segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Vencedor de três Globos de Ouro, The Artist ganha distribuição no Brasil

No Brasil, O Artista vai estrear em 10 de fevereiro
 
Cerca de dois meses antes da cerimônia do Globo de Ouro, já era esperado que The Artist, o saudosista filme que homenageia a Hollywood dos anos 1920, seria um forte candidato a ganhar na categoria Melhor Filme – Musical ou Comédia.

A premiação de domingo (15/1) confirmou as expectativas. O filme de Michel Hazanavicius levou o prêmio principal, Ator e Trilha Sonora. Com as indicações na premiação do Sindicato dos Produtores (PGA) e dos Atores (SAG), The Artist chega forte ao Oscar.

O que surpreendia nos bastidores aqui no Brasil é que, apesar do zum-zum-zum em torno do longa, ele ainda não havia sido adquirido por uma distribuidora brasileira. Nesta segunda-feira (16/1) pela manhã, a Paris Filmes anunciou que vai lançar o filme por aqui. A estreia está prevista para 10 de fevereiro, 19 dias após o anúncio dos indicados ao Oscar e 16 dias antes da premiação da Academia.

Nos bastidores, comentava-se que o preço dos direitos de distribuição foi o responsável por causar a demora na aquisição do filme, a ser lançado no Brasil como O Artista. Com o sucesso da Saga Crepúsculo, a Paris Filmes tem incrementado a qualidade dos títulos de seu catálogo e avançado inclusive sobre os títulos considerados “filmes de arte” – casos dos dois últimos filmes de Woody Allen além do mais recente de Pedro Almodóvar.

Assista ao trailer de O Artista:

GLOBO DE OURO: Em premiação dividida, The Artist confirma favoritismo e Os Descendentes abocanha prêmio

Jean Dujardin, premiado como Melhor Ator, em cena de The Artist
 
Ricky Gervais prometeu, mas não cumpriu. Mestre de cerimônias do 69º Globo de Ouro, que consagrou Os Descendentes e The Artist [veja lista completa abaixo], o comediante britânico foi tão ácido quanto em 2011, mas não tão engraçado.

Mas por que começar falando do apresentador num evento sobre cinema? Simples: porque como em qualquer entrega de prêmios, as surpresas são poucas e os discursos ora políticos, ora quero-agradecer-todo-mundo-que-é-importante-na-minha-vida-e-elogiar-meus-concorrentes. Um apresentador capaz de manter a audiência acordada durante as três horas de cerimônia é algo fundamental. Torna a brincadeira menos enfadonha, os aplausos menos falsos e a hipocrisia menos efetiva.

A melhor de suas piadas foi a que justamente falou de cinema. “Missão Madrinha de Casamento provou que as mulheres podem ser tão grosseiras quanto os homens”. De resto, uma cutucada no amigo Johnny Depp (“o homem capaz de vestir qualquer coisa que Tim Burton mandar”) e outra em Madonna (“ela é quase virgem”, em referência à canção Like A Virgin), que rebateu: “Se eu sou uma quase-virgem, por que você não vem aqui e faz algo com isso? Faz tempo que não beijo uma mulher. Na televisão”.

Os Descendentes: o filme independente do ano nos EUA


Premiação

A Hollywood Foreign Press Association (HFPA), que elege os vencedores do Globo de Ouro, decidiu espalhar os prêmios das categorias de cinema neste ano.

As três principais categorias – Filme (Drama), Direção e Roteiro – foram para três filmes diferentes. Respectivamente: Os Descendentes, que deve ser mesmo o filme independente do ano nos Estados Unidos; Martin Scorsese, o único prêmio de A Invenção de Hugo Cabret da noite; e Woody Allen (que se deu ao luxo de não ir à cerimônia), que volta a ter seu principal atributo (o roteiro) reconhecido.

Entre os musicais ou comédias, não teve nem graça. Os três prêmios a The Artist (Filme, Ator e Trilha Sonora) mostram que voltou-se a cultivar o saudosismo num cenário de produção cada vez mais hostil à realização arriscada – situação que precisa ser mais estudada, seja com o filme de Michel Hazanivicius, Super 8 ou Cavalo de Guerra.

Esperava-se que os membros da HFPA tivessem mais carinho com Histórias Cruzadas e O Homem que Mudou o Jogo. O primeiro perdeu onde era favorito (Melhor Atriz, já que Meryl Streep abocanhou um prêmio que poderia tranquilamente ir para Viola Davis) e ganhou no inesperado (Octavia Spencer como Atriz Coadjuvante, enfrentando candidatas fortes).

Já o filme sobre a grande revolução no beisebol saiu de mãos abanando. Na categoria onde mais tinha chance, o Roteiro, perdeu para Meia-noite em Paris. No meio do caminho tinha uma (bem-vinda) pedra. Como disse Aaron Sorkin, corroteirista de O Homem que Mudou o Jogo no Twitter, “é uma honra perder para Woody Allen”.

Me parece que Melhor Atriz – Drama foi a categoria que mais concentrou talentos dos indicados ao Globo de Ouro. Mesmo em filmes médios como Albert Nobbs, Glenn Close, Viola Davis, Rooney Mara, Meryl Streep e Tilda Swinton capricham.

Já Melhor Filme em Língua Estrangeira é a que menos teve bons filmes. E deve ser recebido com felicidade o prêmio ao iraniano A Separação, de longe o melhor de todos. Se exagerou nas indicações ao tenebroso Missão Madrinha de Casamento, a HFPA teve coragem de não premiar autores como Almodóvar ou os Irmãos Dardenne, indicados por filmes inferiores a outros trabalhos.

Momentos marcantes

No geral, a cerimônia do 69º Globo de Ouro – importante, mas não uma prévia tão efetiva do Oscar quanto os prêmios dos sindicatos de categorias – foi morna. Um erro no teleprompter testou a versatilidade dos apresentadores.

O trecho mais emocionante foi a troca de afagos entre o lendário ator Sidney Poitier e Helen Mirren, apresentadores do prêmio Cecil B. DeMille, ao agraciado Morgan Freeman. Quanto Poitier subiu ao palco, o silêncio se estabeleceu. O Beverly Hilton Hotel parou para ouvir aquele tom grave de voz. “Você é um príncipe da profissão que escolheu”, diz Poitier. A cerimônia podia ter acabado ali.

Sobraram algumas piadas com o sotaque latino do espanhol Antonio Banderas e da mexicana Salma Hayek e do acento francês da equipe de The Artist. Gervais também ironizou Eddie Murphy, que desistiu de apresentar o Oscar em fevereiro após a saída de Brett Ratner da produção da cerimônia. “Se uma pessoa diz 'não' para o Oscar e 'sim' para Norbit... bem...”.

Esclarecimento

Este blogueiro não acompanha um número suficiente de séries televisivas e decidiu se abster de qualquer comentário da premiação de TV da cerimônia.

Veja a lista completa dos vencedores do 69º Globo de Ouro:

Cinema

Melhor Filme (Drama)
Os Descendentes, de Alexander Payne

Melhor Filme (Musical ou Comédia)
The Artist, de Michel Hazanvicius

Melhor Diretor
Martin Scorsese, de Hugo

Melhor Ator (Drama)
George Clooney, de Os Descendentes

Melhor Atriz (Drama)
Meryl Streep, de A Dama de Ferro

Melhor Ator Coadjuvante (Drama)
Christopher Plummer, de Toda Forma de Amor

Melhor Ator (Musical ou Comédia)
Jean Dujardin, de O Artista

Melhor Atriz Coadjuvante
Octavia Spencer, de Histórias Cruzadas

Melhor Atriz (Musical ou Comédia)
Michelle Williams, de Sete Dias com Marilyn

Melhor Roteiro
Woody Allen, de Meia-noite em Paris

Melhor Animação
As Aventuras de Timtim: O Segredo de Licorne, de Steven Spielberg

Melhor Trilha Sonora
Ludovic Bource, de The Artist

Melhor Filme em Língua Estrangeira
A Separação, de Asghar Farhadi

Melhor Canção Original
Masterpiece, de Madonna, Julie Frost, Jimmy Harry

Televisão

Melhor Minissérie ou Filme Feito para a TV
Downton Abbey Masterpiece Classic

Melhor Série de TV (Drama)
Homeland

Melhor Série de TV - Musical ou Comédia
Modern Family

Melhor Ator de TV (Drama)
Kelsey Grammer, de Boss

Melhor Atriz de TV (Drama)
Claire Danes, de Homeland

Melhor Ator de TV (Musical ou Comédia)
Matt LeBlanc, de Episodes

Melhor Ator de Minissérie ou Filme Feito para a TV
Idris Elba, de Luther

Melhor Ator Coadjuvante (Série, Minissérie ou Filme Feito para a TV)
Peter Dinklage, de Game of Throns

Melhor Atriz Coadjuvante (Série, Minissérie ou Filme Feito para a TV)
Jessica Lange, de American Horror Story

Melhor Atriz de Minissérie ou Filme Feito para a TV
Kate Winslet, de Mildred Pierce

Melhor Atriz de TV (Comédia ou Musical)
Laura Dern, de Enlightened

sábado, 14 de janeiro de 2012

Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras - Crítica

Robert Downey Jr. volta como o inspetor Holmes na adaptação de Guy Ritchie
 
Assim como no primeiro filme de Guy Ritchie que se apropriou do personagem de Sir Arthur Conan Doyle, é perda de tempo procurar o que resta da literatura do escocês no cinema de Ritchie. Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras, como sintomaticamente definiu um amigo crítico de cinema após a exibição do filme à imprensa, poderia se chamar A Identidade Holmes ou James Holmes, em referência à franquia com Matt Damon ou a do agente 007.

Quem for a O Jogo de Sombras procurando um resquício da elegância da escrita de Doyle no desenrolar do mistério na trama vai encontrar um filme de Guy Ritchie. Ou seja, aventura de estética cartunizada, com pitadas de humor e alguma porradaria.

E não há novidade alguma nisso, pois O Jogo de Sombras é igualzinho ao primeiro filme. Como não há a surpresa causada em 2009 pelo olhar pop de Ritchie ao inspetor de Coyle, a sequência tenta compensar inserindo novos personagens – sim, isso se tornou uma condição sine qua non de qualquer franquia.

Continue lendo a crítica de Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras na Revista Interlúdio.

Assista ao trailer do filme de Guy Ritchie com Robert Downey Jr.




Veja salas e horários em que o filme está em cartaz

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O Vendedor - Crítica

O veterano Gilberte Sicotte protagoniza o drama canadense O Vendedor

 O Vendedor* não é apenas um filme sobre o fim da estrada para um senhor, mas também um comentário sobre a finitude de um modelo financeiro. São essas duas narrativas que se justapõem no drama de estreia do canadense Sébastien Pilote, indicado ao Grande Prêmio do Júri do Festival de Sundance em 2011.

Pois em ambos relatos (o micro e o macro) o que está em jogo é a vontade (e a habilidade) de uma pessoa (ou de uma sociedade) em sobreviver quando o roteiro das próprias vidas, que até então se acreditava imutável, toma outros rumos bruscos. Quando a turbulência vier (e ela sempre chega), Marcel (Gilbert Sicotte) será arrastado ou fugirá da correnteza?


Assista ao trailer de O Vendedor:




*O Vendedor, distribuído pela Lume Filmes, estreia nesta sexta-feira (13/1) nas cidades de Porto Alegre (RS) e Salvador (BA).

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Com quatro longas e dois curtas, Brasil terá presença maciça no Festival de Roterdã

 Sudoeste, de Eduardo Nunes, vencedor de Melhor Fotografia no Festival do Rio 2011
 
Praça Walt Disney
 Fato raro em qualquer festival europeu de grande porte: dois longas-metragens brasileiros – Sudoeste e o O Som ao Redor – estarão na competição principal. Trata-se de Roterdã, na Holanda, um dos mais interessantes eventos entre os comprometidos com produções de maior fôlego, que começa em 25 de janeiro.

Não para por aí: os longas Febre do Rato, multipremiado no Festival de Paulínia, e o inédito Rua Aperana, 52 foram selecionados para a mostra paralela Spectrum, que também contará com outro curta-metragem brasileiro, Praça Walt Disney, eleito pela Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema) como o Melhor Curta de 2011.

Na competição internacional de curtas-metragens, outro brasileiro, o paranaense Ovos de Dinossauro na Sala de Estar, que este blogueiro colocou na lista de Melhores do Ano.

Com isso, o 41º Festival de Roterdã abre espaço, na competição pelo Tiger Awards, para brasileiros nos seus primeiros (Eduardo Nunes, de Sudoeste) ou segundos longas (Kleber Mendonça Filho, de O Som ao Redor, inédito). Nas mostras paralelas, diretores mais experientes como Júlio Bressane (Rua Aperana, 52, que o site do festival define como “um musical sobre uma rua do Rio de Janeiro”) e Cláudio Assis (Febre do Rato).

Ovos de Dinossauro

Nos curtas, Rafael Urban entra na competição e Renata Pinheiro/Sergio Oliveira na mostra paralela.

Além da produção contemporânea, o Festival de Roterdã abre espaço para um período muito particular do cinema brasileiro: os filmes da Boca do Lixo. A retrospectiva The Mouth of Garbage vai jogar luzes na produção da Boca, cujo de ponto era o centro de São Paulo. Produções baratas e  rodadas rapidamente, onde se misturavam as pornochanchadas de apelo sexual ao público com outros realizadores já de estilos consolidados.

A The Mouth of Garbage, cuja curadoria é de Gabe Klinger, brasileiro, mas que saiu daqui muito cedo para morar nos Estados Unidos, vai colocar Sganzerla ao lado de Claudio Cunha, Candeias com Ody Fraga, Jairo Ferreira com Jean Garret. Uma ótima revisão, programada por um festival holandês (!) de um período que poucos aqui no Brasil decidiram olhar com atenção para separar o joio do trigo – os dossiês da Revista Zingu! são um raro esforço.



O último longa de Claudio Cunha estará em Roterdã

O fato é que o Festival de Roterdã programou, para a edição 2012, alguns filmes muito especiais. Ovos de Dinossauro na Sala de Estar e Praça Walt Disney são dois filmes inteligentíssimos que documentam sem caretice. Sudoeste (que não me encantou na primeira exibição no Festival do Rio em outubro) é um filme com rigor formal absurdo. Febre do Rato é pura fruição, pulsão sexual e criativa.

A participação brasileira com seis filmes contemporâneos, além da retrospectiva da Boca do Lixo (não foram anunciados todos os títulos ainda), supera os números da presença tupiniquim em outros festivais internacionais, especialmente o de Cannes que, na última década, teve uma média de quatro filmes brasileiros por edição. Porém, concentrados nas mostras paralelas.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Termômetro para o Oscar

A premiação do Sindicato dos Produtores, real termômetro do Oscar apesar de muitos darem um valor exagerado ao Globo de Ouro, divulgou os indicados a Melhor Filme [veja os filmes aqui]. Da lista é possível pegar algumas pistas para as possíveis indicações da Academia e começar o jogo de “chutologia” que é prever o Oscar.

As estatísticas dos últimos dez anos indicam que cerca de 80% dos indicados à premiação do Producers Guild of America (PGA), o Sindicato dos Produtores, também são lembrados no Oscar. Quando os membros da Academia indicavam cinco longas à Melhor Filme, três deles geralmente já haviam sido lembrados no PGA. No formato de dez filmes indicados, estilo adotado nas duas últimas premiações, oito filmes tinham passado pela lista do PGA.

A “chutologia” para o Oscar deste ano, porém, está mais complicada. Dada as novas regras, a categoria Melhor Filme pode ter entre cinco e dez indicados, dependendo da quantidade de produções que atingiram o coeficiente mínimo de 5% como primeira escolha, na lista de dez das células de votação, dos votantes[leia esta matéria da CBS News e as regras no site da Academia para entender o quiprocó].

Sabemos também que quase nunca a lista da Academia traz ficções científicas, filmes de aventura ou escrachadas. Isso já me leva a prever que Missão Madrinha de Casamento (Bridesmaids), um dos dez do Sindicato dos Produtores, não será indicado ao Oscar. Tenho dúvidas se Meia-noite em Paris (Midnight in Paris), um Woody Allen que voltou a me alegrar, vai permanecer na lista da Academia.

Pela força que Spielberg tem, pelo menos um de seus filmes irá à categoria principal. Presumo que será adotada a escolha mais segura: Cavalo de Guerra (War Horse) em Melhor Filme, As Aventuras de Tim Tim (The Adventures of Tintin) em Melhor Animação.

Jean Dujardiin e Bérénice Bejo em cena de The Artist.

Dos dez indicados do PGA, e assumindo que o Oscar repetirá a quantidade de indicados, os candidatos fortíssimos são The Artist, Histórias Cruzadas (The Help), Hugo, O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball) e Cavalo de Guerra. Não tenho certeza quanto a Tudo Pelo Poder (The Ides of March), Os Descendentes (The Descendants) e Millenium – O Homem que Não Amavam as Mulheres (The Girl with the Dragon Tatoo).

Outros correm por fora, casos de Young Adult, de Jason Reitman (Amor sem Escalas) e o bom O Espião que Sabia Demais (Tinker Taylor Soldier Spy), de Thomas Alfredson (Deixa Ela Entrar). Já Sete Dias com Marilyn (My Week with Marilyn), Albert Nobbs e Precisamos Falar sobre Kevin (We Need to Talk About Kevin) devem ficar apenas com indicações nas categorias de atuação.

A falsa ciência da "chutologia" do Oscar terá os resultados confirmados ou confrontados em 24 de janeiro, quando serão anunciados os indicados a todas as categorias.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Missão Impossível, um espetáculo

Muita água passa por debaixo da ponte quando se trata de um filme como Missão Impossível: Protocolo Fantasma. Resumir uma análise a “gosto”, “não gosto”, “a cena de Dubai é deslumbrante” ou “a montagem se parece com videoclipe” não passa de bobagem, é ignorar a simbologia de poder e dominação da cultura – consequentemente, do cinema – norte-americana sobre o resto do mundo.

A começar que é um sinal óbvio dos tempos que um filme de ação se passe em vários lugares do mundo e que tenha uma parte fundamental de seus eventos aconteçam em um não-lugar que atende pelo nome de Dubai, do qual conhecemos muitíssimo pouco, uma cidade cuja presença no cenário geopolítico internacional (inclusive no futebol) foi recentemente reinventada pelo dinheiro.

Um bem acabado produto – porque o filme é, de fato, seguro na sua realização e nas convenções do gênero – com cara de moderno: está lá a ideia de mundo conectado e diminuição das fronteiras. Ou seja, facilmente vendável para qualquer parte do globo. Por outro lado, o herói continua sendo o americano, enquanto o vilão (advinha?) são os... russos!

A proporção que o filme toma numa projeção em Imax é a definição perfeita do espetáculo: é algo que simplesmente arrebata e aliena, com muitíssima eficiência, quem está à sua frente. Arrisco: a magnitude das cenas, dos planos abertos e das hipérboles que precisamos utilizar ao falar do filme me parecem uma demonstração de força do próprio cinema americano como indústria e máquina que domina o imaginário.

Leia o restante do texto na Revista Interlúdio.