Em dia de reestreia de um filme-catástrofe (Titanic), a catástrofe aconteceu nos bastidores do cinema. O Festival Cinema de Paulínia, que em quatro edições se consolidou como o mais poderoso evento pra exibição de filmes no Brasil, está oficialmente cancelado.
O anúncio foi feito na manhã desta sexta-feira 13 durante coletiva de imprensa realizada na cidade. A notícia já se espalhou pelas redes sociais. As justificativas oficiais são de "maior investimento no social", segundo a nota enviada pela assessoria de imprensa da prefeitura.
Nos bastidores, porém, comenta-se o óbvio: questões políticias de um ano eleitoral estão por trás do cancelamento.
O cancelamento de um festival que se tornou janela importante em pouco tempo e no ano passado distribuiu um total de R$ 800 mil em prêmios mostra o óbvio: política cinematográfica no Brasil é tão volátil que qualquer revoada leva.
Nos bastidores, comenta-se que há um cálculo político por trás do cancelamento. O atual prefeito, José Pavan Júnior, vai concorrer nas eleições deste ano com Edson Moura, prefeito até 2008, ano em que o festival foi criado e o pólo investidor estabelecido. Comenta-se que, como o festival é uma nobre vitrine, nos debates eleitorais ele serviria de argumento para legitimar ou deslegitimar um ou outro candidato.
Em fevereiro, porém, na reportagem do amigo João Nunes, crítico e jornalista baseado em Campinas, Pavan Júnior afirmou que não haveria cancelamento [leia a íntegra aqui].
Nos últimos 24 anos, Pavan Júnior e Edson Moura se alternaram no cargo de prefeito, à exceção do período entre 1997 e 2000, quando Adélsio Vedovello exerceu o cargo. Ao todo, Moura governou por três mandatos e Pavan Júnior por dois.
Em 2009, Pavan Júnior foi caçado sob acusação de compra de votos, corrupção e abuso de poder econômico -- irônicamente, enquanto almoçava com a imprensa que havia ido à Paulínia cobrir o festival.
Tão logo o anúncio foi oficializado, começou uma conversa nas redes sociais buscando uma mobilização para evitar o fim do festival. Quanto ao Pólo de Cinema - estrutura montada para receber filmagens e os editais para longas e curtas - as informações ainda são desencontradas sobre seu futuro.
André Dib, jornalista e crítico de cinema baseado em Recife, também publicou uma interessante matéria comentando a instabilidade do circuito de festivais em 2012 a partir do anúncio dos selecionados do Cine PE [leia aqui]
A Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema) lançou na tarde desta sexta-feira uma carta aberta ao prefeito da cidade [leia a íntegra aqui]. "Como cidadãos, entendemos a construção de moradias populares, e o investimento em educação, saúde e meio ambiente deveriam mesmo ser prioridades constantes de qualquer municipalidade, e não apenas em anos eleitorais".
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sexta-feira, 13 de abril de 2012
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Febre do Rato vence Paulínia; O Palhaço come pelas bordas
-- de PaulíniaPodemos não concordar que Febre do Rato é o Melhor Filme do Festival de Paulínia. É meu preferido, mas concordo que tanto O Palhaço quanto Trabalhar Cansa também mereciam o prêmio de R$ 250 mil.
Mas certamente o filme de Claudio Assis foi o grande acontecimento de Paulínia. No final, levou oito estatuetas Menina de Ouro. Já a produção de Selton Mello venceu quatro, sendo em duas categorias vitais (Direção e Roteiro).
No geral, a premiação surpreendeu. Não imaginava que a produção de Recife levaria quase tudo. Mas os comentários ficam para amanhã, com mais serenidade. Por enquanto, vale o registro com a lista de todos os vencedores, disponível neste link.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Os curtas publicitários de Paulínia
-- de PaulíniaTrês dias de competição e uma das mais mal sucedidas seleções de curtas-metragens entre os grandes festivais de cinema nos últimos anos. Após a exibição de seis produções, digo que temos apenas um Filme em letra maiúscula: Tela, de Carlos Nader, interessante ponto de interrogação no próprio formato e em como colocá-lo para o público na sala de cinema, não só em festivais.
Fora esse, restam boas intenções (A Grande Viagem e O Cão) que não escapam de um discurso moralista, ou conteúdo audiovisual regado de toques menos (Trocam-se Bolinhos por Histórias de Vida) ou mais (Café Turco e Polaroid Circus) publicitários. Vendem-se ideias simpáticas, no caso do primeiro filme, ou superficialmente políticas, no caso do segundo.
À exceção do filme de Nader, todos contam histórias com começo, meio e fim, sem percalços, terminando com uma lição de moral. Todos com tique da publicidade, enquadramentos simétricos, montagem esperta, iluminação horrivelmente asséptica (que em Trocam-se Bolinhos é berrante). O mais estranho é certamente Polaroid Circus [foto] em que uma belíssima mulher passeia pelas ruas de Paris tirando fotos e se relacionando com a cidade.
No papel, parece até interessante, mas na telona torna-se um longo comercial de vários produtos: lingerie, cartão postal de uma cidade, fotografia de moda, maquiagem, da modelo e por aí vai. É realmente estranho um filme como esse num festival de cinema como o de Paulínia, que atrai tantas atenções.
Se até a quinta-feira a seleção de curtas-metragens continuar tão inferior à de longas, algo precisará ser repensado em 2012 em relação à curadoria. No ano passado, Paulínia exibiu grandes curtas (Tempestade e Eu Não quero Voltar Sozinho são alguns deles). Não pode ser problema de safra: desde Tiradentes, que inaugura o calendário de festivais, temos assistido a bons filmes.
Não dá para exibir longas do nível de O Palhaço ou Uma Longa Viagem, que possibilitam várias possibilidades de leitura, ao lado de curtas pífios Polaroid Circus, uma sub-versão marqueteira de A Bela Junie.
*Heitor Augusto viajou à Paulínia a convite do festival e também realiza a cobertura para o Cineclick.
sexta-feira, 4 de março de 2011
Qual o rumo dos festivais?
Na terça-feira, a Pró-Cultura, que faz a assessoria tanto do pólo de cinema de Paulínia quanto do festival, anunciou que o evento da cidade irmã de Campinas aumentou consideravelmente os prêmios aos vencedores.Em vez dos R$ 150 mil do ano passado para Melhor Filme, em 2011 teremos R$ 250 mil. Vou repetir: R$ 250 mil! Brasília deu R$ 80 mil, Cine Ceará R$ 16 mil e É Tudo Verdade, festival de documentários, dará R$ 100 mil, o mesmo prêmio que Paulínia reserva neste ano para docs.
Pergunto: o que acontecerá com os festivais de cinema brasileiro que costumam selecionar as produções em 35mm, geralmente orçadas entre R$ 1 e R$ 4 milhões? Como Gramado, Festival do Rio, Cine PE, Brasília e Cine Ceará vão manter sua capacidade de atração a esse tipo de cinema incentivado?
No ano passado, com a mudança de curadoria, que passou para as mãos de Sérgio Sanz e José Carlos Avellar, Gramado mudou um pouco de cara, se afastou dos flashes e se dividiu entre filmes como Bróder e O Último Romance de Balzac. Em 2010, Brasília mudou seu perfil, tentando se aproximar de um fazer cinematográfico um pouco diferente.
No ano passado, tanto o festival em Recife quanto o de Fortaleza tiveram um leque menor de opções na hora de selecionar longas-metragens. Acho que, quando Paulínia entrou no calendário de Festivais em 2008, o Cine PE foi afetado de imediato.
Como vai ficar a Première Brasil do Festival d
o Rio deste ano? Esta mostra do evento carioca tem conseguido, nos últimos anos, atrair os melhores filmes deste modelo de produção – o cinema incentivado e feito em 35mm –, mas como será 2011 frente à possibilidade de Paulínia trazer Selton Mello (O Palhaço), Vicente Amorim (Corações Sujos), Marco Dutra e Juliana Rojas (Trabalhar Cansa), Toni Venturi (Estamos Juntos) na competição e, talvez em exibição especial, Cao Hamburger (Xingu) e Cláudio Torres (O Homem do Futuro)?Estou com a sensação de que haverá uma polarização entre dois festivais. De um lado, Paulínia, com seu prêmio vultoso e uma geração de mídia muito maior do que em outros eventos. Do outro, a Mostra de Tiradentes, com sua habilidade em acompanhar um cinema cujo modelo de produção é uma alternativa ao incentivado e fomentar a reflexão sobre o cinema brasileiro.
Em que posição ficarão os outros festivais de cinema? Coadjuvantes?
domingo, 25 de julho de 2010
Para onde irão os diretores de “5x Favela – Agora Por Nós Mesmos”
O Festival de Paulínia deste ano teve dois filmes/eventos marcantes: “5x Favela – Agora Por Nós Mesmos”, longa coletivo que retoma a experiência do Cinema Novo de 1961, e “Bróder”, a estreia do ótimo curta-metragista Jeferson De na direção de um longa-metragem.Pelo júri, deu o carioca. Pela crítica, deu o paulista. Que bom que a escolha foi dividida e ambos os filmes ganharam os merecidos destaques. Aliás, corajosa a decisão do júri de premiar “5x Favela – Agora Por Nós Mesmos”, filme que, pelo seu próprio formato (cinco curtas metragens agrupados), é irregular – e, no conjunto, inferior a “Bróder”. Mas, mesmo assim, tem ótimos momentos e soluções muito criativas.
Agora que “5x Favela” ganhou sete prêmios em Paulínia, o que acontecerá com seus diretores? O filme estreia em circuito em 27 de agosto – com promessa da produtora Renata de Almeida de colocar o longa nos cinemas da zona sul carioca!
O cinema brasileiro, assim como o chileno e o uruguaio, vive de ciclos. Desde 1994 estamos baseados na dinâmica de produção do incentivo fiscal – com a ressalva do momento pós-Ancine. Ou seja, estamos na marca de 70, 80 filmes produzidos por ano há cerca de quatro anos. Mas, a distribuição e exibição para longas nacionais ainda é ridícula e profundamente injusta.
Então, a pergunta é: o que acontecerá com Manaíra Carneiro e Wagner Novais (episódio “Fonte de Renda), Rodrigo Felha e Cacau Amaral (episódio “Arroz com Feijão”), Luciano Vidigal (episódio “Concerto Para Violino”), Cadu Barcelos (episódio “Deixa Voar”) e Luciana Bezerra (episódio “Acende a Luz”)?
Quando o cinema não consegue receber atores revelações, eles vão para a televisão. O que acontecerá com os diretores? O cinema brasileiro precisa encontrar espaço para que eles façam o segundo, o terceiro...o décimo longa-metragem.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Paulínia ainda não acabou...
- De Paulínia
Paulínia ainda não acabou, mas tem coisas que já marcaram. Rapidinho, vamos a elas:
- a exibição e coletiva de "5x Favela - Agora Por Nós Mesmos".
- a exibição de "Eu Não Quero Voltar Sozinho", uma semente no diálogo.
- a frustração, seguida de catárse, com "Lixo Extraordinário".
- a força de "Bróder", exibido num teatro abarrotado.
E a premiação nesta quinta, como será?
Paulínia ainda não acabou, mas tem coisas que já marcaram. Rapidinho, vamos a elas:
- a exibição e coletiva de "5x Favela - Agora Por Nós Mesmos".
- a exibição de "Eu Não Quero Voltar Sozinho", uma semente no diálogo.
- a frustração, seguida de catárse, com "Lixo Extraordinário".
- a força de "Bróder", exibido num teatro abarrotado.
E a premiação nesta quinta, como será?
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