos sites Planeta Tela e 100% Vídeo, na Revista de Cinema e na Rádio Bandeirantes. É autor dos livros Vocês Ainda Não Ouviram Nada - A Barulhenta História do Cinema Mudo, Éramos Apenas Paulistas e Ofício de Cineasta. Ele prepara atualmente o lançamento de seu primeiro longa-metragem como roteirista e diretor, um documentário sobre Amácio Mazzaropi.

Serviço
Curso História do Cinema Mudo
Data: 11 de junho a 16 de julho
Horário: 19h
Inscrições: pelo telefone 2273-2390 ou pessoalmente na unidade.
Local: Biblioteca Pública Roberto Santos
Endereço: Rua Cisplatina, 505, Ipiranga
Telefone: 2273-2390"

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A Invenção de Hugo Cabret: breves comentários

Scorsese participando de cena de A Invenção de Hugo Cabret, favorito ao Oscar


A cerimônia de premiação do Oscar acontece na noite deste domingo (26/2). Para mim só existe um grande filme na lista de indicados e este é A Árvore da Vida (já vejo algumas caras emburradas para essa afirmação). Existem filmes bons, e aí entra A Invenção de Hugo Cabret. É uma produção encantadora, sem dúvidas, e apaixonante por articular comentários sobre o próprio cinema. Melhor: esse filme de Scorsese é um parque de diversão cinéfilo. Mas não é um grande filme.




Scorsese é realmente um cara que faz um bem danado ao cinema. Conseguir colocar num filme caríssimo como Hugo os filmes de George Méliès feito no comecinho do século 20 é para poucos.




No afã de criar diálogos entre os filmes, temos dito que tanto Scorsese quanto O Artista são filmes nostálgicos e que falam do cinema. Espera aí, Pedro Bó, pois existe uma diferença crucial. Cinéfilo até o último fio de cabelo e sempre se posicionando na História do Cinema, Scorsese faz um filme sobre cinema, enquanto Hazanavicius fala de Hollywood. A maneira em que Hugo dialoga com outros filmes (como Safety Last!, a cena que Harrol Lloyd se pendura no relógio) é bem mais interessante.




Ambos os filmes flertam com convenções narrativas na esperança de conectar-se com um grande público (O Artista na história de amor, Hugo com a aventura infantil). A diferença (e daí vem o maior encantamento que um deles provoca) é que Hazanavicius abandona a conversa com o cinema para se tornar uma mera comédia romântica em preto e branco, enquanto Scorsese vai e volta, resistindo para instigar o espectador a descobrir o cinema.



Hugo custou US$ 150 milhões, mesma faixa de outros filmes cheio de efeitos visuais como Velozes e Furiosos 5 (US$ 125 milhões), Missão Impossível: Protocolo Fantasma (US$ 145 milhões) e Thor. Ao contrário desses blockbusters, o filme de Scorsese não chegou nem perto de arrecadar nos EUA o valor de seu orçamento. Isso não é surpresa alguma: Hugo é primeiramente um filme sobre um cinema pouco conhecido (o mudo em sua primeiríssima fase). Quem vai buscando uma grande aventura irá se decepcionar – apesar de ela estar lá, no filme, mas não é o que mais encanta.





O uso do 3D não como ferramenta tecnológica, mas sim como elemento narrativo, faz os outros filmes feitos ou convertidos para o formato parecerem brincadeira de criança. Conseguiu ser até melhor do que a viagem sensorial de Werner Herzog em Caverna dos Sonhos Esquecidos.





Na tentativa de dar conta do que é esse filme de Scorsese, existe uma frase especial: “é por vezes desconjuntado, inflado, no limite perigoso da prostituição hollywoodiana, mas sempre apaixonado”. O autor é o crítico Sérgio Alpendre, editor da Revista Interlúdio. João Nunes, crítico do Correio Popular, também coloca uma questão muito interessante: "Estará o espectador atual, repleto de informações tecnológicas interessado em saber como se fazia cinema mudo e, no caso de Méliès, cinema de fantasia no longínquo final de século 19?"