Mostrando postagens com marcador Curta-metragem. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Curta-metragem. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Festival de Curtas no Crítica Curta



Leitores do Urso de Lata, breve aviso, que também serve como convite. O blog será pouco atualizado na próxima semana em decorrência do Festival de Curtas. Vou coordenar o projeto Crítica Curta, oficina de crítica que acontece durante o festival.

Os textos, produzidos por estudantes de audiovisual em São Paulo, serão publicados no Blog Crítica Curta [clique aqui e acesse]. Convido vocês a acompanhar diariamente as críticas por lá.

Até a próxima semana!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A Política ao Redor

O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho

Leitores do Urso de Lata, um convite: publiquei na revista Caros Amigos de fevereiro um artigo intitulado A Política ao Redor. Como o trocadilho antecipa, o texto busca pensar o que há de político em filmes da safra recente brasileira que têm em comum um desejo de embaralhar gêneros.

A análise segue alguns caminhos já rascunhados em textos tanto deste blog quanto para a Revista Interlúdio, Revista Preview e Cineclick. O texto dá mais atenção aos filmes O Som ao Redor e Recife Frio, de Kleber Mendonça Filho, A Cidade é uma Só?, de Adirley Queirós, Praça Walt Disney, de Renata Pinheiro e Sergio Oliveira, Doméstica, de Gabriel Mascaro, e Trabalhar Cansa, de Juliana Rojas e Marco Dutra.

Uma ausência sentida nesse conjunto de filmes: Câmara Escura, de Marcelo Pedroso. Já rascunhei algumas ideias sobre o curta neste texto [clique aqui] durante a cobertura do Festival de Brasília. É um dos filmes mais efetivos e criativos que fala sobre a cultura do medo. O veículo impresso tem limitações de espaço. No último corte, tive de eliminar a parte que falava do filme, infelizmente.


Realço o convite. O texto não está disponível na internet, então é preciso adquirir a revista nas bancas. Boa leitura.

Textos relacionados:
O Som ao Redor - Crítica
Doméstica - Crítica
A Cidade é uma Só? - comentário

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Melhores do Ano

Kylie Minogue em Holy Motors

Para os que não tem pressa com listas, estão dispostos a revisão e ao diálogo, dois avisos.

1: A Revista Interlúdio acaba de soltar sua lista de Melhores do Ano de 2012, elaborada pelos redatores fixos. Cada um dos longas do Top 10 ganha uma resenha. Para os que se divertem com listas, elas também estão lá.

O link para a lista de Melhores do Ano e suas respectivas resenhas está aqui. Para acessar as listas individuais, clique aqui. Escrevi sobre Cosmópolis e Drive, meus 3º e 9º colocados, respectivamente.

2: A Abraccine - Associação Brasileira de Críticos de Cinema também soltou seus premiados, segundo os votos dos associados. Deu Febre do Rato como Melhor Filme Brasileiro, A Separação como Filme Estrangeiro e O Duplo como curta-metragem.

O link para o post do blog da Abraccine está aqui.


terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Tiradentes2012: Mostra Panorama 3 e Ventos de Valls

Ventos de Valls, de Pablo Lobato

Se a segunda-feira começou bem com o debate sobre Doce Amianto à altura da vontade de cinema do filme de Uirá dos Reis e Guto Parente – com destaque para a exposição inicial do professor Denilson Lopes –, o restante do dia, salvo exceções, não confirmou expectativas.


Não incluo Sudoeste no grupo, já que visto e revisto em São Paulo. Mas tanto a Mostra Panorama – Série 3 e o primeiro longa da Mostra Aurora nivelam-se, no geral, por baixo.

O Tradutor tem vontade de enredo e emoção, mas é bastante desafinado em todas suas esferas de composição. Se fosse bem dirigido e com um roteiro menos problemático, seria ao menos um curta bonitinho, ainda que vazio pela premissa primária – espectador que deseja mudar a história do filme que vê.

Outros três curtas da sessão apostam na transformação da imagem particular, privada e em primeira pessoa ao status de imagem para o mundo, para todos. Só Mauro em Caiena consegue satisfazer a proposta satisfatoriamente: a narração dá mais substância afetiva às imagens sobre um lugar distante que acalenta uma alma em transformação.

Continue lendo o texto sobre a Mostra de Tiradentes na Revista Interlúdio.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Cinema Brasileiro: 1992-2012

A Erva do Rato, meu filme preferido dentro do Dossiê Cinema Brasileiro: 1992-2012

Recomendação de leitura para o fim de ano: o dossiê Cinema Brasileiro: 1992-2012 que a Revista Interlúdio, da qual sou um dos colaboradores, acaba de publicar.

Um material amplo que envolve tanto os colaboradores fixos quanto críticos convidados. O conteúdo se relaciona com várias frentes.

Para os que gostam de listas, a relação dos filmes preferidos de 51 votantes -- críticos, pesquisadores, jornalistas e professores. Há também um Top 20 dos filmes mais significativos, sendo cada um comentado por um texto.

O dossiê guarda também um conjunto de 12 ensaios sobre os mais diversos aspectos dentro do escopo -- as obras de Eduardo Coutinho, Beto Brant, Karim Aïnouz, Carlos Reichenbach, curta-metragem, horror, blockbuster etc.

Assino os textos sobre Madame Satã e Cinema, Aspirinas e Urubus, 5º e 6º, respectivamente, na minha lista, além de dois ensaios: um sobre a obra de Karim Aïnouz e outro um balanço do curta-metragem no referido período.

Convido vocês à leitura, ao diálogo. Clique aqui para acessar todos os textos.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Semana dos Realizadores: sobre filmes obrigatórios

A Cidade é uma Só?, o filme pop-político de Adirley Queiroz

Pela primeira vez desde 2009, quando foi criada no Rio de Janeiro, a Semana dos Realizadores: Voos do Cinema Brasileiro Contemporâneo aporta em São Paulo. Começa nesta quarta-feira (5/11) com a exibição do bom documentário Doméstica, de Gabriel Mascaro, às 19h no Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo, em forma de retrospectiva.

Há filmes obrigatórios, especialmente nesse contexto esquizofrênico do circuito exibidor, enxuto, reduzido, que atira certos filmes (especialmente os autorais brasileiros) em algum horário. Alguns dos filmes infelizmente terão sua passagem pelas salas de cinema restritas a festivais.

A Cidade é uma Só?, Estrada Para Ythaca, O Homem que Não Dormia, Praça Walt Disney, As Hiper Mulheres, Doméstica, Eles Voltam, Esse Amor que Nos Consome, Ovos de Dinossauro na Sala de Estar, Na Carne e Na Alma, Dona Sônia Pediu uma Arma para seu Vizinho Alcides, Pacific, Corpo Presente são alguns dos filmes que ilustram caminhos que as várias ramificações da produção brasileira seguem.

No meio da programação haverá debates, dos quais chama a atenção o do dia 12, “O que pode ser hoje um cinema político?”. E um par de aulas ministradas pelos críticos Francis Vogner dos Reis e Luiz Carlos Oliveira Jr., que falarão sobre os diálogos entre os filmes exibidos na Semana nos últimos quatro anos, traçando um contexto amplo que remonta ao começo dos anos 2000.

A programação está no site do CCBB-SP [clique aqui] e da Semana em São Paulo [clique aqui]. Abaixo, links para críticas, resenhas e comentários que escrevi -- publicadas em diferentes momentos veículos e, por isso mesmo, de profundidades distintas -- de alguns dos filmes que passarão na Semana.



sábado, 1 de setembro de 2012

O prazer de conversar sobre o filme (ou os tapinhas nas costas)



Acabou mais um Festival de Curtas. Alguns filmes realmente bons; outros bons, mas de plástico; outros equivocados, mas buscando um caminho; algumas bobagens e bombas. Festival possibilita também muitos encontros, conversas, trocas, leituras compartilhadas sobre filmes.

Mas para que haja o encontro de fato, não as performances corporais, é preciso ter muita paciência, porque nem sempre ele está ali, latente, disponível. É preciso aturar o caminho esburacado, as “conversas inteligentes”, os tapas nas costas, os “seu filme é do caralho” (quando o filme não é nada mais que OK) e afins. Conversas em festivais de cinema são como diamante: é preciso lapidá-las até chegar àquelas que realmente importam, que realmente acrescentam, que representam uma troca de mão dupla. Quando esses encontros genuínos acontecem surge algo mágico: o prazer de conversar sobre um filme.

Tive alguns encontros, dos quais destaco um: a discussão em torno de Quem Tem Medo de Cris Negão?, curta-metragem de René Guerra que acabou ficando entre os dez favoritos do público do Festival de Curtas. Foram duas conversas distintas: uma com dois amigos (eu gosto do filme, os outros têm restrições) e outra com um amigo que amou incondicionalmente o curta.

Na minha leitura, esse curta tem uma preocupação em não idealizar uma personagem cujos atos são extremamente contraditórios. Por isso, é muito bem vindo o reflexo estilhaçado das entrevistadas, que denotariam a consciência da impossibilidade em construir uma imagem inteira e íntegra, sem máculas. Cris Negão é amada e odiada. A representação que o filme escolhe me basta.

Já os outros dois amigos que gostaram menos do curta de René enxergam os mesmos mecanismos do espelho estilhaçado como uma distração desnecessária para a tensão iminente nas próprias entrevistas. Não se referem à tensão entrevistador-entrevistada, mas entrevistada-público, pois são travestis, todas lindamente montadas para a câmera. Os espectadores riem, mas do que, perguntam os amigos? É realmente da parte cômica ou há um riso nervoso? É essa tensão que esses amigos da prosa gostariam de ter desenvolvido mais na experiência de assistir ao filme, mas o dito cujo não deixou por conta do que eles chamaram de maneirismos.

No outro lado da corda, houve a conversa com um outro amigo que amou Quem Tem Medo de Cris Negão?. Para ele, o curta é uma homenagem não só à sua protagonista (assassinada em 2007 provavelmente por um desafeto colhido em anos de caftinagem), mas às próprias travestis. Tanto que o cenário que René é preto, jogando toda a atenção para elas, as personagens-protagonistas-entrevistadas. Além disso, na leitura deste outro amigo, o filme é, ao mesmo tempo, um documentário e um filme noir, pois refere-se à atmosfera do gênero para reconstruir a trama da morte de Cris.

Três leituras diferentes do mesmo filme. Três níveis distintos na escola do gostei-não gostei. Mas quatro pessoas com um interesse genuíno em compartilhar experiências com o mesmo filme, em vez de interpretarem o personagem d'Aquele que Dá o Tapinha nas Costas (bem comum entre os realizadores) e Aquele que é Agente do Convencimento (bem comum entre os críticos).

O problema é que se precisa tirar muita pedra do caminho para que esses encontros aconteçam.

Leia mais:
Crítica de Quem Tem Medo de Cris Negão?

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Quem Tem Medo de Cris Negão?, de René Guerra - Festival de Curtas

Cristiane Jordan, a Cris Negão, à direita, raramente fotografada

O mundo das travestis e o submundo do centro da cidade de São Paulo precisa urgentemente ganhar um longa-metragem, pois o curta Quem Tem Medo de Cris Negão? abre uma série de portas que, por conta da duração, não permitem serem penetradas a contento.


Explicando: Cris Negão, ou Cristiane Jordan, é talvez a última notória travesti cafetina, que ocupou nos anos 2000 o vácuo deixado pela morte de Andréia De Maio (uma das que atirou merecidas pedradas verbais em Afanasio Jazadji no antigo Programa Livre do Serginho Groisman e que ajudou Goulart de Andrade na famosa reportagem de 1985). Andréia, por sua vez, havia sucedido Jaqueline Blábláblá na caftinagem.

Aí veio Cris Negão, que me parece uma espécie de Hiroito das travestis ou um padrinho à moda da máfia italiana. É essa junção entre o amor e o medo por um poderoso chefão que o curta-metragem de René Guerra coloca como preocupação na construção de seu discurso.

Continue lendo a crítica de Quem Tem Medo de Cris Negão? na Revista Interlúdio.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Cotações – Festival de Curtas

23º Festival Internacional de Curtas-metragens de São Paulo

Primeiras cotações dos filmes assistidos entre sexta-feira e domingo dentro da programação do 23º Festival Internacional de Curtas-metragens de São Paulo. Dois deles – A Cidade e O Duplotêm textos na Interlúdio. Dos outros ou não houve tempo de escrever ou faltou interesse.

As cotações são: 1 – fraco; 2 – regular/interessante; 3 – bom; 4 – excelente; 5 – obra-prima

Odete
Programas Brasileiros – Mostra Brasil 5

Odete, de Ivo Lopes Araújo, Luiz Pretti, Clarissa Campolina (Brasil/CE, 2012)

4 – como tornar presente uma personagem ausente e fazer o filme grudar na cabeça por muito tempo.

Capela, de Gustavo Rosa de Moura (Brasil/SP, 2011)

3 – na revisão cresceu, mas ainda não entendo porque o espaço reservado para Manhã, Tarde e Noite no filme é tão desigual.

Quem Tem Medo de Cris Negão?, de René Guerra

3 – representar sem romantizar.

Monumento, de Gregório Graziosi

1 – OK, a estátua ganha vida etc. O que mais?

Quinha, de Caroline Oliveira (Brasil/PE, 2012)

2 – se fosse considerar só o academicismo da direção, a cotação seria bola preta. Mas há um roteiro razoável, desperdiçado por uma banalização de travellings, zoom, profundidade de campo, dolly etc.

A Cidade

Programas Brasileiros – Mostra Brasil 1

A Cidade, de Liliana Sulzbach (Brasil/RS, 2012)

4 – a revisão foi muito bem-vinda. Um achado sobre tratar a violência com as mais bonitas paisagens. [leia a crítica aqui]

Joelma, de Edson Bastos (Brasil/BA, 2011)

2 – irregular (aspecto acentuado pela revisão). Me parece que a falta de dinheiro prejudicou momentos cruciais no filme.

Fogo-Passou, de Ramon Batista (Brasil/PB, 2012)

2 – nada do filme colou em mim.

O Passageiro, de Bruno Mello (Brasil/RJ, 2011)

2 – filme-piada é assim: ou entra ou o filme não funciona. Fiquei com o segundo.

Dia Estrelado, de Nara Normande (Brasil/PE, 2011)

3 – bom o contraste do céu estrelado e a briga pela sobrevivência entre a família (e a animação é caprichada).

Através

Programas Brasileiros – Panorama Paulista 1

Os Barcos, de Caetano Gotardo e Thaís de Almeida Prado (2012)

2 – o mais fraco curta de Gotardo: o jogo de troca de perspectivas ficou ensimesmado.

Porn Karaoke, de Daniel Augusto (2011)

1 – até agora não saquei qual é a do filme.

Avalons, de Carlos Nogueira (2011)

3 – divertida brincadeira e inteligente a organização verticalizada do filme.

Através, de Amina Jorge (2012).

3 – numa sessão mais equilibrada provavelmente esse filme não seria tão bom quanto achei desta vez.

Corpo Cidade, de Gabriela Greeb (2012)

1 – filme?

Entre Lá e Cá, de Heloisa Passos

2 – a metáfora do rio que divide e o rito de passagem das adolescentes não me encantou.

Ser Tão Cinzento

Programas Brasileiros – Mostra Brasil 3

Três Vezes por Semana, de Cristiane Reque (Brasil/RS, 2011)

2 – mais um filme igual a outros tantos – com os mesmos clichês de como filmar o despertar da sexualidade (som e desfoque).

Deus, de André Miranda (Brasil/DF, 2011)

2 – outro filme-piada, mas melhor. Entrei no começo, mas me cansei com a repetição da piada.

Destimação, de Ricardo Podestá (Brasil/GO, 2012)

1 – bom ver um filme de Goiás circulando por um festival nacional, mas bem que alguém poderia ter enxugado esse roteiro.

Orwo Forma, de Karen Black e Lia Letícia (Brasil/RJ, 2012)

3 – não sou fã inconteste do flerte com a video-arte, mas gostei da provocação desse filme quanto à ideia de beleza da mulher (e a duração curtinha é inteligente).

Ser Tão Cinzento, de Henrique Dantas (Brasil/BA, 2011)

3 – mesmo na revisão, ainda acho o curta um pouco longo, mas me atrai a aproximação que ele faz de um filme desconhecido e o cenário que cria (projeções) para mostrar um momento obscuro.

Vestido de Laerte, de Cláudia Priscila e Pedro Marques (Brasil/SP, 2012)

Um problema na hora da exibição causou o cancelamento da projeção.

Oh Willy

Mostra Internacional 1

Switch, de Phoebe Hartley (Austrália, 2011)

1 – já não tenho mais paciência para filmes óbvios e “sensíveis” para adolescentes em momentos de aprendizado.

Como é Bonita a Manhã Japonesa, de Yuchi Suita (Japão, 2011)

2 – exercício regular de como trabalhar uma trama fora de quadro (o terremoto) usando pouquíssimos elementos.

O Piano, de Levon Minasian (Armênia/França, 2011)

3 – divertido, mas igual a muitos outros filmes que trabalham a herança soviética pelo viés do absurdo (vide Casamento Silencioso).

Oh, Willy, de Emma De Swaef e Marc James Roels (Bélgica/França/Países Baixos, 2012)

4 – eu que não entendo nada de animação achei esse curta bem bom. Baita roteiro.

Altos e Baixos, de Sabrina Sarabi (Alemanha, 2012)

1 – show de obviedades e “sacadas” visuais. Tudo pra chegar no plano final, o único que vale.

Vida de Roadie, de Pauline Gay (França, 2011)

1 – ver um filme como esse me dá a convicção de o curta-metragem brasileiro é zilhões de vezes melhor do que a produção mundial.

domingo, 26 de agosto de 2012

A Cidade, de Liliana Sulzbach - Festival de Curtas

A Cidade, ganhador do Prêmio da Crítica/Abraccine no É Tudo Verdade

A Cidade é um achado. Simples assim. Um curta que, ao ter em mãos um assunto para lá de intrigante, consegue estar à altura dele, ressignificá-lo pelos mecanismos do cinema. Escrever sobre A Cidade já é minar um pouco de seu poder de surpreender, pois parte de sua força vem justamente da revelação das origens da tal cidade.


O filme de Liliana Sulzbach é dividido entre um antes e um depois. Na primeira parte, imagens de um lugar paradisíaco, de beleza natural de encher os olhos. Neste lugar, que estranhamente é povoado por casas de arquitetura antiga, vivem velhos. Apenas velhos. Acompanhamos a rotina: duas senhoras tomam café e falam sobre uma terceira, que não voltará por causa de um problema na mão. Alguns jogam bocha. Outro busca o pão. Um alimenta os animais. E por aí vai: uma rotina de aparente normalidade num lugar com idosos.

Mas quem está atento passa a perceber leves rachaduras na organização daquele mundo. Um diálogo atravessado, um enquadramento priorizando partes específicas dos corpos, um incômodo pela sensação de que não há agentes externos interagindo com aquele mundo. Então, numa cena com diálogos reveladores, o filme tem seu divisor de águas, cresce e diz a que veio.

Continue lendo a crítica de A Cidade na Revista Interlúdio.

sábado, 25 de agosto de 2012

Começa o Festival de Curtas da Kinoforum

23º Festival Internacional de Curtas-metragens de São Paulo

Começou nesta sexta-feira a 23ª edição do Festival Internacional de Curtas-metragens de São Paulo, realizado pela Kinoforum. É a principal janela para o curta em festivais brasileiros, reunindo extensas mostras competitivas - nacional e internacional - além de programas paralelos.

Vou escrever sobre alguns filmes para a Revista Interlúdio [a página com as críticas pode ser acessada aqui]. A cobertura começa com O Duplo, de Juliana Rojas (Trabalhar Cansa), exibido na Semana da Crítica no Festival de Cannes em 2012.

Sabrina Greve, a protagonista de O Duplo, curta de Juliana Rojas

O Duplo (Brasil, 2012), de Juliana Rojas


Num momento de banalização da imagem é prazeroso observar uma obra com coerência, ainda mais quando caminha em evolução. Nos curtas de Juliana Rojas, seja nas incursões solo ou nas parcerias com Marco Dutra, há uma volta constante da cineasta a um universo cinematográfico que lhe é bastante familiar, o do Horror.

Olhando em retrospectiva desde 2003, quando fez O Lençol Branco com Dutra, não há um curta ruim na filmografia de Rojas. Há produções mais fracas (Vestida) ou menos interessantes (As Sombras). Não há enquadramentos equivocados ou um virtuosismo vazio da câmera que só chama atenção para si. Não há desperdícios ou fetiches.

O que se nota é uma precisão para lidar com a duração no formato curta-metragem, a sensibilidade de deixar que a essência da cena determine a feitura do plano e a inteligência em trabalhar com a sugestão, não a explicação – como na cena de Pra Eu Dormir Tranquilo em que a mãe pergunta para o filho “cadê os passarinhos?”, cuja resposta o espectador intui.

Continue lendo a crítica de O Duplo na Revista Interlúdio.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Cinema brasileiro 2: os curtas é que salvam

No texto abaixo sobre os postulantes a uma indicação brasileira ao Oscar, argumentei o baixo nível criativo dos longas-metragens de ficção lançados neste ano. Assim como o documentário tem proporcionado ótimas surpresas (Pacific e Diário de Uma Busca), existe um outro formato cuja média da produção é muito boa: os curtas-metragens.

Na terça-feira, o Canal Brasil anunciou o grande vencedor do prêmio de R$ 50 mil, escolhido pelos apresentadores. Deu uma obra-prima chamada Recife Frio, premiação merecida pelo diretor Kleber Mendonça Filho. O que encanta, porém, não é só o escolhido, mas os outros postulantes.

Cada um dos nove candidatos venceu, em um festival diferente, o Prêmio Aquisição do canal, cujo júri é sempre formado por jornalistas e críticos. Da lista, pelo menos quatro são grandes filmes: A Amiga Americana, de Ivo Lopes Araújo e Ricardo Pretti; Bailão, de Marcelo Caetano; Faço de Mim o que Quero, de Petrônio Lorena e Sergio Oliveira; Haruo Ohara, de Rodrigo Grota; além do próprio Recife Frio.

Outro curta-metragem é bom e tem charme, O Filme Mais Violento do Mundo, de Gilberto Scarpa. Infelizmente, não vi os outros três candidatos: Imagine uma Menina com Cabelos de Brasil..., de Alexandre Bersot; Magnífica Desolação, de Fernando Coimbra; e Mãos de Outubro, de Vitor Souza Lima.

De uma lista de nove filmes, cinco integram o time dos grandes, aquele que permite criar uma série de leituras, discussões. São aqueles que nos despertam paixões – já declarei meu amor aos cinco curtas em momentos diferentes. Mais da metade.

Acompanhando a produção brasileira deste ano, solidifica-se uma sensação de que existem muito mais curtas que permanecem após a sessão do que longas. Pretendo desenvolver essa comparação no fim do ano em textos de balanço, mas, por ora, compartilho essa sensação.

Com um porém: existe, sim, uma produção viva em longa-metragem, só que ela ainda passa à margem. São os filmes feitos por coletivos regionais, geralmente com poucos recursos etc. Muitos deles estrearam por meio da Sessão Vitrine. É esse escopo da produção brasileira que mais me interessa e, acredito, deveria ser mais observada não só pelo público, mas também pela crítica.

Se esse cinema florescer ainda mais e ampliar suas janelas de diálogo, aí sim a média da qualidade da produção em longa brasileiros vai dar orgulho.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Os curtas publicitários de Paulínia

-- de Paulínia

Três dias de competição e uma das mais mal sucedidas seleções de curtas-metragens entre os grandes festivais de cinema nos últimos anos. Após a exibição de seis produções, digo que temos apenas um Filme em letra maiúscula: Tela, de Carlos Nader, interessante ponto de interrogação no próprio formato e em como colocá-lo para o público na sala de cinema, não só em festivais.

Fora esse, restam boas intenções (A Grande Viagem e O Cão) que não escapam de um discurso moralista, ou conteúdo audiovisual regado de toques menos (Trocam-se Bolinhos por Histórias de Vida) ou mais (Café Turco e Polaroid Circus) publicitários. Vendem-se ideias simpáticas, no caso do primeiro filme, ou superficialmente políticas, no caso do segundo.

À exceção do filme de Nader, todos contam histórias com começo, meio e fim, sem percalços, terminando com uma lição de moral. Todos com tique da publicidade, enquadramentos simétricos, montagem esperta, iluminação horrivelmente asséptica (que em Trocam-se Bolinhos é berrante). O mais estranho é certamente Polaroid Circus [foto] em que uma belíssima mulher passeia pelas ruas de Paris tirando fotos e se relacionando com a cidade.

No papel, parece até interessante, mas na telona torna-se um longo comercial de vários produtos: lingerie, cartão postal de uma cidade, fotografia de moda, maquiagem, da modelo e por aí vai. É realmente estranho um filme como esse num festival de cinema como o de Paulínia, que atrai tantas atenções.

Se até a quinta-feira a seleção de curtas-metragens continuar tão inferior à de longas, algo precisará ser repensado em 2012 em relação à curadoria. No ano passado, Paulínia exibiu grandes curtas (Tempestade e Eu Não quero Voltar Sozinho são alguns deles). Não pode ser problema de safra: desde Tiradentes, que inaugura o calendário de festivais, temos assistido a bons filmes.

Não dá para exibir longas do nível de O Palhaço ou Uma Longa Viagem, que possibilitam várias possibilidades de leitura, ao lado de curtas pífios Polaroid Circus, uma sub-versão marqueteira de A Bela Junie.

*Heitor Augusto viajou à Paulínia a convite do festival e também realiza a cobertura para o Cineclick.