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sexta-feira, 4 de maio de 2012

Cinema Americano dos Anos 70 - Curso no CineSesc

Prezad@s leitores deste blog, peço licença para fazer uma autopromoção. Começa no próximo dia 14 de maio, no CineSesc, o curso Cinema Americano dos Anos 70, o qual ministrarei ao lado do crítico de cinema Sergio Alpendre. Aos interessados pelo assunto, informações completas vão abaixo.



Cinema Americano – Anos 70

Estados Unidos, anos 1970. Com o surgimento dos vários Cinemas Novos ao redor do mundo na década anterior e uma sensível mudança comportamental, uma geração de jovens cineastas – Scorsese, Coppola, De Palma, Friedkin, entre outros, que seriam identificados como Nova Hollywood – abre espaço por entre os estúdios e consegue fazer outro tipo de cinema, mais próximo dos anseios da juventude e num modo de produção menos engessado.

Enquanto isso, os mestres do Cinema Clássico – Billy Wilder, Mankiewicz, Kazan, Cukor – rodam seus últimos longas, assistindo ao crepúsculo de uma era. Contemporâneo à geração da Nova Hollywood, outros talentosos diretores começam a ganhar reconhecimento (Woody Allen, Robert Altman, Sam Peckinpah), espinafram o status quo (John Waters), veteranos mantém o espírito de risco (John Cassavetes) ou alcançam o sucesso (Don Siegel).

À margem, dois cinemas de gênero se fortalecem: o Horror, que tem em George Romero um sintoma do mal estar da sociedade norte-americana no período, e o Blaxploitation, que pela primeira vez coloca os negros como protagonistas em filmes de ação com heróis charmosos e incorretos, embalados pela música soul.

O curso Cinema Americano – Anos 70, ministrado pelos críticos de cinema Sérgio Alpendre e Heitor Augusto no CineSesc, vai traçar um panorama de um dos momentos mais ricos da produção norte-americana, marcado por algumas obras-primas, filmes conectados com o espírito de seu tempo e outros saudosos de um passado irrecuperável.

Cronograma

AULA 1: CREPÚSCULO DOS MESTRES

Crise em Hollywood, novos modos de produção e a chegada de jovem cineastas: para onde vão os mestres? Breves notas sobre os últimos filmes de Billy Wilder, Joseph L. Mankiewicz, Orson Welles, Elia Kazan, Vincente Minnelli e George Cukor.

AULA 2: BLAXPLOITATION E OS HERÓIS SEDUTORES

Panteras Negras, cinema jovem e heróis mal educados: quando os negros invadem o cinema em divertidos filmes de ação como Shaft e Cleópatra Jones. Ecos da mostra Tela Negra no CineSesc.

AULAS 3 E 4: NOVA HOLLYWOOD

Os cineastas que ficaram mais identificados com a Nova Hollywood: Scorsese, Coppola e De Palma. Mas também Friedkin, Bogdanovich, Bob Rafelson e Schrader. Como essa geração de cineastas-cinéfilos mudou a cara da indústria com seus filmes.

AULA 5: HOLLYWOOD ALÉM DA NOVA HOLLYWOOD

Não se enxergavam como um grupo, mas também fizeram cinema de um jeito diferente: os filmes de Woody Allen, John Cassavetes, Robert Altman, Sam Peckinpah, Don Siegel e John Waters.

AULA 6: ROMERO E O CINEMA DE HORROR

O gênero e seu tempo: seguindo a afirmação do crítico Robert Paul “Robin” Wood, a proliferação do horror no cinema americano dos anos 70 era um sintoma do mal-estar pelo qual passava a sociedade americana.


Serviço
Local: CineSesc (Rua Augusta, 2075)
Período do curso – 14 a 25 de maio
Horário – 19h30 às 21h30
Dias – Segundas (14 e 21), Quartas (16 e 23) e Sextas (18 e 25)
Valor total do curso: R$ 40 (inteira), R$ 20 (usuário inscrito no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante) e R$ 10 (trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo matriculado no SESC e dependentes)
Inscrições somente no CineSesc (3087-0500) - http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=220425


Biografia dos professores

Sergio Alpendre é crítico de cinema, professor, pesquisador e jornalista. Pós-graduando em cinema pela USP. Editor e fundador da Revista Interlúdio. Foi redator da Contracampo de 2000 a 2010. Colaborou para diversos veículos, incluindo Foco, Taturana, Cadernos Mais e Ilustrada (Folha de S. Paulo), Cineclick e revistas Bravo e MOVIE. Foi curador das mostras Retrospectiva do Cinema Paulista e Tarkovski e Seus Herdeiros, para as quais editou também os catálogos. Foi editor da 4ª edição da Revista da Programadora Brasil. Atualmente é redator do UOL Cinema e colaborador do Guia Folha (livros, discos, filmes). Ministra cursos de história do cinema e oficinas de crítica por todo o Brasil.

Heitor Augusto é jornalista e crítico de cinema colaborador das revistas Interlúdio, Preview, ESPN, além do site Cineclick. Escreve sobre filmes do circuito comercial, além de cobrir os principais festivais de cinema no Brasil e publicar ensaios temáticos. Colabora também com a Revista Zingu!, dedicada à História do cinema brasileiro. Publicou ensaio no livro Os Filmes que Sonhamos sobre o longa-metragem E A Vida Continua. Escreveu também para a Revista de CINEMA e Agência Carta Maior. Sócio-fundador da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema, é editor do site da entidade. Mantém também o blog Urso de Lata.


sábado, 25 de fevereiro de 2012

CineSesc recebe mostra do provocador John Waters, papa do Trash

Divine, a drag criada por Harris Glenn Milstead, é a protagonista dos filmes mais radicais de John Waters


Antes de falarmos se os filmes de John Waters são bons ou ruins, é necessário rumar a prosa para algo importante: são um tapa na cara do status quo. Filmes como Pink Flamingos, Cry-Baby e Multiple Maniacs são provocações contra a caretice e o bom-mocismo.

A Mostra John Waters – Papa do Trash, que ocupa parte da programação do CineSesc entre 24 de fevereiro a 1º de março, é uma chance de conhecer um cinema sem bons modos, mas também buscar quais pontos de contato ainda existem entre o pensamento cultural de hoje e as portas abertas pela contracultura, momento mais desavergonhado dos filmes de Waters.

Como nos afeta uma cena em que um homem transa com um mulher por cima de um monte de galinhas? Ou as relações bizarras de família? E os fetiches sexuais?

Mesmo datado, o cinema de John Waters não ficou velho. Ainda me parece necessário um personagem como a Divine, uma musa travesti de formas protuberantes e hábitos que testam a vergonha do espectador.



Vejo uma possibilidade aberta de diálogo entre o choque que uma mulher como Divine provoca e o embaraço dos entrevistadores do programa Roda Viva tentando dar conta da identidade do quadrinista Laerte, que recentemente passou a se vestir de mulher. O fato de Laerte ser pressionado para se posicionar (“você é homem ou mulher?”) indica que uma personagem como Divine continua mais que atual.

A diferença é que o cinema de John Waters vai até o fim e investe pesado no bizarro para fazer chacota especialmente da vida da classe média suburbana.


Com Mamãe é de Morte, o cinema de John Waters investe mais no sarcasmo
 
A primeira parte de sua carreira concentra os clássicos do trash e da provocação sem limite. Nesse momento surgem Mondo Trash (1970), Pink Flamingos (1972) e Problemas Femininos (1974). São os filmes bem baratos e exemplos típicos do “mau gosto”.

Dos anos 1980 em diante, Waters sai do underground, reduz o que há de bizarro em seus filmes, aproxima-se de enredos mais comedidos e transforma a provocação em comentários críticos. Daí são a trinca Hairspray – Éramos Tão Felizes (1988), Cry-Baby (1990) e Mamãe é de Morte (1994), ou até mesmo Clube dos Pervertidos (2004).

A Mostra John Waters – Papa do Trash, que tem curadoria de Mario Abbade, trará os 12 longas-metragens do diretor (ficam de fora o média Eat Your Make up e os curtas Hag in a Black Leather Jacket, Roman Candles e The Diane Linkletter Story). Entrou na programação também a refilmagem Hairspray – Em Busca da Fama, que teve John Travolta no papel vivido por Divine em 1988.

Pena que apenas cinco das 14 sessões serão em película.

Serviço
Mostra John Waters – Papa do Trash
De 24/2 a 1º de março
CineSesc – Rua Augusta, 2075 – Telefone: 3087-0500

Programação da mostra

Sexta-feira (24/2)
19h30 – Mondo Trasho*** (18 anos)
21h30 – Hairspray – Éramos tão felizes*** (16 anos)

Sábado (25/2)

19h30 – Cry Baby* (14 anos)
21h30 – Pink Flamingos*** (18 anos)

Domingo (26/2)

19h30 – Mamãe é de Morte* (14 anos)
21h30 – Cecil Bem Demente* (18 anos)

Segunda-feira (27/2)

19h30 – O Preço da Fama*** (18 anos)
21h30 – Hairspray – Em busca da fama* (Livre)

Terça-feira (28/2)

19h30 – Problemas Femininos*** (18 anos)
21h30 – Desperate Living*** (18 anos)

Quarta-feira (29/2)

19h30 – Multiple Maniacs*** (18 anos)
21h30 – Clube dos Pervertidos* (18 anos)

Quinta-feira (1º de março)

19h30 – Hairspray – Éramos tão felizes*** (16 anos)
21h30 – Polyester* (18 anos)

*Exibição em 35mm
**Exibição em DVD
***Exibição em BetaDigital