quinta-feira, 8 de março de 2012

Psicopatas e Zumbis no cinema: Frightmare e Johnny Zombie


Os zumbis e os psicopatas tomaram de assalto o CineSesc ontem na ótima Sessão do Comodoro, projeção mensal de filmes pouquíssimo conhecidos organizada por Carlos Reichenbach, o grande diretor-cinéfilo de produções fundamentais como Filme Demência, Lilian M: Relatório Confidencial, Anjos do Arrabalde e do subestimado Falsa Loura.

Quem abriu a sessão foi o curta-metragem A Morte e a Morte de Johnny Zombie, do crítico e pesquisador Gabriel Carneiro, um dos ativos colaboradores da Revista Zingu. Tão latente quanto a precariedade de recursos está o exercício de linguagem no cinema de gênero, algo que infelizmente alguns festivais parecem não ter a coragem de valorizar, posto que o curta teve poucas janelas de exibição em 2011.

Narra-se a transformação em zumbi de um homem atingido por um vazamento químico. Parte da história é contada em câmera-subjetiva, ou seja, aquela que assume o olhar do personagem, recurso que Dario Argento, o mestre, usou antologicamente em Terror na Ópera na cena em que mostra um corvo sobrevoando o teatro para, em seguida, repetir o movimento com a câmera, imitando o movimento da ave.

O longa que Reichenbach programou nesta sessão Comodoro foi Psicopatas (Frightmare, 1974), sobre o qual não sabia nada e que se revelou como uma grata, mesmo que irregular, surpresa. (Parênteses: Carlão é, além de um grande diretor, um cinéfilo com olhar muito apurado e generosos para o cinema, que constantemente compartilha leituras no seu blog Olhos Livres).

E Psicopatas esbarra, com muita ironia, numa questão que continua importante: quem detém o poder de determinar a sanidade (ou a falta dela) em uma pessoa? Como o manicômio funciona como instituição que entra quando o corpo social não dá mais conta de absorver o que foge da norma?




Mais uma vez, o cinema de gênero arrisca-se a fazer comentários e proposições. No caso deste filme, fala-se de canibalismo e a suposta reincorporação à sociedade de um casal que passou 15 anos num hospício: ela, por cometer os atos; ele, por acobertá-los.

Interessante, mas irregular, o filme tem momentos muito inspirados – sendo o principal o plano final, de solução brilhante – e outros nem um pouco – como as elipses bizarras ou os personagens-muleta que entram para explicar o imbricado enredo.

Mas é cinema de horror feito decentemente e com ganchos para buscarmos diálogo com o estado das coisas.

Não deixa de ser curioso, porém, as frases trazidas pelo pôster original: “Sanguinolento, brutal e muito nojento”. Sinceramente, acho que o crítico autor dessa frase estava com a cabeça na lua ao escrever isso.

Abaixo, a versão integral de Psicopatas no YouTube – já que o filme, obviamente, nunca foi lançado no Brasil:



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terça-feira, 6 de março de 2012

Dossiê Coppola – ensaios do diretor de O Poderoso Chefão e Apocalypse Now



Francis Ford Coppola, o diretor de obras-primas dos anos 1970 que ultimamente tem sido lembrado mais como dono de vinícola, é alvo de um amplo e maravilhoso dossiê da Revista Interlúdio, projeto que integro com muitíssimo orgulho [acesse aqui a home page do dossiê].

O Dossiê Coppola repete os moldes do que foi feito em janeiro com Alfred Hitchcock. São seis ensaios aprofundando questões do cinema do diretor das obras-primas O Poderoso Chefão, A Conversação e Apocalypse Now.

Abre o dossiê o ensaio “Breve Introdução ao Cinema de Francis Ford Coppola”, escrito pelo crítico Sérgio Alpendre, editor da Interlúdio, sobrevoando características gerais da carreira do diretor, roteirista e produtor.

Na sequência, “Anos 60: quando Coppola tornou-se um homem”, escrito pelo editor deste Urso de Lata comenta os primeiros filmes do período de formação do cineasta, em especial o grande Caminhos Mal Traçados (1969) e o divertido Agora Você é um Homem (1966), passando também pelo desastroso musical com Fred Astaire, O Caminho do Arco-Íris (1968).

“Sombras na Filmografia de Coppola”, de Leandro Cesar Caraça, esclarece a função de Coppola em diversos outros filmes além dos que assina como diretor ou roteirista, seja produzindo ou tapando buracos, como aconteceu no início da carreira, ou sendo apadrinhado por Roger Corman.

Por sua vez, o ensaio “A Saga de Michael Corleone”, também assinado por Alpendre, mergulha na trilogia do Chefão, apontando a melancolia do personagem e o caminho sem volta assumido da família Corleone.

As relações entre literatura e cinema são analisadas em “De Coração das Trevas a Apocalypse Now”, no qual Cesar Zamberlan escrutina a narrativa d olivro que é ponto de partida para mais uma obra-prima de Coppola.

A década de 1980, quando o sonho da Zoetrope é definitivamente enterrado, ganha análise de Luiz Carlos Oliveira Jr. no ensaio “'Nothing Gold Stay Gold': Coppola nos anos 80”, em que O Fundo do Coração e Vidas sem Rumo são contrapostos à produção setentista: a melancolia

Para encerrar, curiosidades da extensa carreira de Coppola são postas em lista no “ABC de Coppola”. Como cereja no bolo, filmografia completa comentada por diversos colaboradores da Revista Interlúdio.

Só posso convidar aos leitores que confiram o extenso Dossiê Coppola, devorem o cardápio com regozijo e que encontrem nos textos aberturas para ver, rever e reposicionar (positiva ou negativamente) a obra de Francis Ford Coppola.

Marlon Brando em Apocalypse Now

segunda-feira, 5 de março de 2012

Drive - Crítica


"Não carrego armas. Apenas dirigjo", diz Ryan Gosling, protagonista de Drive


Drive é um filme que permite um diálogo entre Francis Ford Coppola, Brian De Palma e Abel Ferrara. Tem-se neste que é o filme mais vigoroso e pulsante lançado (com muito atraso) no Brasil até este mês de março o trabalho de composição de O Poderoso Chefão, a violência sem volta de Scarface e o mergulho na podridão de um Vício Frenético.

Mas este filme do dinamarquês Nicolas Winding Refn que muito antes de estrear no circuito brasileiro já ganhou status de cult, seja pelas exibições no Festival do Rio ou pelos compartilhamentos e fóruns da internet, é uma fábula macabra sobre Los Angeles. E isso dá cores um pouco diferentes dos seus colegas que falaram da podridão na Flórida ou em Nova York.

Faltou chamar para o diálogo outro filme: Chinatown, de Polanski, este sim um comentário sobre as bases corruptas e o histórico de crimes e ameaças que está no solo (literalmente) de Los Angeles.



Pronto, é com esses quatro filmes que vejo Drive estabelecendo pontes – apesar de, na entrevista a amigo Paulo Gadioli publicada na Rolling Stone, o compositor Cliff Martinez afirmar que O Massacre da Serra Elétrica foi uma das referências de Winding Refn.

A produção que o dinamarquês fez nos Estados Unidos, mas que passou (injustamente) ao largo do Oscar, numa clara demonstração do “humor” da Academia e do que se pretende manter ignorado à margem, é um filme de herói violento que se parece um OVNI no panorama do que se faz hoje em termos de filmes sobre a máfia ou centrado num personagem justiceiro.




A relação com o tempo narrativo é um tanto sinfônica neste filme. “Nada acontece”. Na verdade, tudo acontece. Prepara-se o terreno e ambienta-se o espectador no que está por vir. Só que num contexto de audiências ávidas por acontecimentos e eventos, Drive é tido como um filme lento, em que muita gente vai sair falando que é “chato, mas a fotografia é linda”.

(Parênteses: não deixa de impressionar como a velocidade e o desempenho autômato tornou-se uma quimera em cada pequeno espaço das nossas vidas, inclusive no futebol. Jogadores que cadenciam e que constroem com vagar uma jogada invariavelmente ganham a pecha de “desligados” ou “atrasam o time”. Parece não haver mais tempo para um ritmo que não a da velocidade limite, seja na narrativa cinematográfica, no futebol ou até mesmo no trânsito de São Paulo, que acaba de vitimar mais um ciclista em nome da “fluidez” ditada pelo automóvel, o corpo-máquina. Fecha parênteses).




Mas Drive é mesmo um filme de herói em conflito construído com um apuro ímpar pela beleza dos planos. Porque o Driver que Ryan Gosling performa é uma espécie de John Rambo atirado num filme que glorifica uma das bases da linguagem do cinema: a relação de tempo e espaço. O herói tem de voltar, contra a própria vontade, à era da escuridão e revisitar um passado que não mais lhe interessa. Não será mais possível cumprir o que diz no começo do filme: “Eu não entro no jogo enquanto você estiver roubando. Eu não levo arma comigo. Eu dirijo”.

E como qualquer herói de um filme que não busca a conciliação, há o sacrifício. O que torna a música de encerramento dos créditos de uma precisão absurda. Diz a letra: “Real human being, and a real hero”.

Não dava para ser de outro jeito.

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domingo, 4 de março de 2012

O Açougueiro de Lyoon

Como o É Tudo Verdade, o mais importante festival de documentários da América Latina, aproxima-se (a abertura acontecerá em 22 de março), este post é uma espécie de “esquenta”, um aquecimento para o festival, que ano passado realizou uma brilhante retrospectiva da russa Marina Goldovskaya.

Voltando ao “açougueiro de Lyon”, o título deste post, a nem um pouco louvável alcunha foi imputada a Klaus Barbie, um dos maiores criminosos de guerra e responsável pela execução de sofisticadas técnicas de tortura contra judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Com o fim do confronto, trabalhou como “consultor” para o governo norte-americano em repressões anti-comunistas, mas mudou-se para a América do Sul no fim dos anos 1950.

Estabeleceu-se na Bolívia e, de lá, tentou implementar um novo Reich. Antes disso, já havia emprestado seus conhecimentos de torturador para regimes ditatoriais em países sul-americanos. Sua história é retratada no interessante documentário O Inimigo do Meu Inimigo (My Enemy's Enemy, 2007), lançado em DVD no Brasil pela Imagem Filmes.

Na linguagem, um documentário tipicamente americano, conduzido no talking head, ou seja câmera registrando os depoimentos dos entrevistados, bem diferente, então, do que o cinema documental brasileiro tem feito – mas isso é outra história. O que interessa, de fato, em O Inimigo do Meu Inimigo é o personagem e os acontecimentos.

Em vez de se dedicar a uma afirmação superficial do Bem e do Mal, o filme de Kevi McDonald prefere as áreas cinzas. A saber: o papel que oficiais e burocratas nazistas tiveram, após o término da Segunda Guerra Mundial, no xadrez político conduzido pelos Estados Unidos. Com o fim da guerra, Hitler deixou de ser o grande inimigo norte-americano, substituído pela União Soviética no contexto de estabelecimento da Guerra Fria.




E quem conhecia como ninguém os soviéticos? Os alemães! Como lembram as entrevistas em O Inimigo do Meu Inimigo, os EUA convenientemente ignoraram as atrocidades nazistas, contrataram seus “serviços” e mais, deram-lhes proteção.

Aos poucos o documentário chega onde quer: até mesmo a condenação de um criminoso como Klaus Barbie integra o teatro da política internacional. É obviamente indiscutível a dor das famílias torturadas por ele e a justiça em sua prisão perpétua decretada em 1987. Mas e o colaboracionismo dos franceses que entregaram a creche em que 44 crianças foram mortas (o que rendeu o apelido de “açougueiro de Lyon” a Barbie)? Ou a proteção dos EUA?

Para apimentar mais o caldo: o que difere as atrocidades de Barbie com as do exército francês na Argélia?

São algumas questões que o documentário O Inimigo do Meu Inimigo inteligentemente coloca.

Em tempo: quem defendeu Barbie no julgamento na França foi o advogado Jacques Vergès, de formação maoista, personagem tão ou mais interessante que o açougueiro no documentário. Na fila de clientes de Vergès está Carlos, o Chacal, retratado na obra-prima de Olivier Assayas, Carlos.

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sábado, 3 de março de 2012

Na Carne e na Alma: um atentado moral

Adoraria que a frase fosse minha, mas a autora dessa definição de assassinato moral é Andrea Ormond, editora do fundamental blog Estranho Encontro. A pesquisadora usou o termo para definir o filme mais conhecido do hoje pouco conhecido Alberto Salvá, A Menina do Lado, o longa que é provavelmente a porta de entrada de todo mundo que viu ao menos um filme do catalão radicado no Brasil.

Furto o assassinato moral para empregá-lo no filme póstumo de Salvá, Na Carne e na Alma, que estreia na sexta-feira (2/3) no Cine Olido em São Paulo, em conjunto com uma necessária mostra do cinema de Salvá, morto em outubro de 2011. Serão exibidos entre 2 e 8 de março sete filmes do realizador [saiba mais aqui]. É a mais interessante estreia desta semana ao lado de Drive.

Na Carne e na Alma é uma história de amor de um conquistador (Karan Machado) que conhece o inferno da paixão ao se enamorar da inconstante, sedutora e blasé Mariana (Raquel Maia). Ele morador de Niterói, mas estudante de uma faculdade de classe média alta na zona sul do Rio de Janeiro (no que me parece uma referência velada à PUC). Ela também frequentadora da mesma instituição, mas vinda de uma família endinheirada. Rodrigo chama Mariana de patricinha. Ela retruca e diz que ele tem mau gosto.

Continue lendo a crítica de Na Carne e na Alma na Revista Interlúdio.


quinta-feira, 1 de março de 2012

O comunicado da Sky e a confusão sobre liberdade


Nas mídias sociais e na blogosfera voltou a esquentar um necessário debate em torno da difusão do produto audiovisual brasileiro na televisão. As manifestações se intensificaram após o comunicado da Sky que justifica porque é contra à lei que assegura a participação de mais produtos audiovisuais brasileiros independentes na grade das televisões por assinatura – a Lei 12.485/11, sob consulta pública na Ancine, desdobramento do famigerado PL 29.

É preciso colocar logo de cara: a Sky é uma empresa que, como qualquer outra, coloca o lucro em primeiro lugar. Logo, é um lugar de mentirinha este lugar de defensores da liberdade e do interesse comum em que ela se coloca com o comunicado publicado semana passada [leia aqui]. É a defensora da liberdade empresarial, que de forma alguma é automaticamente igual à liberdade do cidadão.

O confronto real está omitido no comunicado da Sky: trata-se mesmo é da proteção do lucro de um negócio em franca ascensão contra o interesse comum em ampliar justamente a liberdade de escolha do cidadão e nas possibilidades do que ver na televisão. É justamente o que defende o manifesto em repúdio à medida da Sky [leia aqui].

Grosso modo, o projeto em discussão estabelece que, por semana e em horário nobre (19h às 24h), seja exibido 3h30 de conteúdo nacional – ou seja, 30 minutos por dia. Isso vale para canais de filmes e variedades.

Como lembra matéria do IDG Now, essa porcentagem é irrisória se comparada com outros países. Citando estudo da Unesco, “60% da programação no Canadá deve ser de origem canadense, enquanto que na África do Sul, o índice cai para 35%. Na União Europeia, pelo menos 50% do tempo precisa ser reservado a conteúdo com 'autores, trabalhadores e produtores residentes nos Estados-membros'”.



O comunicado da Sky parte da falaciosa suposição de que hoje o que reina na TV paga reina a liberdade de escolha. Basta espiar a grade de programação e no modelo de negócio tanto dela quanto de outras operadoras como TVA e NET somos reféns de pacotes que condicionam a adesão de certos canais à assinatura de pacotes mais caros. Exemplo? O Canal Brasil.

O texto da empresa diz também que não há interesse na produção independente brasileira. “Além disto, nestes 15 anos de nossa trajetória, jamais recebemos qualquer demanda dos assinantes no sentido de querer ver mais filmes brasileiros independentes na TV. Em um negócio como o nosso, o relacionamento com o cliente, o preço e a qualidade do conteúdo são pilares que definem o sucesso e o aumento da penetração da TV por Assinatura no Brasil”.

Primeiro: o discurso de sempre que recorre ao suposto desinteresse do público. “Menos Faustão na TV? Pra quê, o povo gosta” ou “lançar aquele filme nos cinemas? Pra quê, o povo quer é pão e circo”. Quer-se então manter o ciclo vicioso: não se programa porque o povo não gosta; e como o povo não gosta, não se programa. A resistência a qualquer mudança sempre recorre ao argumento falacioso do “o povo não quer”.

Segundo: esse pilar que a Sky cita está bastante capenga. Deixar cliente esperando na linha não é bom relacionamento; assumir que o preço praticado no Brasil é bom é simplesmente ignorar a média de outros países; afirmar que a qualidade do conteúdo que hoje se tem é satisfatório... aí já é piada (e praticamente chamar seu interlocutor de burro).

A colocação de Newton Cannito, roteirista de Bróder, é esclarecedora. “Não podemos dar a uma corporação privada o título de defensora da liberdade de escolha do cidadão. Liberdade empresarial não é, necessariamente, liberdade cidadã. (…) A SKY não pode se colocar como defensora do interesse público. E tratar os realizadores como se estivéssemos presos a interesses corporativos. Não é verdade. Temos que ter claro que o principal objetivo da lei não é dar empregos para cineastas. Nisso a gente se vira. O principal objetivo da lei 12.485/11 é o cidadão, não a classe audiovisual. Ela serve principalmente para aumentar a diversidade de conteúdos para o cidadão comum. Queremos dar mais LIBERDADE DE ESCOLHA para o cidadão”. [leia a íntegra do texto aqui].



Na campanha em vídeo, a Sky adota o discurso do medo, presente especialmente na fala do jogador Giba. No conteúdo textual, apela para a divisão do Bem (a empresa) e o Mal (a Ancine) autoritária. Não é preciso ir muito longe para lembrar que quando o discurso do medo se aliou à divisão dos moços contra os vilões, Bush levou os EUA ao desastre no Iraque.

Como resposta ao comunicado da Sky, está circulando pela internet um manifesto em repúdio às posições da empresa e seu discurso que pouco esclarece o debate [link aqui].

É necessário sim que a sociedade civil entre no debate, mas não pela porta de entrada da liberdade empresarial, mas na do cidadão e a do bem comum.

*As fotos que ilustram este post são dos filmes Um Sonho de Liberdade, Um Estranho no Ninho e Cry, Beloved Country.