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quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Mônica e o Desejo – novamente
A cada revisão aumenta a força do plano mais poderoso de Mônica e o Desejo – o da foto deste post, em que ela, Mônica, casada, sai com outro numa noite qualquer buscando resgatar sua juventude perdida num casamento e maternidade precoces, e mira o espectador com um ar inquisidor de “Como ousas me julgar?”.
Esse olhar de Harriet Andersson abre as portas para o Ato III do filme. É a partir desse olhar desafiador de uma mulher que quer viver sua liberdade – e dane-se o que o mundo, inclusive o marido, pensa disso – que brota a resolução do enredo.
Há mais no filme de Bergman, desde as insinuações eróticas (Harriet andando de quatro pelo mato) à abordagem renascentista do horizonte como manancial de esperanças. Há muitas outras cenas e planos bonitos. Mas nada supera o torpor deste, em que Mônica devolve o questionamento antes mesmo de o espectador fazê-lo.
É esse poder que certas atrizes conseguem imprimir. É como Rita Hayworth em Gilda, na cena em que, perguntada pelo marido (“Gilda, are you decent?”), ela invade o quadro com uma sacudida de cabelo e devolve a pergunta com um “Me?”. Claro, Gilda e Mônica e o Desejo são dois cinemas inteiramente diferentes, o caso aqui não é comparar ambos os filmes. Mas um plano, aquele que sobrevive ao tempo e às revisões.
E esse olhar de Mônica para a câmera vai permanecer por muitos mais anos.
Bergman é tão fenomenal que decupa a cena começando por um plano detalhe numa mão que liga a jukebox, passa ao rosto de Mônica, omite e revela que com a moça está acompanhada de um homem e termina com o maravilhoso olhar de Harriet Andersson para a câmera num close-up.
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Rita Hayworth, a diva
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| Rita Hayworth na cena mais famosa de Gilda, em que se metaformoseia na Mame da canção |
Leitores do Urso de Lata, faço um autojabá para dividir com os interessados que nesta sexta-feira (29/6) participo do programa Todo Seu, do Ronnie Von, falando sobre Rita Hayworth no quadro Divas.
Rita Hayworth, que lembramos muito por Gilda, mas que fez também o filmaço do Welles, A Dama de Xangai, e Vidas Separadas (e dançou muito com Fred Astaire em Ao Compasso do Amor, filme que merece ser estudado para entender como Hollywood manipulou uma população para a máquina de guerra), é, para mim, a encarnação da diva -- pro bem e pro mal, da mulher inalcançável e adorada, mas que tem de dar conta de uma imagem mentirosa, ou melhor, de femme fatale da hora que acorda à de dormir.
O programa vai ao ar às 22h15 -- o quadro Divas deve ser veiculado entre 22h30 e 22h40. Apesar do tempo breve, falo sobre star system/Era dos Estúdios, o talento como dançarina, o abismo entre a mulher da tela e a da vida real, os papeis com Fred Astaire e Tyrone Power, da transformação em mulher de beleza exótica à american beauty. Tem muito mais a se falar sobre ela, talvez um dia escreva um perfil, quem sabe traçando uma ideia de sensualidade que ela emanou nos 1940 com a que Marilyn projetou na década seguinte.
Por ora, fica o convite. Deixo com vocês a entrada de Rita Hayworth em cena em Gilda (que é um noir muito bom até o final do segundo terço, quando o barco desanda). Um diálogo muito irônico (o filme é cheio deles) em que o marido de Gilda pergunta: "Are you decent?", ao que ela responde, "Me?". E ri.
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