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sábado, 2 de fevereiro de 2013

Carlão e Herzog, o que é o cinema

Os desenhos de Caverna dos Sonhos Esquecidos

Duas experiências marcantes nesta semana próxima de acabar. Ambas são revisões.

A primeira de Caverna dos Sonhos Esquecidos, de Werner Herzog, que havia visto na Mostra de Cinema de São Paulo em 2011. O filme continua intacto na memória. Logo no comecinho, em que a câmera flutua por um terreno próximo à tal caverna, antes de Herzog começar a narrar o filme com aquele vozerão, o coração bateu muito forte. Fazia tempo que não sentia isso num filme: coração batendo acelerado.

Seguem-se imagens cada vez mais bonitas, até mesmo no improviso da filmagem – uma equipe de quatro pessoas mais os pesquisadores responsáveis pelo mapeamento da caverna, num espaço limitado para locomoção.

No ato final, em que Herzog volta à Caverna Chauvet depois de já nos tê-la apresentado, há o delírio. Sequências dos desenhos feitos pelo homem pré-histórico que datam de mais de 35 mil anos atrás. Representações de animais – cavalos, rinocerontes, ursos – e de uma mulher.

Nessa passagem de Caverna dos Sonhos Esquecidos quase conseguimos tocar as paredes, apesar da distância espacial, e o tempo, a despeito dos milhares de anos que separam a nossa pós-modernidade daquelas imagens.

Não é pouco esse impacto que o filme de Herzog causa. Não é pouco voltar 35 mil anos e tentar responder: por que fazemos arte? Por que temos a necessidade de representar?

***

Se o circuito comercial, com algumas exceções, como o CineSesc, que exibe o longa de Herzog, lançamento da novata Zeta Filmes, continua a decepcionar, existem as mostras. Não as faltam em São Paulo. É um luxo a cidade ter, simultaneamente, retrospectivas amplas da obra de Jonas Mekas e Carlos Reichenbach.

Carlão está na Cinemateca, em lindas cópias em película. Mekas no CCBB e Cinusp – vale tolerar as cadeiras desconfortáveis.

Rever Carlão em tela grande é perceber, com muita clareza, como a noção de “filme de cinema” é forte. Talvez não haja na cinematografia brasileira um diretor que conseguiu tão bem aliar uma rara erudição além-cinema com um tipo de humor baseado em diálogos faceiros, tiradas dos personagens. Ver seus filmes é ficar no pêndulo ora da grande cultura, ora da cultura do mundo.

Amor, Palavra Prostituta cresceu demais na revisão. Encanta um filme que vai das cenas de trepada, close em vagina, pênis, mulheres com biquínis minúsculos na piscina para personagens altamente perturbados, com crises existenciais profundas, ciente da sua ausência de lugar num mundo voltado para a produtividade plena.

Ontem revi Alma Corsária. Que filme monstruoso, estupendo. Os personagens que dançam para colorir seu entorno, a aparição da morte para Torres, a amizade do pobretão com o burguês, o embaralhamento dos tempos passados e do presente, o fisiculturista que se movimenta ao sol de Claire de Lune do Debussy, Jorge Fernando como o marido trouxa...

Assistir novamente ao filme agora, quase oito meses após a morte do Carlão, dá uma sensação estranha: de que o personagem do Torres lembra demais o próprio Carlão. Ou seja, já não há mais ele por aí. Restam, felizmente, seus filmes.

O Inácio estava certo. “O mundo insistirá em continuar sem Carlão. Nosso cinema ainda não sabe direito o que perdeu, inclusive porque não conhece direito o seu trabalho. Acha que ele era um bom sujeito. Era, mas isso era uma parte só. É o primeiro ano em que entraremos sem Carlão, sem poder conversar, divergir, aprender com ele.”

Pasteleiro chinês, John Doo, fisiculturista e Debussy

Em tempo: Alma Corsária foi eleito, numa lista com 51 votantes, o 2º melhor filme brasileiro dos últimos vinte anos. Veja aqui o Top 20 e clique aqui para o texto de Sérgio Alpendre sobre o filme.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

MostraSP: Uma conversa com Kiarostami

Rin Takanashi, protagonista de Um Alguém Apaixonado

Foi a Mostra que possibilitou ao cinéfilo paulistano conhecer o cinema de Abbas Kiarostami. Lá no fim dos anos 1980, o esforço de Leon Cakoff tornou o diretor iraniano uma figura corriqueira, seja para quem gosta dos filmes que ele faz, seja para os que desgostam (acho difícil desgostar do conjunto da obra de Kiarostami, mas enfim...).

Kiarostami veio à Mostra deste ano para exibir Um Alguém Apaixonado e receber o Troféu Leon Cakoff (antigo Troféu Humanidade) -- ano passado o agraciado foi o também iraniano Mohsen Makhmalbaf. Tive a oportunidade de entrevistar Kiarostami, ao lado dos amigos João Nunes e Paulo Henrique Silva, sobre Um Alguém Apaixonado.

Uma prosa boa, rápida e intermediada pela tradução do também diretor Adel Yaraghi. Algumas frases são interessantes para acessar seu novo filme e aspectos de sua obra -- a narrativa em constante mutação, alterando as premissas iniciais, ponto que Jean-Claude Bernardet desenvolveu com profundidade na série de quinze crônicas publicadas entre a primeira exibição de Cópia Fiel e sua estreia comercial.

A entrevista foi publicada na edição desta quarta-feira (31/10) no Valor Econômico. O conteúdo, porém, só está disponível para assinantes. Um resumo pode ser conferido neste link [clique aqui].

domingo, 28 de outubro de 2012

MostraSP: Laurence Anyways, de Xavier Dolan

Laurence Anyways, de Xavier Dolan, na programação da Mostra de Cinema de São Paulo


Laurence Anyways é filmado como se a câmera fosse embalsamada, antes de cada diária, numa poção de histeria e afetação. Antes mesmo de falar sobre a estabanação no exagero ou da confusão entre poesia e comercial de perfume chique, é preciso começar pelo óbvio: Xavier Dolan filma muito mal, constatação que a duração de Laurence Anyways só torna ainda mais evidente.

Seu jeito de filmar se divide entre Quando Quero Ser Intenso e Quando Quero Ser Poético, ambos desastrosos. No primeiro, a fórmula é colocar dois atores fazendo duelo de diálogos e passar grosseiramente da cara de um para a de outro – com alguns sobre-enquadramentos para refrescar. No segundo, prefere planos abertos ou médios, câmera lenta, figurino bonito, música cool, joias etc – ou seja, Lady Gaga aplicada à gramática cinematográfica

Juntos, enfiados goela abaixo, esse entendimento sobre intensidade e poesia formam um cinema sem nuances. Se em Eu Matei Minha Mãe e Amores Imaginários dava para tapear a caminhada em mão única, em Laurence Anyways o caso é mais sério: a protagonista é um homem que inicia um processo de transexualidade, que se mostra ainda mais rico porque sua orientação sexual é hetero.

Continue lendo a crítica de Laurence Anyways na Revista Interlúdio.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

MostraSP: Miguel Gomes, uma entrevista e um artigo

Tabu, de Miguel Gomes, premiado em Berlim e uma das atrações da Mostra

Miguel Gomes é o cineasta contemporâneo, ao lado de Losnitza, que Mostra Internacional de Cinema de São Paulo decidiu destacar. Uma retrospectiva com seus três longas e seis curtas está em exibição no festival paulistano. Gomes também veio ao Brasil acompanhar e apresentar as sessões de seus filmes.

Figura muito irônica, cujo humor molda boa parte de seus filmes. Tive a chance de conversar com ele não só sobre Tabu, mas sobre o restante da carreira. O texto, aos interessados, foi publicado na edição impressa do Valor Econômico desta quinta-feira (25/10), mas também está disponível na online [leia aqui a entrevista].

Dos vários aspectos interessantes que tocamos, o principal é sobre como Tabu se insere na história do cinema, tornando-se um filme sobre a perda da juventude. Diz ele: "Ele mexe com o aspecto da memória, da juventude do cinema, de quando os espectadores estavam mais disponíveis para acreditar. O cinema foi envelhecendo e, como espectadores, fomos ganhando consciência da coisa e perdendo a inocência."

Além da entrevista, escrevi um artigo sobre o conjunto da obra de Miguel Gomes. Muito do humor bizarro, da liberdade e coerência dramatúrgica, do tom inclassificável de seus longas já estava rascunhado com os curtas. Casos de Kalkitos ou 31 -- este o seu melhor curta. O texto foi publicado na Revista Interlúdio [leia aqui o artigo].

Falando em portugueses, mas saindo de um novato (40 anos) e indo para um veterano (103), O Gebo e a Sombra, de Manoel de Oliveira, é maravilhoso. Valeu demais sair correndo de uma seção, fazer o trajeto Frei Caneca-Cinesesc em dez minutos e passar 90 minutos sentados no chão -- a sala estava maravilhosamente lotada. Ver um filme do velhinho serve como boa rememoração do que é tempo cinematográfico, enquadramento, atuação, iluminação.

Voltarei a ele mais vezes, talvez com o mesmo espírito que Jean-Claude Bernardet fez com Cópia Fiel, quando publicou dezenas de posts. Só não garanto a mesma qualidade dos textos dele.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

MostraSP: Rio, de Ryuchi Hiroki

Não dá para perder muito tempo neste post porque é preciso terminar o texto geral sobre a carreira de Miguel Gomes. Mas é o seguinte: amigos me indicaram a ver o Rio por ser do mesmo diretor de Vibrator, um filme bom, segundo eles.

E percebi o seguinte: Tarkóvski está me acostumando mal. Com seus planos estáticos, enquadramentos sublimes e câmera no tripé, à primeira sacudida de câmera de Rio eu me assustei. Coitado do filme, não faz sentido algum trazer Andrei Rublev na cabeça para assistir a Rio. Mas foi involuntário.

A tal câmera na mão se justifica no longuíssimo plano de abertura do filme de Ryuchi Hiroki. Segue-se uma garota de sobretudo vermelho que misteriosamente caminha pelas ruas de Akihabara. O tal plano longo se justifica: trata-se de uma menina em busca.

O filme joga a personagem nas ruas, esbarrando em tipos -- alguns bizarros, outros emotivos. E o filme vai se mantendo numa pegada razoável até a parte final, o desfecho da história. Aí Hiroki leva o seu filme barranco abaixo. É mensagem edificante, penúltimo plano também longo (mas para outro persoangem) porque Hiroki deve ter achado necessário explicitar o fim de um ciclo.

Se não fosse por terminar seu filme de maneira realmente ruim, Rio valeria como uma das dicas para esta Mostra. Fica, então, na cota Risco, caso você não tenha tempo vago na programação.


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

MostraSP: O Que se Move, de Caetano Gotardo

A dor, a surpresa e a música em O Que se Move

Antes da crítica, faço uma viva recomendação de que os cinéfilos da Mostra Internacional de São Paulo incluam O Que se Move em suas respectivas programações. Este filme é parada obrigatória.


Domínio do tempo. Clareza sobre o que mostrar ou esconder, dizer ou omitir. Não temer o ridículo e confiança para sustentar em alto nível os voos atrevidos. Essas são características que fazem de O Que se Move uma promissora estreia de Caetano Gotardo (Areia, O Menino Japonês). Digo promissora mesmo, não dessas legitimações apressadas que nós da crítica por vezes nos sentimos tentados a executar.

Não fosse um adjetivo surrupiado muitas vezes para a defesa de um cinema picareta, “sensível” seria a primeira qualidade a se ressaltar no longa. Prefiro, então, concentrar-me na solidez do conjunto, o que falta a bons filmes de estreia vistos neste ano, tais como Boa Sorte, Meu Amor, Eles Voltam e As Horas Vulgares.

Essa solidez está fincada na dramaturgia – outro elemento tão maltratado pelo cinema brasileiro. Há também um trabalho casado de direção e fotografia, posteriormente reforçado na montagem, que evidencia e justifica as escolhas.

Continue lendo a crítica de O Que se Move na Revista Interlúdio.

domingo, 21 de outubro de 2012

MostraSP: Brevíssimas notas sobre O Sacrifício

Tarkóvski dedica o filme a seu filho. Sintomático.

Que Tarkóvksi é a maior atração da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo não há dúvida. Nem precisa ser grande fã dele para constatar isso. A chance de ver seus filmes em película, numa sala de cinema, é algo único.

Pois os filmes de Tarkóvski têm um tempo particular e uma relação dos atores com o espaço e com o texto que encontram na telona e na comunhão tácita da sala de cinema o lugar certo para a apreciação. Melhor: para a fruição.

Deu para sentir isso ontem na sessão de O Sacrifício na Cinemateca. Mesmo sendo na sala Petrobras, que é menor que a BNDES, houve algo mágico. É preciso registrar: palmas para a Mostra e para o filho do Tarkóvski, que trouxeram as cópias em película – com exceção de Nostalgia –, num estado de conservação maravilhoso.

A cena da queima da casa, visto na tela de cinema, é algo estupendo, tal como o desespero de Aleksander em entrar e sair da ambulância, fugir da família, correr em direção à Maria, voltar para a ambulância.

Vi em DVD em casa pela primeira vez. Revê-lo no cinema me fez descobrir outro filme, me fez chegar no clímax em outro estado mental e emocional, mais sólido e sensível.

É por momentos como esse que a Mostra sempre fica na memória de cinéfilos mais velhos ou mais jovens.

Pena que a última sessão de O Sacrifício na Mostra é no Cinusp, na terça-feira, às 16h15, um lugar nem tão simples de chegar.

sábado, 20 de outubro de 2012

MostraSP: Ingrid Caven - Música e Voz, de Bertrand Bonello

Ingrid Caven, cantora e atriz de filmes do Fassbinder


Ingrid Caven, Música e Voz (Ingrid Caven, Musique et Voix, 2012), de Bertrand Bonello

Ingrid Caven, Musica e Voz não é um filme, mas um show filmado. As impressões deste texto se guiam por essa constatação: o filme-show corresponde mais a um desejo de Bertrand Bonello em registrar Ingrid no palco e dividir com o mundo essas imagens do que fazer um documentário ou retrato de uma artista. É um registro de urgência, já que Bonello a filmou na última apresentação do Cité de la Musique, em Paris.

Só não é de todo descabido procurar resquícios de filme na peça musical de Bonello porque a protagonista, Ingrid, não só é atriz, mas articula seu show como um pequeno teatro. Ela, muito branca, cabeleira loura, atirada no pretume do palco, fazendo malabarismos com a voz, ora lírica, ora artista de cabaré. Ela sozinha justifica o uso do termo cênico nesse filme-show.

A impressão é que Ingrid é uma personagem saída de Berlim Alexanderplatz. Nos momentos em que ela se entrega  ao calor do palco, há uma vaga lembrança da atmosfera, da volúpia e do desequilíbrio do epílogo da antológica série de Fassbinder.

Continue lendo a crítica de Ingrid Caven - Música e Voz na Revista Interlúdio.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Morre Koji Wakamatsu

Êxtase dos Anjos, de Koji Wakamatsu

Pausa na agenda e comentários sobre filmes da Mostra, em vias de começar. Morreu o japonês Koji Wakamatsu, de Êxtase dos Anjos e Anjos Violados. Uma fatalidade: morreu atropelado, aos 76 anos.

Dos filmes pinku eiga, só vi um, o Êxtase dos Anjos, trazido pelo Indie em 2008 - se não me falha a memória, em 2010 a Mostra trouxe também Caterpillar, que havia competido em Berlim.

Para quem se interessar em conhecer um pouco mais sobre os filmes de Wakamatsu, indico a entrevista que ele deu ao The Hollywood Reporter em 5 de outubro [leia aqui], e um texto (capenga) que escrevi sobre o Êxtase dos Anjos há quatro anos para o Cineclick. [leia aqui] - à época conhecia bem pouco do cinema japonês dos anos 60.

Em tempo: como bem lembrou o amigo Rodrigo Grota no Facebook, Wakamatsu morreu da mesma maneira que Angelopoulos: atropelado.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

MostraSP: Cine Holliúdy e Robocop: o pai que dá o exemplo

Cine Holliúdy, de Halder Gomes, que será exibido na Mostra de Cinema de SP

Buscando na memória as reminiscências da sessão de Cine Holliúdy no Festival de Brasília, me veio a lembrança não só da paixão de Francisgleydisson, o protagonista, pelo cinema, mas seu esforço em dar o exemplo ao filho.

O longa de Halder Gomes será exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, esta é a razão para recuperar o filme na memória. Um filme que merece ser visto por diagnosticar, pela comédia, a precariedade de se fazer cinema no Brasil.

Mas esse aspecto eu deixo para ser comentado no texto da Revista Interlúdio, a ser publicado pela semana – aliás, boa parte da minha cobertura da Mostra estará por lá. A razão do post é a questão dos laços familiares e o exemplo ao filho.

Francisgleydisson briga com o poder da televisão numa cidadezinha (o filme se passa nos anos 1970) e luta para manter seu cineminha aberto. Lá passa filmes de kung-fu em cópias precárias. Cabra arretado, ele persiste num cenário adverso.

Em boa parte pelo amor ao cinema, mas não só. É a necessidade em se fazer exemplo para o filho, dando sustentação real aos sonhos do garoto, que serve também de combustível na travessia de Francisgleydisson. É aí que Cine Holliúdy, uma comédia chanchadeira, e Robocop, obra-prima de ação de Paul Verhoeven, se encontram.

É por saber que o filho tem como herói um policial de seriado que devolve com malabarismo de caubói a arma ao coldre que o também policial Murphy se arrisca a encarar os bandidões sozinho. E paga por isso. Perde não só seu corpo e sua autonomia como ser humano, mas especialmente a família.

Em ambos os filmes, o exemplo paterno é um poderoso subtexto. E ambos também compartilham de narizes torcidos. Robocop porque muitos ainda não conseguem aceitar que filmes de ação também são obras-primas; Cine Holliúdy (que não é uma obra-prima, não exageremos) por parecer fútil e apenas “engraçado” nas suas peripécias.

São filmes que não merecem ficar no limbo.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

MostraSP: a minha (um rascunho)

A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo está chegando. Começa quinta-feira com o No, do Pablo Larraín (de Tony Manero e Post Mortem), cineasta que não me desperta muitos amores. Há delícias para se ver este ano, Tarkóvski em tela grande é a principal delas.

Este ano, o clima de Fla-Flu entre o Festival do Rio e a Mostra está mais acirrado – o que entrou lá não veio para cá, à exceção de alguns brasileiros e do Tabu, de Miguel Gomes, que terá uma retrospectiva. O Globo fez uma matéria boa sobre a disputa, acho que foi Carlos Helí quem escreveu.

(um pitaco: acabo de voltar de mais uma edição do Festival do Rio. A cada ano as diferenças de perfis ficam mais nítidas. Se no Rio, por exemplo, faz sentido a crítica ao oba-oba e badalação, especialmente por conta das pré-estreias na Première Brasil, é o evento carioca que tem topado abraçar retrospectivas de autores que ainda precisam brigar por seu quinhão de importância, casos de Argento e Carpenter. Mas um comentário mais apropriado teria de se estender na questão e não é esse o caso deste post).

A impressão é que a programação dos inéditos está menor – o que não é necessariamente prejudicial, já que em muitos anos a Mostra expandiu os filmes exibidos, mas também o número de coisas ruins. Há mais homenagens, retrospectivas e exibições especiais – Tarkóvski, Gomes, Shibuya, Loznitsa. Mesmo assim, temos inéditos que merecem ser conferidos, seja para confirmar que dali não sai nada (Xavier Dolan) ou ir de olhos fechados sabendo que dali sempre sai coisa boa (Manoel de Oliveira).

Abaixo, um rascunho da minha programação com os filmes que pretendo assistir (há ainda lacunas a serem preenchidas) na primeira semana da Mostra -- não incluo os filmes do programa Novos Diretores, que verei também por conta do júri da Abraccine.

A lista prévia fica como dica para quem precisar de uma mãozinha para se organizar no caos (ah, aceito recomendações também!):

– Do Tarkóvski, O Sacrifício, Solaris, A Infância de Ivan, Andrei Rublev

– Do Miguel Gomes, os curtas e A Cara que Mereces. Tabu já assisti no Rio e Aquele Querido Mês de Agosto (do qual ainda gosto mais que Tabu) revi recentemente.

Ingrid Caven, Música e Voz, do Bertrand Bonello. Me parece um filme menor que L'apollonide – Os Amores na Casa de Tolerância, mas estou curioso para ver o olhar de um diretor com forte pegada musical sobre uma cantora/performer.

O Lago Balaton, de Péter Forgács. Perdi sua retrospectiva do CCBB. Ao menos na Mostra verei um filme dele.

O Que Se Move, de Caetano Gotardo. Gosto de seus curtas (à exceção do recente Os Barcos), quero ver como fará a transição para o longa.

Rio, de Ryuchi Hiroki. Não conheço seus filmes, mas este post de Marcelo Ikeda no blog Cineclausofilia me chamou a atenção.

Super Nada, de Rubens Rewald. Acho Corpo um filme regular e Esperando Telê um divertido não-documentário.

O Gebo e a Sombra, de Manoel de Oliveira. Precisa justificar?

Mar Calmo, de Volker Schlöndorff. Acho que às vezes tendemos a diminuir o valor dos filmes dele.

Headshot, de Pen-Ek Ratanaruang. Recomendação do amigo cinéfilo David Libeskind Sirota.

Reality, de Matteo Garrone. Vamos ver se o diretor de Gomorra é bom mesmo ou só fogo de palha.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Morre Tonino Guerra, roteirista de Antonioni e Fellini

Tonino Guerra escreveu Trilogia do Silêncio de Antonioni

 A Cinecittà News informa que morreu Tonino Guerra, roteirista da Trilogia da Incomunicabilidade de Antonioni (A Aventura, A Noite, O Eclipse) e da fase mais próxima do final de Fellini (Amarcord, E la nave va, Ginger e Fred).

Óbvio que a morte de Tonino Guerra é uma grande perda para o cinema, mas a maneira mais justa de homenageá-lo é, além de render textos elogiosos e (re)apresentá-lo aos leitores, redescobrir seu trabalho em parceria não só com Antonioni e Fellini, mas também com Monicelli, Tarkovski e os Irmãos Taviani. Há também seus livros para serem lidos.

Depois de Theo Angelopoulos, 2012 resolveu provocar outra baixa de peso no cinema (a propósito, Tonino Guerra também trabalhou com Anghelopoulos em alguns filmes, entre eles o mais recente A Poeira do Tempo).

Pra recordar, a cena final de O Eclipse:

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Morre Theo Angelopolos, de A Poeira do Tempo

Angelopoulos em Cannes com a Palma de Ouro por Uma Enternidade em um Dia

Atropelado, vejam só, enquanto buscava uma locação para O Outro Mar, filme que lidaria com a crise na Grécia. O mestre grego Theo Angelopolous se vai, dois anos e meio depois de ter na Mostra de SP uma grande retrospectiva de seus longas.

O cinema de Angelopolous é peça-chave para entender a formação da Grécia. Alguns links para se entender o diretor de A Poeira do Vento:

Entrevista a Luiz Joaquim, do Cinema Escrito (clique na aba entrevistas e busque na página pela matéria)

Perfil do The Guardian (UK) com a estética do cineasta e seu projeto inconcluso.

Pequeno perfil com fatos e prêmios da carreira de Angelopoulos







sábado, 15 de outubro de 2011

Leon Cakoff, a alma da Mostra: memórias de um cinéfilo

Tarefa muito difícil escrever sobre Leon Cakoff. A idade não me permitiu estar in loco quando, muito antes do compartilhamento de filmes por torrent e a cinefilia de internet, a Mostra trouxe filmes então raríssimos e de nacionalidades exóticas. Sem legenda. A urgência de ver cinema naquele momento só me é trazida por relatos de amigos.

Também não posso falar sobre Leon numa perspectiva pessoal: só o conheço como “homem de cinema”. Conversar mesmo só uma vez, meio en passant, no jantar da crítica na Mostra de 2010, esforço da Margarida Oliveira, a Margô, em reunir a um grupo que geralmente está disperso na correria da Mostra.

Nos trombamos em corredores, intervalos de sessões e rodas de amigos em comum. Ele não sabia quem eu era. Em um momento, porém, atravessei sua vida de maneira cômica: o acidente no debate com Wim Wenders.

Um dos preferidos de Leon, o alemão, que tenho a sensação de ser uma presença constante na Mostra, deu uma entrevista coletiva sobre sua exposição fotográfica. Na plateia, a senhora Teruyo Nogami, assistente de Akira Kurosawa, em São Paulo para lançar À Espera do Tempo – Filmando com Kurosawa.

Acaba o debate, “obrigado” com sotaque alemão, aplausos etc. Atrás de mim, a senhora Nogami tropeça e, num reflexo espalhafatoso, agarro-a e deixo seu corpo desabar sobre o meu. “Arigatô, arigatô”, diz ela. Sua tradutora agradece. Renata de Almeida, codiretora da Mostra, também agradece. Leon agradece. Salvei a memória viva do cinema japonês, brinco. Rimos e nos vamos, a correria nos chama.

Esta foi a única vez que nos “relacionamos” pessoalmente. De resto, sempre foi uma relação unilateral entre eu e sua cria, a Mostra. É sobre esta que pretendo falar: o compartilhamento do cinema e, agora, a orfandade da cinefilia.

Há cinco edições

Cinéfilo tardio que tateou por cinematografias às escuras, fui entender o que significava a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo aos 20 anos, três décadas após o surgimento da Mostra. Foi a edição do pôster vermelho.

Cego a uma cinefilia mais aprumada, perdi, porém, a retrospectiva da obra de Joaquim Pedro e a retrospectiva do cinema político italiano, período que só viria a descobrir três anos depois por meio da paixão de Carlos Reichenbach.

Veio a edição de 2007, a do pôster com Babenco, cujo O Passado me frustrou bastante. Tivemos a linda sessão de Cartola: quando a tela ficou preta por quase um minuto, o público começou a xingar achando se tratar de problema na projeção. Era, porém, um recurso narrativo de Hilton Lacerda e Lírio Ferreira. Desci a rua Augusta atordoado pelo filme – à época cantava e estudava samba. Chorei.

Foi o ano também de Irina Palm, filme médio que adorei à época: meu primeiro debate sério. Logo após a sessão, ainda inebriado pela trama, um colega destruiu o filme. Fiquei atônito. Marcou-me também Vocês, os Vivos, de Roy Anderson, sueco que abriu os olhos para outro tipo de cinema. Foi neste ano também que a Mostra trouxe um dos autores que hoje me define e no qual me projeto, mas que descobri recentemente por meio do amigo e crítico Sergio Alpendre: o francês Jacques Nolot e sua obra-prima Avant que J’oublie.

Já ia me esquecendo: 2007 foi o ano também em que Claude Lelouch escreveu mais um capítulo da sua cruzada contra a Nouvelle Vague, à qual acusa (especialmente aos críticos que a tomam como farol) de ter ofuscado seu cinema de amor. Vê-lo falar de cinema na FAAP foi bem mais interessante que seu filme daquele ano, Crimes de Autor.

Assayas e Jia Zhang-ke

Em 2008, a edição do pôster de Tomie Othake, já escrevia mais assiduamente sobre cinema e tinha um discernimento mínimo. Deu para aproveitar muito mais a Mostra. Foi o ano que descobri Olivier Assayas, com Horas de Verão, e Jia Zhang-ke, com Em Busca da Vida.

Naquela mesma edição, a Mostra teve a coragem de trazer a íntegra de Berlin Alexanderplatz, programou uma linda projeção de O Poderoso Chefão e ousou ao colocar num patamar superestimado a obra de Pablo Trapero. Ano também em que Hugh Hudson mostrou um novo corte de Revolução Revisitada e reclamou do ostracismo.

Assistimos também a um cinema português vivo, representado por Aquele Querido Mês de Agosto. Reclamamos, todavia, da má qualidade das projeções em digital, tema que se tornou presente em todas as mostras desde então.

De Haneke a Kiarostami

Nos últimos dois anos, a Mostra continuou na mesma toada: superlotada, projeções de qualidade duvidosa e filmes apaixonantes. Em 2009, alguns realizadores tradicionais decepcionaram, como Almodóvar (Abraços Partidos) e Ang Lee (Aconteceu em Woodstock). Do outro, os velhinhos deram conta do recado: Resnais (Ervas Daninhas), Wajda (Alma Doce) e Manoel de Oliveira (Singularidades de uma Rapariga Loura).

Foi o ano em que vi bons filmes que imaginei reencontrar nos meses seguintes no circuito comercial, mas nunca chegaram a ser lançados. Casos de Lebanon e Fish Tank. Ano também em que descobri o valor de rever um filme do qual não se gosta à primeira vista, como Vincere, que se tornaria um dos grandes após revê-lo.

Em 2010, quase tive a honra de ver Manoel de Oliveira de perto. Convidado para a abertura da Mostra, ficou doente e mandou apenas uma mensagem em vídeo, bem humorada. Em compensação, vi uma obra-prima que defendo como tal com unhas e dentes: Cópia Fiel, apaixonante filme de Kiarostami. Porém, o evento mais marcante foi a exibição da inédita cópia na íntegra de Metrópolis: milhares de pessoas esparramadas no Gramado do Ibirapuera para ver um filme mudo de 1927! Eu estava lá e foi a Mostra que me proporcionou esta experiência.

Fechando o diário

Os cânones do jornalismo asséptico condenariam este texto de memórias construído em primeira pessoa. Às batatas, que se vão! Como cinéfilo, não há como falar de Leon Cakoff sem passar automaticamente à sua cria, a Mostra. E não dá para conversar sobre ela sem passar por memórias.

Cakoff foi um daqueles tipos que se salvaram por causa do cinema, que se enxergou e projetou em personagens, cenas e cineastas. Assim somos muito de nós, os cinéfilos, que passam a se dedicar à reflexão crítica e à troca de ideias no texto.

Falar dele – em que pese, advertem os amigos ou colaboradores, seu ar tratorista e autoritário nos bastidores – é recuperar as memórias de uma formação: de cinéfilo e de ser humano.

Esta é a memória que vou guardar.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Leon Cakoff: 1948-2011

Leon Cakoff, o fundador da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o evento de cinema que peitou a ditadura nos anos 1970 e 80, morreu nesta sexta-feira (14/10) em São Paulo. Leon brigava com um câncer há tempos.

Ainda estou sem palavras. Triste, sim. Estava redigindo a entrevista com Dario Argento que fiz aqui no Festival do Rio quando soube da notícia. É muito triste para um cinéfilo que tem em sua cria, a Mostra, o principal veículo fomentador da cinefilia.

Muitas de minhas memórias com o cinema estão lá, na Mostra. Descobrir cinematografias e autores, ter meu gosto contestado, iniciar a reflexão sobre cinema... várias coisas em que a primeira vez aconteceu na Mostra.

Escrevi um breve texto com memórias minhas que passam pelos filmes da Mostra - publicarei em algumas horas. Lamentamos, sim, sua morte. Porém, a maneira de honrarmos sua cria é ajudando a mantê-la e construí-la, coletivamente, apontando problemas e ressaltando sua força. É não deixar a peteca cair.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Para entender Xavier Dolan e “Os Amores Imaginários”


Depois de ter escrito sobre “Os Amores Imaginários” no Cineclick fiz uma rápida pesquisa na internet atrás de foto e me deparei com um texto da Carol Almeida, que escreve para o “Terra”, quando o filme de Xavier Dolan foi exibido no Rio.

Diz ela: “Pense num filme moderninho, casaquinhos da moda, vestidinhos retrô. Pensou? Agora duplique. Ou triplique. O fato é que o canadense 'Amores Imaginários', de Xavier Dolan, selecionado este ano da mostra Un Certain Regard, em Cannes, é certamente, entre todos os filmes do Festival do Rio, o título mais redondo para a turma que curte um combo cinema à noite + festa com trilha sonora indie na casa de algum conhecido (ou desconhecido) publicitário.”

Pimba, que capacidade de síntese. Ao ler isso entendi perfeitamente porque considero o filme de Dolan odioso, refrigerante de segunda linha que disfarça sua pobreza ao ser enlatado com uma pintura de Monet, filme pra ser consumido como se fosse combo de rede fast-food.

Pra começar, um esclarescimento: não acho o filme anterior de Dolan, “Eu Matei Minha Mãe”, uma lástima. Personagens histéricos, sim, mas de dores sinceras. No caso de “Os Amores Imaginários”, temos o suprassumo do cinema-consumo que se come e se bebe só na sala de cinema e, acabada a sessão, comenta-se com os amigos que é “legal”, “bonito”, “eu gostei”, “divertido”. Enfim, o cinema-nada.

Existem muitos filmes despretensiosos ou que almejam apenas divertir. Exemplo: “(500) Dias Com Ela”, mas com duas fortes diferenças: 1, tem-se personagens sinceros e espelhos de gente normal; 2, o diretor Marc Webb é tão sincero quanto seu filme, deixa claro que quer apenas divertir o espectador e não finge ser elaborado.

É odioso assistir a um filme como “Os Amores Imaginários”, cujos personagens saíram diretamente de páginas publicitárias, cuja narrativa depende de um irritante apêndice documental de tipos egoístas, cuja estética se apropria da vivacidade das cores pra vender ideias de plástico.

O filme de Dolan é tão falso quanto uma nota de três reais.

Michel Ciment e a crítica de cinema

Interessantíssima a experiência de assistir a “Michel Ciment: A Arte de Compartilhar Filmes” na Mostra. Ciment tem 72 anos, quase a idade de meu pai (76), é editor da revista “Positf” – rival histórica da “Cahiers du Cinéma” – e uma espécie de patrimônio cultural e cinematográfico francês.

No média-metragem, temos pessoas falando sobre Ciment e Ciment falando sobre cinema. Nada muito elaborado do ponto de vista formal, mas um filme que apresenta e sintetiza os principais pensamentos do crítico.

As ideias de Ciment sobre passado, presente e futuro do cinema, mas especialmente sua posição quanto à crítica, são fundamentais. Ainda mais para alguém jovem (25 anos), cuja cinefilia consciente foi despertada tardiamente (há cinco anos) e ainda está formando o olhar para o cinema.

No meu caso, ter a chance de ser confrontado com o pensamento de Ciment é fundamental. Não por colocá-lo num pedestal da perfeição intelectual e do bom gosto. Mas por duas razões: além do óbvio rigor por um filme, o Ciment apresentado pelo filme é um crítico intenso tanto para o amor quanto pelo ódio, algo que costumo defender; segundo: como alguém tem uma relação tão viva com o cinema mesmo depois dos 70?

O vigor de Ciment me lembrou a definição de Manoel de Oliveira para a busca de um artista: “a esperança é o que mantém a chama na busca pelo absoluto, que só vem na morte. O artista, a cada trabalho, busca o absoluto”. Talvez essa busca é o que ainda o deixe interessado em buscar novos realizadores (apesar de, por exemplo, eu não achar necessariamente um mérito Ciment ter defendido Lars Von Trier) é o que mantém viva relação Ciment/Cinema.

Para um jovem crítico de cinema, nascido nos anos 80 – momento de refluxo, convenhamos – é indispensável ter Ciment no coração. Um cara que dá a certeza de que a crítica de cinema é o que deve salvar o jornalismo cultural da mediocridade indicadora de consu

sábado, 23 de outubro de 2010

"Um Homem Chato" X "Vocês, os Vivos"

Conversando com meu amigo João Nunes, crítico do “Correio Popular”, reclamava como me repetia em alguns textos. Escrevendo hoje sobre o norueguês “Um Homem Chato”, que está na Mostra integrando a retrospectiva do cinema do país que põe traços no “o”, me peguei sendo repetitivo novamente.

Na minha leitura, “Um Homem Chato” usa os mesmos mecanismos cômicos do sueco “Vocês, Os Vivos”. Logo após a sessão, uma senhora disse à sua amiga: “É... um humor bem nórdico, né?”. Pois bem, ela tem razão.

Hoje percebi como esse tal “humor nórdico” me encanta! Tanto que todas as vezes que assisto a algum filme que tenha essa pegada (e geralmente eles falam do estado das coisas ou da condição humana), penso sempre em “Vocês, os Vivos” como medida de comparação.

No Festival de Curtas, em agosto, foi a mesma coisa. Numa sessão tinha a sequência “Eu Sou Helmut”, “Incidente no Banco” e “Esquerda Direita”. Advinha qual longa os três curtas me lembraram? Nem preciso falar!!!

Nenhum dos filmes com o tal “humor nórdico” (seja lá o que isso signifique) conseguiu superar a relação emocionante que tenho com “Vocês, os Vivos” – talvez porque o filme de Roy Anderson não é só engraçado, mas muito inventivo cinematograficamente, ousado na forma.

Mas, vira e mexe volto a “Vocês, os Vivos”. Que filmão!